DE VOLTA PRA CASA

By doidivana

Vai ser impossível esquecer esses dias em São Francisco Xavier. Três dias sem um senão. Minto. O único senão foi o horário das oficinas: 9 da manhã. A van passava às 8 e meia na pousada pra nos apanhar. Acordar nesse horário depois de uma noite de vinho, amigos, bares, friozinho, show e muita comida boa, foi dose.
Marcelino pediu pessoalmente para o secretário João Sayad no próximo ano passar as oficinas para o período da tarde. 
As mesas foram excelente, mediadas pelo Cunha Jr, que desempenha muito bem essa função. Ele deu um ar de informalidade aos debates e deixou todo mundo à vontade. Aliás, o Cunha Jr é tão simpático quanto parece na TV. Ele foi na nossa van pra lá.  
Mal chegamos e já fomos dar a primeira aula. Antes da aula, André Sturm, organizador do festival, passou pelas classes e deu boas-vindas aos oficineiros.
Esse foi um must desse Festival. Eles fizeram um concurso através de escolha de frases e levaram trinta professores (se bem que na minha classe tinha trinta e oito) da rede pública, trinta alunos (oficina do Marcelino) e trinta funcionários de bibliotecas municipais (oficina da Alice) do Estado de São Paulo para assistir ao Festival e fazer as oficinas, com todas as despesas pagas. Totalmente demais. 
Depois da aula, coquetel, claro, e abertura dos trabalhos com falas (curtíssimas) das autoridades. E balada. 
No dia seguinte, acordar cedo e pegar no batente.
Como a minha oficina não era de criação, mas de incentivo à leitura, eu levei 35 livros de escritores brasileiros contemporâneos (fora Machado, Lygia, Clarice e Guimarães) e dei pra eles lerem e comentarem. Eles ficavam com o livro de um dia para o outro. Eu, morta de medo de que meus livros sumissem. No dia seguinte, eles trocaram os livros entre si, e levaram outro pra ler. Nessa brincadeira, dois livros ficaram por lá: o do Rodrigo Lacerda, Vista do Rio, e o da Andréa del Fuego, Minto enquanto posso. Mas ainda tenho esperança de recuperá-los.
Amigos escritores, sinto informar-lhes que os professores não conhecem ninguém da literatura contemporânea. Mas agora conhecem! E é isso que importa. Acho que eles vão correndo comprar os livros de todos vocês.
Depois fomos à primeira mesa: Moacyr Scliar, Marçal Aquino e Suzana Amaral. Cinema e Literatura. Primeiro pau. O Scliar falou que diálogo não é literatura. Diálogo é transcrição. Que o bom escritor não escreve diálogos, que isso é coisa de quem quer encher lingüiça, que ele sabe se um livro é bom só de ver a mancha do livro. Se tem muito travessão, ele já sabe que o livro não presta. Pra quê! O primeiro a chiar foi o Mário Prata, depois todo mundo caiu de pau. Por fim o Scliar falou que não era bem assim, claro que tem bons escritores que fazem ótimos diálogos, claro que Nelson Rodrigues é um bom escritor, etc etc. Saíram todos de mãos dadas. Mas foi tenso.
Já no primeiro almoço nosso queixo caiu: como come-se bem naquela cidade! Tem uns restaurantes divinos, com altos chefes no comando. Um melhor do que o outro. Comida contemporânea, italiana, japonesa. De babar. Torrei meus vauchers com muita dignidade.
No mais, aquilo tudo que vocês sabem. Correr dos chatos, ir atrás do pessoal legal, cruzar com Cassiano no meio da rua indo. Pela manhã, tomar café e cruzar com Cassiano vindo.
Tudo ia muito bem, quando ontem à noite, um pouco antes do show da Alice Ruiz começar, casa lotadésima, o Marcelino vira pra mim e diz: a Bruna está aí. Eu gelei. Quem? A Bruna Lombardi. Ela e o Ricelli. Acabaram de entrar. Eles estão com o Marçal. Quando olhei pra porta, lá estavam: Marçal, Lorena, Bruna e Ricelli. Comecei a tremer da cabeça aos pés, pedi uma cerveja e bebi no gargalo. O motivo do meu pânico eu conto depois.

3 Respostas para “DE VOLTA PRA CASA”

  1. léo e só Diz:

    oi Ivana.

    Da próxima vez que aparecer em são francisco, em dia de pouca muvuca, de uma parada em um botequinho na praça central, bem de esquina(tem uma carinha de sujinho).
    é a melhor cerveja da cidade, sempre gelada e justa, e uma cachacinha daqui oh!

    abs

  2. Rosana Kali Diz:

    Olá, Ivana!

    Sou uma apaixonada por literatura, tenho 21 anos e terminei o 2º grau há quatro anos e, de fato, minha paixão pela literatura não vem de incentivo escolar não. Na escola eles nunca citaram um nome de escritor contemporâneo, só vão até os modernos e é muito se chegam até aí. Na realidade, na maior parte das vezes, é ridículo o modo como ensinam literatura nas escolas.
    É muito bom ler os contemporâneos que dialogam muito de perto com a beleza e a feiura do nosso mundo de agora.
    Estou sempre por aqui fazendo uma visita!

  3. Fernanda Diz:

    Oi Ivana, tudo bem? Estou construindo uma comunidade colaborativa para o Festival da Mantiqueira, junto à rede social ning.
    O endereço é: http://dialogosnamantiqueira.ning.com/
    quem sabe você pode participar com a gente e discutir um pouco sobre literatura. Um abraço, Fernanda

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