Arquivo de Maio, 2009

CANDIDATOS À MILIONÁRIO

31 Maio, 2009

Acabo de ler a lista dos dez finalistas ao prêmio São Paulo de literatura, aquele que dá 200 mil reais ao vencedor. São duas categorias: romance de autor consagrado e romance de autor estreante. Dia 30 de junho sai o nome do vencedor. Veja a lista dos possíveis felizardos.

Melhor Livro do Ano (de 2008):
Carola Saavedra, “Flores azuis” (Companhia das Letras)
João Gilberto Noll, “Acenos e afagos” (Record)
José Saramago, “A viagem do elefante” (Companhia das Letras)
Lívia Garcia-Roza, “Milamor” (Record)
Maria Esther Maciel, “O livro dos nomes” (Companhia das Letras)
Milton Hatoum, “Órfãos do Eldorado” (Companhia das Letras)
Moacyr Scliar, “Manual da paixão solitária” (Companhia das Letras)
Ronaldo Correia de Brito, “Galiléia” (Editora Objetiva)
Silviano Santiago, “Heranças” (Rocco)
Walther Moreira Santos, “O ciclista” (Autêntica Editora)

Melhor Livro do Ano – Autor Estreante (de 2008):
Altair Martins, “A parede no escuro” (Record)
Contardo Calligaris, “O conto do amor” (Companhia das Letras)
Estevão Azevedo, “Nunca o nome do menino” (Editora Terceiro Nome)
Francisco Azevedo,”O Arroz De Palma” (Record)
Javier Arancibia Contreras, “Imóbile” (7 Letras)
Marcus Vinicius de Freitas, “Peixe morto” (Autêntica Editora)
Maria Cecília Gomes dos Reis, “O mundo segundo Laura Ni” Editora 34)
Rinaldo Fernandes, “Rita no pomar” (7 Letras)
Sérgio Guimarães, “Zé, Mizé, Camarada André” (Record)
Vanessa Barbara e Emilio Fraia, “O verão do Chibo” (Editora Objetiva)

Na primeira categoria, estou torcendo descaradamente para minha querida amiga Livia Garcia-Roza com seu Milamor.

MEU NIVER

30 Maio, 2009

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Zezé e Felipe, um dos primeiros a chegar

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Tati e Cabelo

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João Baptista, meu querido amigo desde 1969!!!

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JB e Leandro

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Patrícia e Lucas, seu filho

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Joca e Bel que, milagrosamente, chegaram cedo!

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A Bel dizendo que essa história da gente falar que ela não tem cara de nordestina é puro preconceito.

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Bel em ação

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Andréa filosofando

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Alê veio para o aniversário da “corregedoria” (segundo ele, a Bebel é o Bope e eu a que controla o Bope)

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bebelale

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Xinho, querido amigo

edinho

Edinho

edinhocabelo

eu

eu ganhei duas echarpes e um colar maravilhoso. Coloquei tudo em uso na hora.

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Michel Laub

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Marcelino veio direto de São Carlos, onde estava dando uma oficina

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Dois escritores pensando em qual será a próxima polêmica que os aguarda.

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Marcelino trouxe portacopos lusitanos pra mim

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Rodrigo Levino demorou mas chegou

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Quando eu resolvi pedir um caldinho de feijão

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A Bebel chegou com o bolo

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e eu tomei caldo de feijão com bolo

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Rodrigo Levino pensando se queria um pedaço

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MEU NIVER PARTE 2 – SÓ BOBAGEM

30 Maio, 2009

Sei lá porque alguém trouxe o assunto dedos à mesa, ou melhor, a ponta dos dedos

dedo

e começou a conferência pra ver se os indicadores eram paralelos ou não

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dedo2

Olha isso!

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Andréa

dedoxinho

Xinho

dedoedinho

Edinho

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Eu e Bebel temos pontas juntinhas

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A Patrícia também

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O dedo do Joca não se enquadra em nenhuma categoria

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dedo de escritor que não ama ninguém. Estupra.

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Aí Marcelino começou umas medições esquisitas

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Finalmente, na fila do caixa, o concurso pra ver quem estava com o tênis mais bonito

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sapatos

O Joca malvado pisou em todo mundo e acabou com a brincadeira

ANDRÉ SANT’ANNA BY RONALDO BRESSANE

29 Maio, 2009

Eu queria muito escrever sobre o livro do André Sant’Anna, Inverdades, que eu adorei. Ri pra caramba de tanto susto. É simplesmente genial. Li na ida pro trabalho e terminei na volta. Uma preciosidade. Eu digo brincando (mas é verdade) que o André Sant’Anna é o único autor pós-psico-beat-anarquista-experimental que eu vou até o fim. Mas o Bressane me poupou o trabalho porque tudo que eu queria dizer sobre o André e o livro do André (essa repetição é andrésant’anniana) o Bressa escreveu na sua brilhante resenha. Vai lá ver.

JOCA, NOSSO SUPER VILÃO

29 Maio, 2009

Alguém da Secretaria da Educação comprou o livro “Poesia do Dia – Poetas de Hoje para Leitores de Agora“ (ed. Ática) e distribuiu para alunos das escolas estaduais de uma faixa etária abaixo da recomendada pela editora. Se a Bebel chegasse com esse livro na primeira série em casa, confesso que eu faria um escândalo. Não sou o tipo de mãe que acha que criança pode ler qualquer coisa em qualquer idade. Só que, por mais retrógrada que eu seja, tenho lucidez suficiente pra perceber que OS AUTORES não têm nada a ver com isso. Todo autor sabe que escrever para criancinhas é diferente de escrever para crianças maiores, que é diferente que escrever para adolescentes. Acho sim que existe boa literatura para todas as faixas etárias. E boa literatura não significa literatura encaixotada dentro dos padrões conservadores nem amarrada na camisa de força do politicamente correto. Autores como o Joca fazem isso com o pé na costas. Só que ele precisa saber para quem está escrevendo. Aliás, minto. Ele sabia. O livro é recomendado para crianças de 13, 14 anos.  O encarregado pela compra dos livros na Secretaria é que precisa prestar atenção no que faz. Ou seria o encarregado pela distribuição? Ou seria o motorista do caminhão que fez a entrega na escola errada?

Mais sobre a polêmica,  aqui  

Segue abaixo o maravilhoso poema do Joca e a minha incondicional solidariedade ao querido amigo. E o pior é que ele nem fuma. Será que gosta de maçãs?

MANUAL DE AUTO-AJUDA PARA SUPERVILÕES

Ao nascer, aproveite seu próprio umbigo e estrangule toda a equipe médica.
É melhor não deixar testemunhas.

Não vá se entusiasmar e matar sua mãe.
Até mesmo supervilões precisam ter mães.

Se recuse a mamar no peito. Isso amolece qualquer um.

Não tenha pai. Um supervilão nunca tem pai.

Afogue repetidas vezes seu patinho de borracha na banheira,
assim sua técnica evoluirá.
Não se preocupe. Patos abundam por aí.

Escolha bem seu nome. Maurício, por exemplo.

Ou Malcolm.

Evite desde o início os bem intencionados. Eles são super-chatos.

Deixe os idiotas uivarem. Eles sempre uivam, mesmo quando não
podem mais abrir a boca.

Odeie. Assim, por esporte.
E torça por time nenhum.

Aprenda a cantar samba, rap e jogar dama. Pode ser muito útil na cadeia.
Principalmente brincar de dama.

Ginga e lábia, com ardor. Estômago em lugar de coração,
pedra no rim em vez de alma.

Tome drogas. É sempre aconselhável ver o panorama do alto.

Fale cuspindo. Super-heróis odeiam isso.

Pactos existem para serem quebrados. Mesmo que sejam com o diabo.

Nunca ame ninguém. Estupre.

Execre o amável. Zele pelo abominável.

Seja um pouco efeminado.
Isto sempre funciona com estilistas.

AZEITONA 12

29 Maio, 2009

Eu não sou escritora de pesquisa. Falou em pesquisa eu saio correndo. Pesquisa pra mim acabou na universidade. Hoje minha matéria prima é a imaginação. Tem escritor que para escrever um livro que se passa num hotel na região da Luz até se mudaria pra lá pra ter uma vivência que o aproximasse dos seus personagens; outros iriam pra lá de moleskin em punho e encheriam páginas e páginas com anotações; outros entrevistariam moradores da região, etc. Eu escrevo meus livros do meu quarto, sentada no meu computador, olhando o universo que crio pela janela da imaginação. Mas um dia eu me invoquei e falei: eu vou até lá. Peguei o ônibus Estação da Luz, desci na Praça Princesa Isabel, olhei a estátua do Duque de Caxias por onde a Renata passa tantas vezes, lembrei de como eu achava essa estátua imensa quando era criança e de como ela continua imensa até hoje (coloquei isso no livro), fui até a rua Helvétia, olhei à esquerda, vi um muro alto tomando um quarteirão, pensei: aqui deve ser um colégio. E assim ficou. Nunca fui lá conferir. Virei à direita e fui andando apressada. Era uma manhã de sol. As putas estavam no lugar de sempre, os bêbados e mendigos, idem. Os policiais faziam a ronda garantindo que eu não corria grande perigo. Mesmo assim eu estava desconfortável, aflita. Passei por muitos hotéis e pensões e pensei: tudo bem, é um desses. Segui adiante. Os sacos de lixo tomavam as calçadas, o caminhão logo passaria pra pegá-los. Os mendigos e os cachorros disputavam o pouco de útil que ainda restava ali (isso também acabou indo pro livro). Na próxima esquina, virei de novo à direita, fui até a avenida Rio Branco e entrei no primeiro Pinheiros que passou. Vinte minutos cronometrados foi o que durou a única pesquisa para fins literários que fiz na vida.

28 DE MAIO DE 1951

28 Maio, 2009

jornal

anuncio

nene

niver1

Meu primeiro aniversário

niver2

Meu segundo aniversário

vestidinho

euboneca

Minhas bonecas de louça

lins

santos

Nas férias, minha mãe insistia em me levar pra Santos. Eu odiava sol, odiava praia. Queria ficar em casa lendo gibi.

niver7

Sete anos.

primeiracomunhão

Nunca fui santa.

baile

Naquele tempo as meninas que tinham cabelo crespo eram obrigadas a usar peruca se quisessem ter alguma chance com os rapazes 

palhaço

Minha vocação

 gravida

Minha outra vocação

40

Aos 40 eu era míope mas era gostosa

58

Aos 58 eu não sou mais míope nem gostosa, mas continuo sendo uma pessoa engraçada. O maior dom que Deus me deu.

BLABLABLOGUE

27 Maio, 2009

Este é o nome da antologia organizada por Nelson de Oliveira, da qual eu tenha o alegria de participar. O Nelson selecionou 21 blogueiros de diversas categorias, idades e intenções e colocou posts que ele escolheu para que o leitor veja se textos escritos para o mundo virtual ficam bem na fita quando impressos no papel. Compre o livro e tire suas próprias conclusões. Uma coisa eu digo: sendo o Nelson o organizador, eu garanto o resultado. Os autores estarão distribuindo beijos e autógrafos reais no próximo sábado, dia 30 de maio, a partir das 15h30 na Livraria Martins Fontes da Av. Paulista, 509. Não falte!

BLABLABLOG

 

Os autores:

AUTORES

AZEITONA 11

26 Maio, 2009

Pra encerrar o assunto dos nomes. A dona do Hotel se chama Genésia e é uma mulata gorda e bem humorada que usa uns vestidos com estampas gigantescas. Um jardim ambulante. Seu marido, Leão, é um homem miúdo, abatido, circunspecto que fuma um cigarro atrás do outro. Leão tem lá suas vaidades, uma delas é esconder a careca com uma peruca meio alaranjada que está sempre torta na cabeça. A mulata da escola de samba e o mico-leão dourado formam um casal improvável e se dão muito bem. Genésia vem de gênesis, claro. No Hotel Novo Mundo, sob os cuidados de Genésia, Renata começará tudo de novo. E Leão vem de um Leão que eu conheci ainda menina. Uma prima da minha mãe, tida como solteirona irrecuperável, um dia apareceu dizendo que ia se casar. Casar? Você? Como assim? Todo mundo queria conhecer o Romeu da Julieta, era este o seu nome. Como ele se chama? Leão, ela respondeu envaidecida. Leão? Pois é, valeu a pena esperar. Traga ele aqui pra jantar. À noite, Julieta e Leão chegaram de braço dado, às oito em ponto. O Leão era pequeno para o nome que carregava. Um homem miúdo, de óculos, professor primário. Susto mesmo levamos quando Leão abriu a boca. Um miado. O Leão tinha uma voz fininha, fininha. As crianças saíram pra rir lá fora. Os adultos se seguraram.

AZEITONA 10

25 Maio, 2009

Ainda os nomes. Renata é mulher de César, o grande imperador, o rei da cocada preta, o bom (da era pagã). O romance fala da transição AC - DC. Quando Renata deixa o marido e vem pra São Paulo, ela encontra Divino e passa para uma outra era.


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