Arquivo de Janeiro, 2009

O SABONETE DAS ESTRELAS

30 Janeiro, 2009

Ainda era noite quando meu pai pegava o caminhão e passava pelos açougues da cidade catando ossos. Ele mesmo ajeitava a carga e só voltava pra casa com a carroceria lotada. Uma montanha de ossos sujos de sangue com pedaços de carne pendurada, ossos recém desossados. De boi. De vaca. Com uma pá, ele colocava os ossos na autoclave e aquilo fervia o dia inteiro. Um fedor dos diabos. Depois da fervura, o caldo grosso e amarronzado era despejado em enormes latões que ficavam a céu aberto para esfriar. Meu pai me levantava no colo para ver a gordura ficando espessa, tomando consistência. Com a carroceria lotada de latões, ele vinha pra São Paulo vender o sebo a uma fábrica de sabonete. O sabonete das estrelas. Lá de longe, quando eu via as estrelas esfregando o sabonete como se fosse coisa muito linda, eu dava risada sozinha. Só eu e meu pai sabíamos o segredo: o sabonete das estrelas era feito de osso sujo de sangue e tinha um fedor desgraçado. De boi. De vaca.

(este conto faz parte do meu livro Ao homem que não me quis, publicado em 2005 pela ed. Agir)

EU SOU ASSIM

28 Janeiro, 2009

Do mesmo jeito que eu AMO, eu ODEIO. Com a mesma intensidade. Um dia é paixão absoluta, no outro eu tomo um nojo que não posso mais olhar na cara. Outro dia, zapeando a TV, eu passei por um troço indecifrável, vergonhoso e abominável chamado BBB. Céus, deu vontade de vomitar. Ai de quem disser que eu perdi mais de cinco minutos com essa bosta algum dia da minha vida. Never! O que você tá dizendo? Que eu não só assisti como paguei pay-per-view nas OITO edições passadas? Você bebeu, cheirou, fumou ou o quê? Cala tua boca ou eu te processo por calúnia e difamação.

PING PONG LITERO-POLÍTICO

28 Janeiro, 2009

No blog do Rinaldo de Fernandes escritores respondem em poucas linhas a 3 perguntas sobre Obama, discurso do Obama e novos tempos. Virão? Veremos.

I LUV NY

27 Janeiro, 2009

Eu tenho paixão por Nova Iorque. Se tivesse coragem de viajar sozinha, ia pra lá todo ano. Uma vez eu passei três meses na cidade maravilhosa. Nos meus longínquos 18 aninhos. Estávamos em 1969. Eu terminava o curso Normal, no Colégio Meira, e fazia cursinho para arquitetura, no Anglo. Meu pai ia me dar um carro pelos meus 18 anos. Num ato de extrema ousadia, eu cheguei pra ele e disse: em vez do carro eu quero uma viagem para Nova Iorque. O Bosco, irmão dele, médico, morava lá, em Queens, e trabalhava no Mont Sinai em Manhatann. Ele e a Regina, sua mulher, eram um casal bem jovem, bacanas, eu ficaria na casa deles. Negócio fechado. O vestibular eu prestaria no próximo ano. Afinal, nesse eu não tinha a menor chance. Uma normalista do Meira não entraria na FAU assim, de primeira. Fechei minhas notas e me mandei. Nem participei da formatura. Fiquei lá de 16 de novembro de 69 a 16 de fevereiro de 1970. Vi NY enfeitada para o Natal, as vitrines, a neve. Ia muito ao Metropolitan, ao Guggenheim, ao Central Park. Andava de metrô sozinha. Conheci Washington, Boston e outras cidades por ali. Andei pela 5a. avenida, fiz comprinhas, fui a cinema, teatro, vi televisão. Até um curso de pintura eu fiz enquanto estive lá. O Bosco e a Regina sempre foram ligados em cultura e arte da melhor qualidade. Sorte a minha. Não perdi tempo com passeios turísticos babacas. Nem a Estátua da Liberdade eu conheci. Em compensação, o tour cultural foi de babar. Eu me lembro de tudo e a memória é o único registro que eu tenho da viagem. Naquela época a moda eram os malditos slides. Cadê eles? Cadê a minha viagem? Foi-se para sempre. Em compensação, tenho até hoje as cartas que meus amigos me escreviam daqui. Eu encarreguei a Salete de me escrever toda semana contando o final de Redenção, a novela que se estendia por anos e que terminou justo quando eu estava lá. Em Times Square tinha um cartaz gigantesco que o Lennon e a Yoko haviam colocado pedindo o fim da guerra do Vietnã. Certa vez nós passamos por uma construção enorme e o Bosco me disse que ali seriam erguidas duas torres gigantescas que um dia estariam na rota de uns aviões terroristas. Três meses depois eu voltei pra casa, me matriculei de novo no cursinho e retomei a vida. Em 71 entrei na FAU. E ganhei um carro! Mas aí era por ter entrado na faculdade. Infelizmente, nunca mais voltei a Nova Iorque, o que pretendo fazer muitas vezes ainda nessa vida. Mas por que eu falei tudo isso? Ah, sim, era só pra dar a dica de um ótimo site sobre NY.

PARA OS AMANTES DO BEL CANTO

26 Janeiro, 2009

Conforme noticiado hoje na Folha de São Paulo, a partir de 1 de feveireiro os cinemas com exibição digital de São Paulo (e mais vinte cidades brasileiras) exibirão seis montagens do Metropolitan Opera.  Se Maomé não vai à montanha…

 Anote a programação.
01.02 – La Rondine
15.02 – Ofeu e Eurídice
01.03 – Lucia Di Lammermoor
22.03 – Mme. Butterfly
05.04 – La Sonnambula
24.05 – La Cenerentola

Ainda não sei as salas nem os horários de exibição, mas deve sair tudo diretinho no site MovieMobz, um site super bacana sobre filmes e cinemas.

A VIA LÁCTEA

25 Janeiro, 2009

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Eu acabei não falando aqui, mas sempre é tempo. Conforme anunciei, na 4a. feira eu fui a um bate-papo no SESC Ipiranga onde assisti ao filme Via Láctea, de Lina Chamie. Adorei. Eu não conhecia nada da Lina (vou correndo atrás de Tônica dominante, seu outro filme). Ela é uma diretora sensível, inteligente que junta maravilhosamente bem poesia, teatro e cinema numa fotografia impecável e um roteiro (dela também) de cair o queixo. E ainda tem Marco Ricca e Alice Braga em grandes atuações. Pela lista dos prêmios no site do filme - Mostra Internacional de São Paulo, em 2007, Cannes, etc etc - você tem uma idéia que a coisa séria. O filme começa manero, você pensa que se trata de uma história de amor como tantas, mas o bicho vai pegando e o final é absolutamente surpreendente. Não deixe de ver.

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Lina Chamie

E não deixe de prestigiar os eventos do SESC Ipiranga, que tem à frente a simpaticíssima batalhadora corintiana incansável Mônica Calmon. É tanta coisa boa que acontece lá… Mantenha-se informado.

O AMAZONAS NA BELA VISTA

25 Janeiro, 2009

 

Se você quer conhecer as delícias da comida do norte do Brasil não deixe de ir ao Amazônia, na rua Rui Barbosa, 206, na Bela Vista, entre a Manoel Dutra e a Cons. Carrão. Por R$ 42,00 você come e repete quantas vezes quiser: caruru (quiabo com camarões seco), vatapá (super suave, quase sem dendê, maravilhoso), peixada de filhote (um peixe que simplesmente derrete na boca), caranguejada (esse vai ficar pra próxima porque eu não aguentava mais), arroz de jambu, pato no tucupi (sensacional) e a famosa maniçoba que eu finalmente tive o prazer de experimentar (uma feijoada com caldo de mandioca-brava no lugar do feijão). Um restaurante sem frescura onde você é recebido como rei pelo simpaticíssimo Paulo Leite. Vale a pena, eu recomendo. Zezé e Felipe, lembrei muito de vocês enquanto minha língua tremelicava. É só combinar que eu vou de novo.

DELÍCIA PURA

23 Janeiro, 2009

cinco atores de seriados americanos formaram uma banda e gravaram um DVD para arrecadar fundos para uma campanha. Adivinha quem é a estrela da banda

IRMÃS DE PRATO

22 Janeiro, 2009

Minha querida amiga Livia Garcia-Roza, escritora maravilhosa que mora no Rio de Janeiro, pouco antes do Natal perdeu sua mãe, Acácia Brazil, aos 87 anos. Acácia foi uma das maiores harpistas do Brasil. Filha do médico e cientista Vital Brazil (esse do Butantã, de quem a Livia é neta). Acácia foi professora de gerações de harpistas, jurada internacional e contribuiu muitíssimo para a divulgação do instrumento no Brasil. Pois bem, no post da festa de 80 anos da minha mãe, a Livia viu a coleção de pratos na parede e, aproveitando que estava desmanchando a casa da mãe dela, que também tinha muitos pratos, enviou um da dona Acácia para a dona Inês. O prato chegou hoje com um lindo cartão. Como minha mãe mora em Lins e só vem pra cá no próximo mês, eu telefonei e pedi que ela fosse na casa de uma prima ver o presente da Livia pela internet. Eu e a Livia agora, além de grandes amigas, somos irmãs de prato já que um prato da casa da mãe dela, no Rio de Janeiro, foi parar em Lins, na casa da minha mãe.

 

prato2

prato3

prato1

cartao

acacia

Acácia Brazil

livia1

Livia Garcia-Roza

MAYSA DE VERDADE

22 Janeiro, 2009

Hoje às 22h10 a TV Cultura vai exibir Maysa, estudos – um programa incrível, gravado em 75 (dois anos antes de sua morte). A coisa rola tipo Ensaio. Maysa em super closes respondendo perguntas do Abujamra (em off), cantando, falando e bebendo. No final ela está descalça, descabelada, sentada no chão porque mal se aguenta em pé. É porrada. Eu já vi algumas vezes. Pra quem queria dona Maysa de verdade, melhor não poderia ser. Hoje faz 32 anos que ela se foi.

do site da TV Cultura:

A TV Cultura homenageia a cantora Maysa e leva ao ar o último programa de TV que contou com a participação da estrela da música brasileira. Produzido por Antônio Abujamra e Dorival Dellias, em 1975, “Maysa Estudos” foi remasterizado recentemente e será exibido no mesmo dia em que se completam 32 anos da morte da cantora.   

Nesta produção, Maysa fala sobre sua vida, amores, fuga, processo de criação e carreira. Ela também canta a capela ao lado de um dos maiores músicos do Brasil, Paulo Moura. Ainda jovem, ele já era o gênio do saxofone e clarinete que o tempo consagrou.

Antônio Abujamra se recorda que, durante o programa, Maysa, apaixonada por Edith Piaf, ficava ouvindo num minúsculo gravador a cantora francesa. Além disso, segundo Abujamra, ao final do programa, Maysa estava completamente bêbada e caiu no centro do estúdio, fora do cenário. “Quiseram levá-la, mas eu disse que não. Mudei a luz na hora, os cabos das câmeras todos aparecendo”, relembra.

Quanto à exibição do programa na década de 70, Abujamra conta que “Helena Silveira, uma escritora maravilhosa que era crítica na época, considerou o melhor programa do ano e disse que era um corpo a corpo sensacional entre eu e Maysa, e que o empate fez com que ganhássemos o prêmio de melhor do ano”.

Durante o programa, Maysa canta músicas de Tom Jobim, Vinícius de Moraes, além, é claro, de suas composições que marcaram época. No repertório, Preciso Aprender a Ser Só; Meu Mundo Caiu; Por Causa de Você; Se Todos Fossem Iguais a Você; Ouça; Dindi; Resposta; Chão de Estrelas; e Ne Me Quitte Pas.


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