Arquivo de Abril, 2009

MICHEL LAUB SUBIU NO TELHADO

14 Abril, 2009

Esqueçam tudo que vocês leram do Michel até agora. Aquele escritor terno que escrevia belas memórias de adolescentes apaixonados flagrados no primeiro susto com a dura e cruel realidade da vida, morreu. O gato diz adeus (seu romance recém-saído do forno) é um livro adulto, enigmático, sobre as relações pornográficas, promíscuas e doentias de um triângulo amoroso formado por um escritor quarentão, uma atriz biruta e um aluno do tal professor, a quem o professor entrega sua mulher. A coisa é complicada, metalinguística. A história é narrada pela voz de cada um, além de inserções de “reportagens” sobre o livro, “entrevistas” com o autor, etc. No final, a título de explicação, Michel coloca umas notas que só conseguem confundir ainda mais (onde a referência a Amós Oz? Será que foi uma piada? Com Michel a gente nunca sabe)

Eu que nunca tive paciência para esses romances escritos como um quebra-cabeça – frase de Andreia, personagem que surge quase no fim do livro, que eu assino embaixo. Resisti a princípio. Fui arrastada.

Se ler livro de amigo já é difícil (você passa um tempo imenso tentando esquecer a voz do amigo, tentando não reconhecer episódios, ligar fulano a cicrano. Acreditem, é uma bosta), imagina esse que é um verdadeiro puzzle.
Tive que ler duas vezes.

O livro é bom. Sério. Eu só me assustei porque não estava preparada. Não pelo tema, mas pela escolha estética, pelo rigor formal tão asséptico, cirúrgico, cerebral. Juro que não vou fazer comparações com o Michel antigo nem chorar sobre o leite derramado, até porque esse já é outro livro… A verdade é que, do meio pro fim, a história te pega e você se vê tomado por um frenesi incontrolável para destrinchar aquele imbroglio.

O livro é muito bom. Sério. Coisa de profissa. A ruptura é que foi muito radical. Fico torcendo pra que o “novo” Michel não abandone o “velho” e caminhe com ele de mãos dadas daqui pra frente. Mas isso é tarefa pra uma vida inteira. Não vamos apressar o rapaz.

Bravo, Michelet!

QUE PENINHA

14 Abril, 2009

E não é que o Rogério Ceni foi quebrar o pé justo agora? 
Meus sentimentos aos são paulinos. Imagina a falta que não faz um bom goleiro nesta altura do campeonato. Sorte que não é nada grave. Quatro meses de molho e ele volta a brilhar nos gramados. Passa rapidinho.

ESCRITORES FANTASMAS

12 Abril, 2009

Reproduzo abaixo (com grifos, negritos e outros pitacos) trechos do excelente artigo publicado hoje na Folha de São Paulo, onde a ficcionista norte-americana Cynthia Ozick fala sobre a diferença entre fama e reconhecimento no meio literário.

A invisibilidade dos escritores tem pouco ou nada a ver com a fama, assim como a fama tem pouco ou nada a ver com a literatura. Atores, celebridades e políticos, cuja sede de aclamação pública interminável, boa parte dela forjada, ultrapassa qualquer medida normal, podem alimentar-se intensamente da fama, mas esta sempre é produto da cultura atual: tópica e variável, portanto efêmera. Os escritores são constituídos de maneira diferente. O que os escritores prezam é mais simples, mais quieto e duradouro que a ruidosa fama: é o reconhecimento. A fama, de modo geral, é uma categoria própria dos contadores, sendo contabilizada em vendas. Já o reconhecimento, calado e inerente ao silêncio da página, é uma categoria pertencente aos leitores: sua invisibilidade é sua riqueza. E o próprio reconhecimento pode ser frágil, uma luz muito facilmente obscurecida.

Os escritores são o que são genuinamente somente quando estão trabalhando na cela silenciosa e instintiva da solidão fantasmagórica – nunca quando estão ali fora, diligentemente batendo papo no terraço  na Mercearia.

(Segundo Henry James): “Trabalhamos no escuro, fazemos o que podemos, damos o que temos. Nossa dúvida é nossa paixão, e nossa paixão é nossa tarefa (…). O resto é a loucura da arte”. A loucura da arte? Talvez. Mas é mais provável que seja a lógica da invisibilidade”.

“Qual é o verdadeiro significado da “loucura da arte”? Arremedo, impostura, falsificação, faz-de-conta – mas não o verdadeiro arremedo, impostura, falsificação ou faz-de-conta do contador de histórias inventivo, que transporta seu leitor. Não: a arte, em lugar disso, enlouquece quando busca o rosto falso da distração desejosa”.

“A loucura da arte – e, mais uma vez, contradigo Henry James de bom grado – não está na arte, mas na multidão insensata e alucinante, em que toda espécie de visibilidades se acotovelam, enquanto os fantasmas se sentam sozinhos diante de suas mesas e escrevem e escrevem e escrevem – como se disso dependesse a necessária transparência de suas almas“.

“O escritor fraudulento é aquele que é visível, que busca a multidão, que fala para a multidão, aquele que sai para jantar com você com um objetivo em vista ou que fica parado conversando com você ou que discute hábitos mútuos de escritor com você ou que troca fofocas com você sobre outros romancistas e sua boa sorte invejável ou seu azar gratificante”. (ai, ai, ai)

O BACALHAU DA DONA NORMA

10 Abril, 2009

Na sexta-feira santa é dia de ir ao Belém comer o bacalhau da dona Norma, a outra avó da Bebel.

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Bebel e seu único primo, João Pedro

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tia Célia contando o medo que passou nas montanhas russas de Orlando

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Patrícia, a mãe do João Pedro

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João Luiz, tio da Bebel, pai do João Pedro

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Êi-lo!

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Bebel com o presente que ganhou da vó.

sobremesa

As sobremesas

manjar

Olha esse manjar com damasco!

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Alê acordando do soninho depois do almoço

NONÔ, 84; KIM, 56

10 Abril, 2009

Meu pai e o Kim, meu cunhado, fazem aniversário no mesmo dia. Por conta do caos que virou esta cidade ontem, desistimos da Montechiaro e fomos a uma cantina mais próxima, a Giggio, na rua dos Pinheiros. Comida legal, lugar gostoso e preço melhor ainda. Recomendo.

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geral

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Maria Inês com um pouco mais de entusiasmo.

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O problema é que ela não bebe.

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Tia, será que pelo menos UMA vez na vida você pode colocar mais fotos minhas do que da Bebel no seu post?

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Ana Laura, querida, desista. O primeiro lugar será sempre meu. E repare que minhas fotos são sempre um pouquinho maiores.

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Ana Laura me prometeu que vai parar de fumar este ano.

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bebel

kinzinho

Kinzinho chegou tarde mas a tempo de matar o que não tínhamos conseguido comer. As porções do Giggio são GIGANTESCAS!

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São paulinos felizes (só até domingo).

bolo

Pro vovô Nonô nada. Tudo. Pro tio Kim nada. Tudo.

FABIANÍSSIMA

9 Abril, 2009

Neste final de semana, minha amiga Fabiana Cozza se apresenta no Auditório Ibirapuera no show Fabianíssima: Tributo a Elizeth Cardoso, onde ela canta o repertório e presta uma justíssima homenagem à Divina, com a participação do mestre Luizinho Sete Cordas (que também tocou com Elizeth). Imperdível!!

dias 10, 11 e 12 de abril
Sexta e sábado, 21h
Domingo, 19h

Auditório Ibirapuera
Parque do Ibirapuera, portão 2

UMA COISA PUXA A OUTRA

8 Abril, 2009

Amanhã, quinta-feira, às 23h10, vai ao ar pela TV Cultura o programa Letra Livre com a eletrizante entrevista de Marcelino Freire e Lygia Fagundes Telles, sob mediação de Manuel da Costa Pinto. Eu estava na platéia, fiz umas perguntinhas pra eles e até coloquei aqui as fotos dos bastidores, lembram? Não perca!!!

Eu deixarei gravando porque nesse horário estarei na Cantina Montechiaro comemorando e FOTOGRAFANDO o niver do meu pai e do meu cunhado. Outro dia, na Mercearia, o Joca me disse que este blog sem fotos é uma chatice. Foi ele dizer isso e eu me vi curada da SMH que me blogueava há um mês. Ah, sim, SMH é Síndrome Milton Hatoum, aquela que te impede de blogar por medo ou vergonha de estar escrevendo diário de debutante. Mas PASSOU! Com todo respeito, FMH.

Além do Joca, a entrevista do Caetano Veloso na BRAVO! desse mês (onde ele fala maravilhas sobre blogs) também foi um santo remédio.

A entrevista com Chico e Caetano está imperdível. Pra se ter como documento e deixar pros netos. O texto é muito bom, feito por uma pá de gente competente. Como eu só guardo o nome dos meus amigos, sei que o Heitor Ferraz estava nessa. Sortudo.

Nessa mesma BRAVO! tem ainda uma entrevista reportagem com Mário Bortolotto e o teatro da Praça Roosevelt e uma resenha meio pro assustadora sobre o novo romance do meu querido Michel Laub, O gato diz adeus, que deve sair em breve.

SPOILER DO HOUSE

8 Abril, 2009

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Pra quem não está acostumado ao jargão, explico que esta palavra significa que vou contar algo que ainda não passou na TV. Você continua lendo se quiser. Pois bem, para minha tristeza, a 5a. temporada está nos seus estertores. Ontem foi ao ar (nos EUA) o vigésimo episódio. Faltam só quatro pra terminar a temporada. Como eu frequento todas as comunidades do House e baixo os episódios no dia seguinte, ontem eu fiquei tristíssima com a morte do Kutner. Sim, o queridíssimo Dr. Kutner morre. Tudo bem, não vou dizer como. Eis que hoje abro o jornal e vejo que Kal Penn, o ator, saiu da série porque vai trabalhar na Casa Branca “como um dos diretores do Departamento de Relações Públicas da Presidência, atuando junto a grupos de entretenimento do país”. Amenizou minha dor. Quem sabe o House não chegue à presidência.

Por falar em House, na Playboy deste mês (abril) tem uma entrevista super legal com Hugh Laurie. O cara é muito House. Veja um trechinho onde ele fala sobre humor:
Ele (House) tem prazer com as palavras, com boas piadas. Acredita, assim como eu, no poder do humor. Em um mundo de morte e sofrimento, onde as pessoas estão morrendo ao redor dele, onde o destino é muitas vezes cruel ao invés de ser gentil, o humor é a única resposta satisfatória para a existência.

CHIQUINHO VAI AO CONFESSIONÁRIO

7 Abril, 2009

Eu disse que estava cheia de literatura mas não resisti ao Leite Derramado, do Chico Buarque. Tenho todos os livros dele e não tinha conseguido chegar ao fim de nenhum! Detestei todos. Esse não. É um bom livro. 
Eu adoro quando esses meninos ricos e bonitos resolvem expurgar os seus demônios. A sinceridade d’alma, além de ser comovente, é um excelente ingrediente para a boa arte. A cada página, era incontrolável a lembrança e a comparação com Santiago, o maravilhoso filme de João Moreira Salles.
Como pesa nas costas desses meninos ter nascido bem, ter sido criado com toalhas de renda valenciana, babás de enormes tetas, mordomos que falam francês, chofeurs, mucamas, negrinhas pra trepar, etc etc etc.  
Gostei do livro. É sincero. Me alegra ver que o Chico desistiu da empreitada de ser um escritor genial, de vanguarda, cabeçal e passou a contentar-se com a reles tarefa de ser um BELO escritor que conta uma bela história com belas palavras, belas imagens. Tudo dentro da mais pacata normalidade.
Prefiro mil vezes este Chico que vai na cola de Machado (a similaridade da história com Dom Casmurro é uma homenagem? Uma metáfora?) do que aquele que queria ser Rubem Fonseca, Becket ou sei lá quem.
Se ele continuar nesse caminho, teremos muito o que conversar.

O DERRAME DE SABEDORIA E O BODE DE LITERATURA

4 Abril, 2009

Segundo Jull Bolte Taylor, autora do livro “A cientista que curou seu próprio cérebro“ (falo dele mais abaixo), nós não somos criaturas pensantes que sentem, mas criaturas sensíveis que pensam. A hemorragia que ela teve do lado esquerdo do cérebro fez com que o lado sensível (o direito) tomasse conta do pedaço. O direito é o não-racional, não-lógico, o da inteiração com o universo, o que vê o todo e não as partes, o que não julga, não analisa, etc. Conclusão, ela ficou totalmente zen. No nirvana total. E quem disse que ela queria sair dali?

Uma coisa interessante é ver o espírito da cientista em ação: logo no começo, quando ela percebe o que é aquela sensação esquisita e a dor aguda de cabeça atrás do olho esquerdo, ela vibra: “Uau! Isso é um derrame!”.

Eu adorei o livro. Ele tem muito de auto-ajuda, celebrar a vida, ver o lado bom das coisas, conjunção com o universo, paz e amor etc etc etc, mas vai saber se o segredo não é isso mesmo. Tudo que ela passou está documentado na Harvard Medical School, onde ela dá aulas e faz suas pesquisas. A mulher é uma cientista conhecida e respeitada. Mesmo assim eu gostaria de ouvir a opinião de alguém mais duro, mais cético. Sei lá, às vezes a coisa parece meio fantasiosa. Não à toa, ela chama o derrame dela de “derrame de sabedoria”. Você termina o livro louco pra ter um. É a melhor coisa que pode acontecer na vida de uma pessoa! 

No bode que eu tô de ficção e literatura, não podia ter lido nada melhor. O próximo vai ser “O ciclo da auto-sabotagem“, de um psicanalista que estudou a fundo a questão. Depois vou pra física quântica.  Chega de história.

Aqui uma palestra da dra. Jill. Aqui uma entrevista.

Será que ela é amiga do House?


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