Alguém da Secretaria da Educação comprou o livro “Poesia do Dia – Poetas de Hoje para Leitores de Agora“ (ed. Ática) e distribuiu para alunos das escolas estaduais de uma faixa etária abaixo da recomendada pela editora. Se a Bebel chegasse com esse livro na primeira série em casa, confesso que eu faria um escândalo. Não sou o tipo de mãe que acha que criança pode ler qualquer coisa em qualquer idade. Só que, por mais retrógrada que eu seja, tenho lucidez suficiente pra perceber que OS AUTORES não têm nada a ver com isso. Todo autor sabe que escrever para criancinhas é diferente de escrever para crianças maiores, que é diferente que escrever para adolescentes. Acho sim que existe boa literatura para todas as faixas etárias. E boa literatura não significa literatura encaixotada dentro dos padrões conservadores nem amarrada na camisa de força do politicamente correto. Autores como o Joca fazem isso com o pé na costas. Só que ele precisa saber para quem está escrevendo. Aliás, minto. Ele sabia. O livro é recomendado para crianças de 13, 14 anos. O encarregado pela compra dos livros na Secretaria é que precisa prestar atenção no que faz. Ou seria o encarregado pela distribuição? Ou seria o motorista do caminhão que fez a entrega na escola errada?
Mais sobre a polêmica, aqui
Segue abaixo o maravilhoso poema do Joca e a minha incondicional solidariedade ao querido amigo. E o pior é que ele nem fuma. Será que gosta de maçãs?
MANUAL DE AUTO-AJUDA PARA SUPERVILÕES
Ao nascer, aproveite seu próprio umbigo e estrangule toda a equipe médica.
É melhor não deixar testemunhas.
Não vá se entusiasmar e matar sua mãe.
Até mesmo supervilões precisam ter mães.
Se recuse a mamar no peito. Isso amolece qualquer um.
Não tenha pai. Um supervilão nunca tem pai.
Afogue repetidas vezes seu patinho de borracha na banheira,
assim sua técnica evoluirá.
Não se preocupe. Patos abundam por aí.
Escolha bem seu nome. Maurício, por exemplo.
Ou Malcolm.
Evite desde o início os bem intencionados. Eles são super-chatos.
Deixe os idiotas uivarem. Eles sempre uivam, mesmo quando não
podem mais abrir a boca.
Odeie. Assim, por esporte.
E torça por time nenhum.
Aprenda a cantar samba, rap e jogar dama. Pode ser muito útil na cadeia.
Principalmente brincar de dama.
Ginga e lábia, com ardor. Estômago em lugar de coração,
pedra no rim em vez de alma.
Tome drogas. É sempre aconselhável ver o panorama do alto.
Fale cuspindo. Super-heróis odeiam isso.
Pactos existem para serem quebrados. Mesmo que sejam com o diabo.
Nunca ame ninguém. Estupre.
Execre o amável. Zele pelo abominável.
Seja um pouco efeminado.
Isto sempre funciona com estilistas.
1 Junho, 2009 ás 12:36 pm |
Interessante “manual de sobrevivencia do mondo cane”.
Tambem surrupiei muita literatura “vetada”, na biblioteca do meu pai. Deu no que deu, doa a quem doer.
E se Sophia me mostrasse o texto, eu prometia uma explicacao completa, aos 10 anos de idade. Nem um minuto antes. Pra remediar, Poliana nao iria nada mal.
29 Maio, 2009 ás 12:42 pm |
Quando criança, sempre pegava livros da biblioteca da minha mãe que não eram escritos para crianças. Eu gostava de ler escondida, algumas coisas eu não entendia, outras sim, outras fui obrigada a entender. Em fim, deu no que deu. Agora, este poema é uma delícia, se a Laura chegasse com um livro desses da escola, eu ia ler junto com ela, ia explicar, ia falar que os poetas são assim, não precisa se preocupar tanto assim, Ivana querida.
O problema mesmo é que O Domingão do Faustão está na TV aberta, e nós não podemos fazer nada.
29 Maio, 2009 ás 1:28 pm |
E quem não tem a sorte de ter uma mãe tão legal quanto você, Valentina, se vira sozinho?