Coisas da internet: caio num blog com um trecho de um miniconto cuja autoria era a mim designada. Li, reli, reconheci vagamente mas não lembrei. Será que é um texto apócrifo? Será que eu já estou famosa a este ponto? Coloquei um comentário no blog pedindo que a blogueira fizesse o favor de me dar a fonte de onde ela tirou o tal conto. E ela deu. Ela havia tirado do meu blog antigo, de uma série de mini-contos ilustrados que eu tinha lá. Quando vim para o wordpress, deletei todo o conteúdo do zip.net (sim, eu sou capaz de coisas terrríveis quando saio brigada. Já destruí casas inteiras) e acabei perdendo os minicontos. Perdendo não. Eles devem estar em algum lugar do meu computador. Até me animei a procurá-los e colocá-los aqui. Começo por esse que a Bibi teve a delicadeza de colocar no antigo blog dela (ela tem um novo) na esperança de que ele alivie um pouco a tensão dessa sexta-feira ressaquenta, pré Felipe Massa, pré exame de kung-fu da Bebel, pré-Obama.
AMOR QUASE
E por não termos tido coragem de chegarmos perto da verdade, nosso amor continua intacto. Um amor quase morto conservado in vitro por toda a eternidade. Um fóssil que ainda respira, mesmo soterrado. Não nos falamos há tanto tempo e ainda ouço você me chamando de algum canto da casa pra ver uma orquídea que brotou, uma gracinha do cachorro ou uma bobagem na televisão. É o seu coração que escuto quando ponho a cabeça no travesseiro e me cubro de silêncio, um silêncio que abafa a casa inteira. É sua a mão que busco quando ouço aquela música no rádio, aquela que procurávamos feito loucos girando o dial por todas as estações quando voltávamos bêbados pra casa, de madrugada, eu ao volante porque você já não podia. E por não termos tido coragem de chegarmos à verdade, nosso amor vive até hoje numa caixa de vidro, faquir que míngua um pouco a cada dia sem nunca morrer. Um amor condenado a ser quase vivo pra sempre por covardia, inaptidão ou mera falta de empenho.






























