Arquivo de Dezembro, 2007

BABÁ

31 Dezembro, 2007

O Babá é meu amigo desde 1984. Pelo menos uma vez por ano a gente passa uma tarde juntos, ouvindo música, bebendo e dando risada.

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Seu pé é tão bonito! O seu também.

A CAMISOLA DO DIA – faixa 31

31 Dezembro, 2007

FELICIDADE

Felicidade foi-se embora
e a saudade no meu peito
inda mora e é por isso que eu gosto
lá de fora, onde sei que a falsidade
não vigora.

A minha casa fica lá detrás do mundo
onde eu vou em um segundo
quando começo a cantar.
O pensamento parece uma coisa à toa
Mas como é que a gente voa
quando começo a pensar

(de Lupicínio Rodrigues na voz de Joanna)

AMAR É…

30 Dezembro, 2007

passar o dia vendo filmes antigos do seu amor  

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Stuart Ltitle 1 e 2

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Razão e Sensibilidade

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101 Dálmatas

A CAMISOLA DO DIA – faixa 30

30 Dezembro, 2007

NÃO ENCHE

Me larga, não enche
Você não entende nada
E eu não vou te fazer entender…

Me encara, de frente
É que você nunca quis ver
Não vai querer, nem vai ver
Meu lado, meu jeito
O que eu herdei de minha gente
Eu nunca posso perder
Me larga, não enche
Me deixa viver, me deixa viver
Me deixa viver, me deixa viver…

Cuidado, oxente!
Está no meu querer
Poder fazer você desabar
Do salto, nem tente
Manter as coisas como estão
Porque não dá, não vai dá…

Quadrada! Demente!
A melodia do meu samba
Põe você no lugar
Me larga, não enche
Me deixa cantar, me deixa cantar
Me deixa cantar, me deixa cantar…

Eu vou
Clarificar
A minha voz
Gritando
Nada, mais de nós!
Mando meu bando anunciar
Vou me livrar de você…

Harpia! Aranha!
Sabedoria de rapina
E de enredar, de enredar
Perua! Piranha!
Minha energia é que
Mantém você suspensa no ar
Prá rua! se manda!
Sai do meu sangue
Sanguessuga
Que só sabe sugar
Pirata! Malandra!
Me deixa gozar, me deixa gozar
Me deixa gozar, me deixa gozar…

Vagaba! Vampira!
O velho esquema desmorona
Desta vez prá valer
Tarada! Mesquinha!
Pensa que é a dona
E eu lhe pergunto
Quem lhe deu tanto axé?
À-toa! Vadia!
Começa uma outra história
Aqui na luz deste dia “D”
Na boa, na minha
Eu vou viver dez
Eu vou viver cem
Eu vou vou viver mil
Eu vou viver sem você…

(de Caetano Veloso, com o próprio)

ÊXTASE

29 Dezembro, 2007

A pele do poeta
só quem percorre
é o louvor,
capaz de embriagá-lo completamente.

A CAMISOLA DO DIA (29)

29 Dezembro, 2007

A FONTE SECOU

Eu não sou água
Pra me tratares assim
Só na hora da sede
É que procuras por mim
A fonte secou.
Quero dizer
Que entre nós tudo acabou.

Teu egoísmo me libertou
Não deves mais me procurar
A fonte do nosso amor secou
A de teus olhos
Nunca mais há de secar.

(de Marcléo, Monsueto Menezes e Tufic Lauar na voz de Maria Bethânia)

DAS VANTAGENS DE SE AMAR HOUSE À DISTÂNCIA

27 Dezembro, 2007

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E não vê-lo sendo levado numa camisa de força
aos berros dentro de uma ambulância
junto com outros malucos, viciados
que só se livrarão de mim à base de muito eletrochoque.
E depois vê-lo babando pelos cantos
tacando a cabeça contra a parede
e perguntando se o olho ainda está no lugar.
Dessa vez eu tenho certeza
que o meu amor não vai fazer ninguém
se aposentar por invalidez.

Por não sermos amantes
a mulher do House não me perseguirá pelas ruas do centro da cidade
me fazendo entrar nas lojas pra me esconder, morta de medo
de que ela esteja com um revólver
e queira me matar.

Ela adora passar as noites me acordando
de hora em hora só pra me lembrar
Como sou desgraçada
Como sou infeliz
Por roubar um marido
Que ela nem amava mais.

Como ele não fala português
Eu não lhe escreverei quinze cartas por dia
de quinhentas páginas cada uma
com milhões de desenhos coloridos com canetinha hidrográfica
poças de azul, verde e vermelho
borradas pelo mar de lágrimas que eu verto
sempre que digo a mesma coisa:
eu te amo, eu te adoro, não vivo sem você

Por não saber onde ele mora
não ficarei plantada na porta da casa dele
feito um poste
esperando que ele saia e me veja ali
e morra de dó de mim e, por dó, me leve
à padaria da esquina e me pague
uma média e um pão com manteiga na chapa.
E, por dó, resolva passar a tarde comigo.
“Mas só essa tarde, hein? Não vá se acostumar”
Por dó, não tem importância, eu não ligo.

Como eu não sei onde ele mora
não poderei pular o muro da casa dele
para pegá-lo em flagrante
não com uma mulher
mas um homem.

Nesse dia eu levava uma bandeja de camarão empanado
(a Bia adora essa história)
da Ofner, caríssimos.
E quando pulei o muro, ele me abraçou e me beijou
e o amor foi tanto que nem vimos o cachorro
que comeu todos os camarões da Ofner, caríssimos,
que eu havia levado.

“Você achou mesmo que eu estava com alguém? Bobinha”.
Viado, filho da puta.
Estava. Descobri muito depois.

Meus Gregorys são sempre assim, meio casados, meio viados.

Se Greg soubesse do que escapou
talvez até me quisesse
porque ele não é muito certo da bola.
Eu nunca gostei de homens certos da bola.

Mas como ele mora nos Estados Unidos
e nem me conhece
Nossa história
terminará bem dessa vez.
I hope so.

A CAMISOLA DO DIA – faixa 28

27 Dezembro, 2007

FOLHETIM

Se acaso me quiseres
Sou dessas mulheres
Que só dizem sim
Por uma coisa à toa
Uma noitada boa
Um cinema, um botequim

E, se tiveres renda
Aceito uma prenda
Qualquer coisa assim
Como uma pedra falsa
Um sonho de valsa
Ou um corte de cetim

E eu te farei as vontades
Direi meias verdades
Sempre à meia luz
E te farei, vaidoso, supor
Que é o maior e que me possuis

Mas na manhã seguinte
Não conta até vinte
Te afasta de mim
Pois já não vales nada
És página virada
Descartada do meu folhetim.

(de Chico Buaque, na voz de Nara Leão)

FIM DE PAPO

26 Dezembro, 2007

para Andréa del Fuego

De hoje em diante
quero falar-me
falar-me
falar-me
como fazem os poetas
que penduram as emoções no varal
e todo mundo acha lindo
e chama de bandeirinha de São João.

Daqui pra frente
quero ser poeta.
E pouco importa se a Índigo não me olhar mais na cara.
Quero colocar meus velhos amores
(hoje não os tenho mais, nem velhos nem novos)
sobre a mesa de lata barata dos bares baratos que eu freqüento
e dissecá-los na frente de todo mundo
como venho fazendo há muito tempo.
Farei agora com muito mais categoria.

Abrirei a gaveta do enxoval e
estenderei o lençol de linho branco
Desnudarei a impudica saudade
dos três ou quatro homens (sacanas)
que gosto tanto de amar,
ainda hoje.

Chega de papo, chega de história.
Quando estou assim, incontrolável,
preciso derramar-me,
derramar-me
derramar-me.

A CAMISOLA DO DIA – faixa 28

26 Dezembro, 2007

AS APARÊNCIAS ENGANAM

As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio se irmanam na fogueira das paixões
Os corações pegam fogo e depois não há nada que os apague
se a combustão os persegue, as labaredas e as brasas são
O alimento, o veneno e o pão, o vinho seco, a recordação
Dos tempos idos de comunhão, sonhos vividos de conviver

As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio se irmanam na geleira das paixões
Os corações viram gelo e, depois, não há nada que os degele
Se a neve, cobrindo a pele, vai esfriando por dentro o ser
Não há mais forma de se aquecer, não há mais tempo de se esquentar
Não há mais nada pra se fazer, senão chorar sob o cobertor

As aparências enganam, aos que gelam e aos que inflamam
Porque o fogo e o gelo se irmanam no outono das paixões
Os corações cortam lenha e, depois, se preparam pra outro inverno
Mas o verão que os unira, ainda, vive e transpira ali
Nos corpos juntos na lareira, na reticente primavera
No insistente perfume de alguma coisa chamada amor.

(de Sérgio Natureza e Tunai, na voz de Elis Regina)