A VERDADEIRA TRAGÉDIA

Jamais esquecerei aquele 11 de setembro. Quando acordei, estranhei que Hugo ainda estivesse em casa. Normalmente, ele já teria tomado banho, feito o café e saído para o trabalho. Mas não, ainda estava lá, sentado na sala, de camisa esporte.
- Precisamos conversar – ele disse.
- Fala – respondi com a boca seca.
- Eu estou indo embora.
Sem querer ouvir o resto, levantei-me e fui à cozinha. Debrucei-me sobre a pia com o corpo tremendo. Pensei em pegar uma faca.
- A chave está na mesinha – ele disse lá da sala.
Foi a última vez que ouvi sua voz. Soube depois que, nesse mesmo dia, aconteceu um acidente terrível em Tóquio ou Nova Iorque. Um avião egípcio bateu numa torre e derrubou uma antena de televisão. Não sei direito como foi a tragédia, mas duvido que tenha sido pior do que a minha.

(conto publicado no meu livro Ao homem que não me quis)

8 Respostas para “A VERDADEIRA TRAGÉDIA”

  1. Laura_Diz Diz:

    Bonito- forte e intenso.
    Abs Laura

  2. CLUBE GEO - Antônio Padilha de Carvalho Diz:

    Querida Doidivana,

    seu trabalho literário é de extrema qualidade! parabéns!

    Tomamos a liberdade e já postamos no nosso blog: http://www.clubegeo.blogspot.com.

    Seja uma das nossas seguidoras. Ficarem,os deveras satisfeitos.

    Abraços Cuiabanos!

    Antônio Padilha de Carvalho – Presidente do CLUBE GEO

  3. Suka Diz:

    Sempre venho aqui ler as coisas que escreve. Adoro esse jeito!
    Sempre leio, apenas, porque comentar por comentar, dizer bobagens ou o óbvio, não!
    Mas dessa vez foi diferente. Não que tenha algo inteligente pra dizer, exceto que me deu uma vontade doida de ler esse livro!

    Beijo grande!

    • doidivana Diz:

      Suka, quer coisa mais inteligente que isso, “me deu uma vontade doida de ler esse livro”? hahahaha
      beijinho

  4. Essa mulher é um terror! « MIOPIA Diz:

    [...] A VERDADEIRA TRAGÉDIA Jamais esquecerei aquele 11 de setembro. Quando acordei, estranhei que Hugo ainda estivesse em casa. Normalmente, ele já teria tomado banho, feito o café e saído para o trabalho. Mas não, ainda estava lá, sentado na sala, de camisa esporte. – Precisamos conversar – ele disse. – Fala – respondi com a boca seca. – Eu estou indo embora. Sem querer ouvir o resto, levantei-me e fui à cozinha. Debrucei-me sobre a pia com o corpo tremendo. Pensei em pegar uma faca. – A chave está na mesinha – ele disse lá da sala. Foi a última vez que ouvi sua voz. Soube depois que, nesse mesmo dia, aconteceu um acidente terrível em Tóquio ou Nova Iorque. Um avião egípcio bateu numa torre e derrubou uma antena de televisão. Não sei direito como foi a tragédia, mas duvido que tenha sido pior do que a minha. [...]

  5. ligia pin Diz:

    Menina… se você soubesse como eu adooouuuro esse livro!
    ;o)

  6. doidivana Diz:

    Vera do céu!!!!!!!!! Meus sais, por favor. Ganhei o dia, o mês, a VIDA!
    beijão

  7. vera azevedo Diz:

    Ai meu Deus, como é que vc pode escrever tão bonito!
    Pra mim vc fica de um lado e do outro a Adelia Prado, fazend pendant… sabe como é?
    Nem sei mais o que escrever. Não precisa.
    Abraço e bom final de semana!

Deixar um comentário

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Modificar )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Modificar )

Connecting to %s


Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Join 72 other followers