Arquivo de Maio, 2008

PRESENTE DE ANIVERSÁRIO

29 Maio, 2008

SETE ANOS DEPOIS

28 Maio, 2008

Aos 50 anos eu era uma mulher de cabelos brancos que escrevia contos e juntava-os na gaveta, sem esperança alguma de ser publicada. Sete anos depois, eu virei uma escritora “de verdade”, tenho cabelos vermelhos e conto com a presença e o carinho de GRANDES nomes da literatura brasileira contemporânea no meu aniversário. É incrível como a vida nunca é do jeito que a gente pensa que ela vai ser. Para o bem ou para o mal.

Por falar em amigos queridos, Marcelino, cadê você?  O que aconteceu que você não apareceu? Me dê notícias.

AINDA SOBRE O ENTRELINHAS

28 Maio, 2008

O Ivan Marques me mandou esse email, que faço questão de reproduzir para amenizar a ira (pura espuma) do post anterior sobre a saída dele do Entrelinhas. Claro que o Mané (Manuel da Costa Pinto) vai dar conta do recado. A explosão do primeiro momento acaba sempre me envergonhando na manhã seguinte. Se bem que, o que eu disse sobre a USP, eu mantenho.

Ivana, Doidivana querida!
 
Adorei as coisas que você escreveu no blog. Acho que nunca em minha vida recebi uma “bronca” tão divertida, uma “praga” tão carinhosa.
 
Não se preocupe com o Entrelinhas. Indiquei o nome do Mané porque somos muito amigos e ele já está muito próximo da equipe, por apresentar aquele outro programa. Está certo que ele não é de televisão. Mas pretendo dar assessoria a ele, pelo menos nos primeiros meses (só falta acertar burocráticos com a USP e a própria TV Cultura). E a equipe continua no programa (a Paula, a Letícia), e isso já garante a continuidade de tudo.
 
Tenho certeza que o Entrelinhas não deixará de ser o que é. E espero que, com a chegada do Mané, ele ganhe inclusive novas idéias, novo sangue, novas inflexões.
 
De qualquer modo, obrigado pelo carinho. E vamos deixar o barco correr. Como disse ao Marcelino, contem sempre comigo (na USP, na TV Cultura, wherever).
 
Beijo grande,
Ivan

MEU ANIVERSÁRIO

28 Maio, 2008

Ontem a Mercearia ficou lotada (e o meu coração também) de tanto amigo que foi lá pra comemorar comigo os 57 anos que completo hoje.

Um dia alguém colocou um comentário aqui dizendo que minhas fotos eram sempre das mesmas pessoas, no mesmo bar, bebendo a mesma bebida. Pra esse leitor, que eu não lembro quem era, ofereço mais do mesmo. Hoje e sempre. Dessa vez cantando parabéns pra mim!

Complete os pontinhos: Í….. e A…….

Guedes e as meninas

Bebel provando que está magrinha.

Rodrigo Lacerda e Bebel

A blusa da direita é da Bel Santana, que só me permitiu essa foto.

eu e Fernandinha Dumbra num momento de muita intimidade

Daniel Galera

Joquinha

tentando se esconder porque agora é um homem MUITO rico

Marçal, queridíssimo

Rodrigo Lacerda

Xico Sá que me deu uma flor linda linda

que passou de mãe em mãe

enfeitando a noite

Cassiano que me deixou felicíssima com a presença

Rodrigo e Marcos, da Girafinha

Tati, bailarina, e Rodrigo, frila

Zezé e Edinho

eu, Bressane, que fez aniversário domingo, e Galera

 

Bebel traz o bolo

eu e Bressane fizemos nossos pedidos antes de cortar o bolo: livros publicados, resenhas elogiosas, vendas, edições esgotadas, Nobel

FESTIVAL DA MANTIQUEIRA E ENTRELINHAS

27 Maio, 2008

Nesta sexta-feira estarei em São Francisco Xavier, participando do Festival da Mantiqueira. Pra saber da programação, convidados, shows, etc vá ao link e obtenha as informações precisas. Este é o primeiro ano que o Festival acontece, mas tenho a impressão que o filho nasceu criado. A coisa promete. Se você estiver a fim de passar um fim de semana do babado, com muito vinho e literatura, apareça.

O programa Entrelinhas vai cobrir o evento.

E por falar em Entrelinhas, eu NÃO ME CONFORMO com a saída do Ivan Marques da direção do programa. Eu falei isso pra ele. “Como que um homem da sua posição larga tudo pra ir pra USP!?!?”. Ele vai se dedicar à carreira universitária. Écata, mil vezes écata. Eu gosto muito do Manuel da Costa Pinto, que vai assumir a direção do Entrelinhas, mas sinceramente, o programa era a cara do Ivan. O Mané vai ter que inventar outra coisa. Tô abaladíssima com essa notícia. Pra USP??? O cara pirou. Os caras da USP dariam a vida por um programa como o dele na TV e o doido joga tudo pro alto e vai praquela catacumba. Que Deus o ilumine, que ele veja logo a besteira que está fazendo e que VOLTE o mais rápido possível. Eu estarei aqui, em pé, esperando.

A PISTA, O BOLO, O BUQUÊ

25 Maio, 2008

a mãe do noivo se anima

Kim, meu cunhado, e Alê numa inspeção básica

 

começou a festa

Bebel e a noiva

Mateus e Bruno

Kinzinho, Bebel e Vinícius

os noivos

 o noivo está quase no ponto

 

os doces estavam de babar

Mariana se prepara para jogar o buquê

e a mulherada se joga

CASAMENTO EM FAMÍLIA

25 Maio, 2008

Leo, filho de uma prima muito querida, e Mariana casaram-se ontem e fizeram um festão

Juliana e Ana Laura, sobrinhas, aguardam a noiva entrar

Vera e Bisteca, pais do noivo

Chechéu e Gilberto que foram padrinhos

Ao final da cerimônia, Ana Laura (de olhos vermelhos) e Beto

Vinícius e Cati

Regina e Bosco, meus tios

aqui com os pais do noivo

Dois primos: Rafael, que mora em Marília e Lucas, que mora aqui.

Gué e Magué, que moram em Marília e são pais do Duda, do Rafael e do Daniel

Rafael, Cláudia e Luiz. pai, mãe e filho que moram na Vila Madalena

Nas laterais, Mônica Louise e Marcelo. Ao centro, Cecília e Milton, que moram em São Sebastião

Cláudio e Raquel, primos que moram um pouco em Santos e um pouco em São Paulo


Maria Inês e Raquel

Maria Inês e Cecília, tia, mãe da Cláudia que apareceu logo acima.

meu pai e o Milton comendo um risoto delicioso

Eu e a Marta, uma prima muito querida que mora em Marília e que eu não via há muito tempo

Marta e o marido, Antonio Emílio

Dois irmãos: Magué, que mora em Marília e Milton

Bebelzinha, que arrasou no modelo e no penteado

Ela e a Ju, já meio trililis 

Este é o Bruno, irmão do noivo e a namorada

Renato e Cacau, ela é filha do Bosco e da Regina

Chechéu, Juliana e Gilberto

Este é o Daniel, filho da Magué e do Gué, com a esposa. Eles moram em Marília.

Este é o Duda, filho da Magué e do Gué, e a Lizandra. Nas pontas, eu e a Regina

Este é o Haroldo, que mora em Novo Hamburgo e é marido

da Sonia, tia do noivo.

Kinzinho e Rafael

Bebel e minha mãe

Cecília, minha mãe e Vera, mãe do noivo

Magué, Marta e Sonia

JANTARZINHO EM FAMÍLIA

23 Maio, 2008

Maria Inês e Kim, irmã e cunhado

Alê, Bebel e Luana

Inês e Nonô, mãe e pai

Índigo

Luana

Marcelino

Marília, que nunca tinha vindo à minha casa

e me trouxe essas flores maravilhosas

comida que é bom, nada. É que quando servi o jantar (picanha e risoto) eu já estava impossibilitada de fotografar. Pelo que eu me lembro, o pessoal gostou. Só sobraram dois míseros pedacinhos pro meu almoço.

QUE CENA!

21 Maio, 2008

Aqui você vê uma cena que vale mais que um Oscar.

Indicação do Marcelo Tas.

UM CONTO INÉDITO

21 Maio, 2008

Esse conto, aqui bastante modificado, foi publicado no último número da Revista E, do SESC.

INVEJA

Minha imaginação suburbana não conseguia adivinhar o gosto das maravilhas que eu via nas gôndolas daquele supermercado de grã-finos. Era assim que eu queria que a vida fosse. Era essa a vida que eu sonhei pra mim. Mas quem disse que a vida é justa? Uns dão duro no trabalho enquanto outros lotam o carrinho de trufas, caviar, foie gras, escargot, salmão, hadock, galantines, carrés, vitelas, jamon, fondants, camarons, marron glacê. Você sabe o que é isso? Eu não.
Meu coração batia acelerado e as pernas tremiam um pouco. Demorei pra perceber que aquilo era inveja. Da mais cristalina e licorosa, como a vodka que o rapaz me deu para provar.
Sei bem o que é inveja. Tenho amigas ricas que estão muito bem de vida, conhecem a Europa, usam roupa de grife, carro importado. Minha irmã mesmo, quando casou, eu tive inveja da festa, do marido que ganha bem mais que o Cido, da filha que eu tanto queria. Só tive meninos. Dois. Mas por mais inveja que eu tivesse da Mirtes, do emprego da Mirtes, das viagens que ela faz, eu nunca quis ser a Mirtes. Deus me livre! Sempre fui satisfeita com a minha vida.
Agora não. Eu não queria nada daquilo que eu via nas prateleiras. Eu queria o que antecede a posse. Eu queria ser aquelas pessoas. Era como eu tivesse entendido que a minha vida era uma nódoa que precisava ser banida da face da terra pra que o mundo ficasse mais bonito, mais limpo. Eu queria poder passear por esse chão de mármore com meus sapatos de pelica sabendo que posso comprar o que quiser. E só por isso não compro nada.
Queria acordar um dia e pedir que o motorista me levasse a um desses supermercados de bairro. Quero ver como essas pessoas vivem. Ele me levaria ao bairro onde moro, pararia na porta do super onde faço minhas compras. A senhora quer que eu a acompanhe? Não, obrigada, eu vou sozinha. Acho que não corro perigo. Eu então arranharia meus sapatos de pelica no chão bruto de cimento, olharia as prateleiras quase vazias, os produtos desalinhados, as latas sujas, amassadas, verificaria os preços e perguntaria indignada: do que essa gente reclama?
Queria olhar minha vida como turista e exclamar: que paisagem mais exótica! Olhar as mulheres cansadas, suadas, nervosas, um filho no colo, outro no carrinho, cascudo na cabeça do mais velho que tem mania de abrir coisas que ela não pode comprar. Na fila do caixa, ela faz as contas de cabeça e tira metade do que pretendia levar. Depois chama o supervisor e esfrega o jornal na cara dele: não era isso que estava escrito no anúncio. Ele destrava a máquina registradora e deleta os trinta centavos da margarina.
Era nessas coisas que eu pensava quando caí desmaiada aos pés da mulher que eu queria ser. Acordei com um monte de gente me abanando e um segurança revirando minha bolsa atrás de documento. Eu não conseguia responder às perguntas que me faziam. Não lembrava meu nome, o endereço, o que estava fazendo ali. Quando melhorei, eles me deram um copo de água e se ofereceram para me levar até o ponto de ônibus. Agradeci e fui andando devagar, com a cabeça ainda zonza. Lá fora já era noite. As buzinas atordoavam meus ouvidos. O trânsito estava o inferno de sempre. O ventinho frio me fazia bem. Aos poucos fui lembrando do Cido, dos meninos, que devem estar sozinhos em casa. A essa hora o Cido já saiu pro trabalho. Durante a semana a gente mal se vê. Lembrei de tudo. Só não lembrei o que eu tinha ido fazer naquele supermercado de grã-fino.