A Luiza Voll indicou e eu babei com as fotos de Carl Warner que, entre outras coisas maravilhosas, faz paisagens inacreditáveis com comida.
Arquivo de Abril, 2008
FOODSCAPE
29 Abril, 2008SÃO FRANCISCO XAVIER
29 Abril, 2008Finalmente eu vou conhecer São Francisco Xavier! (Brenninho sabe do que eu estou falando)
De 30 de maio a 1 de junho, eu, Marcelino Freire, Marçal Aquino, Milton Hatoum, Suzana Amaral, Marcelo Rubens Paiva e outros estaremos participando do Festival da Mantiqueira – diálogos com a literatura, um evento muito do bacanudo para professores, estudantes e funcionários de bibliotecas da rede pública de ensino do Estado de São Paulo.
O festival será realizado em São Francisco Xavier e reunirá autores, editores e público em geral para palestras, debates e lançamentos de livros. Acontecerão também, shows musicais e oficinas culturais ligadas à literatura.
Eu darei uma oficina para os professores sobre Motivação para Leitura.
A oficina do Marcelino Freire é para estudantes sobre Narrativas Breves e Outras Nem Tanto.
Serão selecionados 30 professores, 30 estudantes e 30 profissionais que trabalham em bibliotecas públicas. Se você se encaixa numa dessas categorias, veja o regulamento para participar e a programação no site da APAA – Associação Paulista dos Amigos da Arte.
CRÔNICAS DO LIVRO QUE NÃO MAIS EXISTIRÁ – 9
28 Abril, 2008PARA TODO TIPO DE MULHER
“Um sabonete feito para todo tipo de mulher”. Olho com atenção os tipos apresentados no anúncio da TV e percebo que não me encaixo em nenhum. Limpei as lentes dos óculos. Talvez estivessem embaçadas. Procurei de novo e nada. Se eles dizem que a sebosa maravilha é para todo tipo de mulher, cadê eu? Cadê o meu tipo? Demora uns segundos pra cair a ficha. Tolinha. Na minha santa ingenuidade pensei que quando os anunciantes diziam “todo tipo de mulher” estavam se referindo a todo tipo de mulher mesmo. Mas não. Eles estão pensando apenas nas mulheres bonitas. Sejam elas gordinhas, magrinhas; na faixa dos 30, 40, 50 ou 60; loiras, morenas, ruivas, grisalhas; negras, mulatas, japonesas. Mas todas lindas. As feias estão excluídas do todo tipo de mulher. Para os vendedores de sabonete, a beleza é o requisito básico para ser incluída na categoria Mulher. As demais que se lavem com um sabão qualquer, de cinza, caseiro, baratinho, vagabundo. Ou simplesmente não se lavem. Pra que que mulher feia precisa tomar banho? Pra quem a feiúra precisa se limpar?
VIRADA POLICIAL
27 Abril, 2008Atenção, a reconstituição no Edifício London não faz parte da Virada Cultural. Divirta-se longe dali.
HÉRCULES 56
26 Abril, 2008Acabei de ver esse documentário no Canal Brasil. Se você ainda não viu, veja. É muito muito bom. A história é a mesma que o Gabeira contou no O que é isso companheiro, mas de outro ponto de vista, com outros narradores. É muito interessante ver que os corruptos, inventores de mensalões e outras mumunhas, porta-vozes da presidência de hoje eram jovens idealistas há quarenta anos, cujas mãos só se sujavam do rubro sangue da revolução. Claro que muitos morreram sem uma mácula no currículo, outros se mantêm lúcidos e íntegros até hoje, mas o filme mostra a trajetória de cada um dos quinze que foram trocados pelo embaixador (como eles eram diferentes. Muitos ali lutavam em lados opostos, a maioria nem se conhecia). A direção é de Silvio Da-rin, que era membro do movimento e participou do seqüestro. E também escreveu o livro, Hércules 56, publicado pela ed. Zahar. Adorei.
Silvio Da-Rin
GORGOREJOS 2
26 Abril, 2008Recebi dois livros na semana passada. Dois livros primos-irmãos. Um é Cheiro de leoa, livro de estréia de Pedro Biondi, que conheci quando morava em SP. Tomamos algumas cervejas juntos e brigamos algumas vezes por conta do PT. Eu contra, evidentemente. Em 2005 ele mudou-se para Brasília, onde mora e trabalha como assessor, jornalista e escritor nas horas vagas. O livro do menino (ele nasceu em 76) é impecável. O cara tem uma escrita diferente, cheia de invencionices linguísticas, sintáticas, morfológicas e poraíaforas. Mas não é coisa de “querer ser diferente”. O cara sabe o que está fazendo e faz com mucha propriedade. Livro diferentaço, publicado pela ed. Limiar, com apresentação de Marcelino Freire. Às vezes uma prosa poética, às vezes um fluxo solto de palavras que vão se juntando numa narrativa que a gente não sabe como classificar. Muito bom.
O outro livro foi Vozesnumdivertimento, de Luci Collin, grande escritora de Curitiba, com quem me encontrei duas vezes na vida, mas somos as tais amigas que se reconhecem de cara porque foram feitas na mesma fornada. Luci é doutora em Letras pela USP e tem inúmeros livros publicados e traduzidos. É uma grande intelectual que se mete na ficção por puro deleite.
Se o Pedro começa agora a brincadeira da escrita desobediente, a Luci é catedrática no assunto. Com ela não tem uma vez que dois e dois dêem quatro. Ela faz questão de te deixar zonza zanzando pra lá e pra cá. Fugindo de onde você pensa que ela está. Eu pressinto que ali tem uma história que ela não me deixa agarrar, um porto seguro, uma tábua de salvação que ela não me dá. Eu queria morrer de rir com coisas engraçadíssimas que ela conta pela metade, menos ainda da metade. Só um pedacinho. Dá muita raiva. Dá vontade de perguntar: “Luci, por que você não escreve direito?” DIREITO. Luci faz parte dos tais escritores que me iluminam e assustam. Ao pé de cada página eu leio a nota: Ivana como você é burra, como você é medíocre, como você é ultrapassada. Esse negócio de escrever não é mais pra você. Se manda. Não é mais assim que se escreve.
Entenderam agora o porquê da minha crise? Duas chapuletadas na mesma semana fizeram picadinho dos meus miolos. Como voltar pro meu romance quadradrinho? Com que cara vou encarar aquela história tão cheia de nomes e datas e lugares e explicações e e e e
Vou tentar mais uma vez. Se ele não resistir, jogo tudo fora e devolvo o dinheiro que me foi pago em suaves prestações mensais.
GORGOREJOS DE UMA ESCRITORA EM CRISE
25 Abril, 2008Faz tempo que eu não tenho tido prazer em ler. A última vez foi… nem lembro quando foi. Já tive muito prazer com a literatura. Mas agora não. Meu lado adulto e racional diz “sim, isto é bom. Sim, o cara que escreveu esse livro sabe das coisas. Sim, é um ótimo autor, muito conceituado, vende pra caramba, reconhecido no mundo inteiro, o cara entende do assunto”. E daí? Literatura é como sexo. Também dá pra fingir orgasmo. Já fiz muito isso. Mas ando sem saco. Quando vejo, estou pulando páginas e páginas do tal livro maravilhoso do cara maravilhoso. Começo a ler de duas em duas, de três em três (o que não faz a menor diferença) até largá-lo de vez. Os modernosos dirão que literatura é pra cabeça e não para o coração. Que se eu quiser algo que me emocione que vá ler essas babaquices que existem aos montes por aí. Mas eu sei que há uma terceira via: a da alta literatura que fala ao pau. É com esse que eu vou. É nessa que eu estou. Pertenço à categoria dos que não são herméticos, não são cerebrais, não são experimentalistas, não são cifrados, temperamentais, obnubilados e nem por isso são idiotas. Nosso mestre é Amós Oz. Que está longe de ser porcaria.
Meu enjôo pela literatura não seria problema algum se eu não tivesse que entregar um romance dentro de alguns meses. Tudo bem, o romance já está praticamente escrito mas ainda falta muito pra ele ficar minimamente decente. Só que como ele foi escrito há quase quatro anos, eu olho pra ele e me pergunto: o que que eu tenho a ver com essa história? O que fazer com isso tudo?
- Rasgar e começar tudo de novo?
- Embaralhar as páginas para ver se melhora? (qualquer coisa eu digo que ele é o retrato do estilhaçamento da modernidade).
- Deletar uns parágrafos para que ele fique mais enigmático?
- Tirar o nome dos personagens pra tornar a história mais complexa?
- Apagar os travessões para que ninguém saiba quem está falando, nem se estão falando?
Valei-me Senhor! Eu tinha que brochar logo agora? Ou será que tamanha confusão na minha cachola ainda é efeito da anestesia?
VISÃO TOTAL
25 Abril, 2008Amigos, agradeço a torcida, o carinho e as orações de vocês. A operação foi um sucesso. Dessa vez fiquei livre de vez da miopia, embora ainda continue procurando os óculos no criado-mudo quando acordo. Uma prima minha operou há mais de quinze anos e até hoje, quando acorda, a primeira coisa que faz é estender a mão pra pegar os óculos. Para quem usa óculos desde a mais tenra infância, como eu, é muito estranho dormir e acordar enxergando tudo. Eu olho pro teto e penso: putz, esqueci de tirar a lente. Não! A lente agora está dentro dos meus olhos. De manhã, a mesma coisa. Até ontem, tinha uma hora do dia em que eu deixava de enxergar o mundo e só via o que estava a um palmo do meu nariz. E era bom. Quase um descanso. Uma pausa entre o ver tudo plenamente e o não ver nada. Perdi esse estágio intermediário. Esse negócio de enxergar tudo o tempo todo talvez seja meio cansativo. Agora, eu só não vejo se fechar os olhos. Talvez eu sinta saudade da miopia.
O.E.
24 Abril, 2008E lá vou eu operar o olho esquerdo. Torçam por mim. Voltarei enxergando tudo de todos os lados. Pronta para novos terremotos. Até já e mantenham-me informada. Sou toda ouvidos.
SINTO MUITO
23 Abril, 2008Notícia dada hoje, na coluna da Mônica Bergamo, na Folha de São Paulo:
SOLIDÁRIA
Xuxa recebeu no último sábado, em seu quarto no hotel Hyatt, em SP, Ana Carolina de Oliveira, a mãe da menina Isabella. A apresentadora deixou o jogo de baralho e a recebeu em um dos cômodos da suíte. A filha de Xuxa, Sasha, 9, avisou a quem estava no carteado que a visitante era a “mãe da menininha que morreu”.


