Arquivo de Janeiro, 2008

GEMINIANAS DO BABADO

30 Janeiro, 2008

Marilyn Monroe, 1 de julho de 1926
Maysa, 6 de junho de 1936
Bibi Ferreira, 10 de junho de 1922
Maria Bethânia, 18 de junho de 1946
Ivana Arruda Leite, 28 de maio de 1951
Dolores Duran, 7 de junho de 1930. No dia 23 de outubro de 1959, aos 29 anos, Dolores chegou em casa às 7 da manhã, depois de sua apresentação na boate Little Club, e disse à empregada: “Não me acorde. Estou cansada. Vou dormir até morrer”. E se foi. Sua música Noite de paz pode ser considerada o hino das geminianas.

NOITE DE PAZ

Dá-me, Senhor
Uma noite sem pensar
Dá-me Senhor
Uma noite bem comum
Uma só noite em que eu possa descansar
Sem esperança e sem sonho nenhum
Por uma só noite assim posso trocar
O que eu tiver de mais puro e mais sincero
Uma só noite de paz pra não lembrar
Que eu não devia esperar e ainda espero.

O QUE QUER ESSA MULHER?

28 Janeiro, 2008

Eu quero falar mais das fotos de Marilyn. Difícil esquecê-las. Não só pelas fotos (muito maiores do que eu imaginava, muito mais lindas também. E são muitas!), mas também pelos textos que acompanham as fotos, onde Bert Stern conta o que foi passar três dias e três noites com ela na suíte de um hotel em Los Angeles. Ele começa contando da sua chegada: ela estava só 5 horas atrasada e, quando a vi, o mundo parou, tudo deixou de ter importância: meu filho de um ano e meio, meu casamento, minha carreira. Só ela importava (citação de memória).
Como vocês já devem estar carecas de saber, as fotos foram tiradas seis semanas antes de sua morte (em 5 de agosto de 1962, aos 36 anos). Foram 2700 cliques, de onde ele selecionou 2.571 imagens. Tem uma onde os dois aparecem na cama, ele ao lado de Marilyn, e ele conta: sentei-me ao seu lado e quando me vi no espelho, não acreditei. Eu precisava registrar aquele momento. Eu mesmo não acreditava no que via. Os dois beberam muito. Num dado momento ele pensa: o que quer essa mulher? Acho que devo beijá-la. E tenta. Mas Marilyn diz um não quase imperceptível e “recolhe-se à sua letargia”. Como toda boa geminiana, ela tinha mil caras. Estão todas lá, penduradas na parede. Da menininha de sorriso ingênuo à puta mais sacana. O rosto de menina assustada, a boca sensual que, de repente, se desmancha num sorriso escancarado que eu nunca tinha visto, as poses são muitas. Em todas, a dor circunda seus olhos como um delineador. A dor de alguém que pede uma coisa que ninguém sabe o que é. Se sabe, não tem pra dar.
Até a cicatriz de uma operação que ela tinha feito um mês antes para extrair a vesícula está lá. Cicatriz ainda viva. Os pontos mal tinham acabado de fechar. A barriga um pouco inchada por conta disso.
45 anos depois de sua morte, Marilyn continua nos desafiando com sua beleza estonteante e indecifrável.

BLOG NOVO NA PRAÇA

27 Janeiro, 2008

Beto Bombig, meu amigo, gente finíssima.

4 MESES, 3 SEMANAS, 2 DIAS

26 Janeiro, 2008

Os filmes agora deram pra nos fazer lembrar os anos 80. Primeiro foi A vida dos outros, e agora esse. Filmes que parecem nos querer dizer que nós já passamos tempos mais tenebrosos do que esses que vivemos. Duas meninas idiotas, que você tem vontade de dar na cara, duas antas que só fazem merda o tempo inteiro e quase te matam de aflição. O cenário é a Romênia de 1982, tá bom pra você? Só isso já bastava. Um horror. O filme conta a enrascada em que duas amigas se metem por conta do aborto de uma delas. Pior impossível. Tudo bem que o diretor quis mostrar o feto de 4 meses no chão do banheiro, mas a menina precisava comer cérebro empanado depois do aborto? O que é isso? Humor rumeno? Eu saí passando muito mal, com vontade de vomitar, querendo descer a Augusta em desabalada corrida e me trancar em casa. Mas o filme é bom. Muito bom.

POR ONDE ANDEI

26 Janeiro, 2008

Ora, eu andei por aqui mesmo, o tempo todo nesse mesmo lugar onde você está me vendo. Detesto viajar. Só viajo quando sou obrigada, ou por dinheiro. Além do mais, não estou de férias no trabalho, que continua chovendo bastante. A novidade é que tenho me dado muito bem comigo e feito passeios agradabilíssimos, que sugiro a vocês.

DEUSA (MÃE)

17 Janeiro, 2008

Quisera fazer poesia
como quem trança fios de ouro
Moça de fino trato
no trato com bolas de cristal.

Quisera ter as pernas de minha mãe
que tem setenta anos e trança as pernas
como se fossem cordões de ouro

Mas qual, sou só embaraço e tropeço
tanto nas pernas, quanto na poesia.

A MORTE

16 Janeiro, 2008

A bruxa que voa sobre minha cabeça
espalha sobre os sentidos
o chumbo que antecede aos temporais
estendendo sobre meu defunto coração
uma capa de cimento que me cai feito uma luva.

O barulho da unha arranhando a pedra
se confunde com o cantar gitano da ciranda de anões
que dançam pendurados no lustre de cristal.

O passeio dos tatus-bolas me escavando e tentando me comer
traça um estranho desenho na sola dos meus pés.
Se tento me livrar, cada vez me prendo mais
na trama das aranhas e no verde babado das taturanas.

A lama que entra pelo umbigo preenche minhas tripas
com a mesma massa marrom e fria
que até ontem estava sob meus pés.
Recheio de argila na barriga vazia
do peru pronto para ir ao forno.

Uns pássaros pretinhos, minúsculos,
carregam meu esqueleto até o telhado
e o deixam lá, pendurado num cabo de vassoura
pra espantar mal assombrados.

E essa mulher gorda e varicosa
que desce a escada tocando sininho,
quem é?

A CAMISOLA DO DIA – faixa 43

16 Janeiro, 2008

O QUE PINTÁ, PINTÔ

O que pintá, pintô
o que pintá, pintô
Naquilo que pintá eu tô, minha nega,
mesmo se a barra pesou.

Se a barra subir, eu subo.
Se a barra descer, eu desço.
Se a barra ficar no meio, podes crer, eu caio feio.

Se você disser que quer,
eu digo que quero também.
Se você disser que não, minha nega,
eu volto no primeiro trem.

O que pintá, pintô
O que pintá, pintô
Naquilo que pintá eu tô, minha nega,
mesmo se a barra pesou.

(de Sérgio Sampaio, com ele mesmo)

A CAMISOLA DO DIA – faixa 42

15 Janeiro, 2008

FIM DE CASO

Eu desconfio que o nosso caso está na hora de acabar
Há um adeus em cada gesto, em cada olhar
Mas nós não temos nem coragem de falar.
Nós já tivemos a nossa fase de carinho apaixonado
De fazer versos, de viver sempre abraçados
Naquela base do só vou se você for.
Mas, de repente, fomos ficando cada dia mais sozinhos
Embora juntos cada qual tem seu caminho
E já não temos nem vontade de brigar.
Tenho pensado, e Deus permita que eu esteja errada,
Mas eu estou, eu estou desconfiada
Que o nosso caso está na hora de acabar.

(de Dolores Duran, com Maysa)

MANCO

12 Janeiro, 2008

O diabo espreita o mundo
debruçado à janela
de nossas íris vazadas.

Se você chegar bem perto
ouvirá a risada do capeta
que se mija lá dentro
de tanto rir.