Meu querido amigo João Baptista, de quem sou amiga desde 1969, quando nos preparávamos pro vestibular da FAU, fez 60 anos e chamou seus queridos pra comemorar.

a prancheta do artista plástico, desenhista, professor e arquiteto

sou sempre a primeira a chegar

O aniversariante ainda estava no banho. Carlos me recebeu e fez as honras da casa. E que honra!

A carta de vinhos da festa foi de babar, graças ao fato do Carlos trabalhar numa importadora (esq. da Tietê com Bela Cintra, recomendo muito!). Quando eu cheguei e ele me mostrou as possibilidades, eu fui clara: não entendo nada de vinho e quero um que não pegue na língua. Vocês sabem que eu sou cervejeira de quatro costados.

E ele me deu esse australiano que é o MELHOR vinho que eu tomei na vida. Adorei! Dos australianos, fomos para os franceses, italianos, espumante espanhol e por aí foi. Claro que eu tomei todos. No final, quando eu já estava me despedindo, eles lamentaram que tinha 3 dúzias de cerveja na geladeira e ninguém bebeu. Eu dei um berro. “Você não me disse que tinha cerveja!”. Graças a Deus, senão eu não teria provado as maravilhas que provei.

O aniversariante


Leandro, com uma camisa que eu pensei que fosse do Botafogo mas é a bandeira da Costa Rica ou Jamaica, não lembro. Conforme esclarecido nos comentários, a bandeira é do Pará.

Carlos e Bluete, que já foi casada com JB

A turma da FAU. Dois Joões

Evany e Marilene

Este é Bruno, filho do João e da Bluete


Esta é a Andrea, mulher do Bruno. Ambos são pais da Clara, que estava na praia e não foi à festa do vô.

Uma estamparia indígena de presente

Um outro australiano








Eu passei a noite tentando lembrar de quem a Andrea é a cara (atriz global) e não consegui. Não tinha uma pessoa na festa que visse televisão. O nome da atriz é Nathália Lage.

Não sei se é esse, mas teve um vinho que foi servido que custa 2.800,00 a garrafa. Nunca bebi nada tão caro.

papai, mamãe e filhinho




Bruno se encarregou do bolo

João concentradíssimo no pedido








pra terminar, deixo aqui uma crônica que eu fiz em 2004, quando escrevia na Revista da Folha, sobre o meu reencontro com JB
JOÃO BATISTA
Essa história eu quero contar lá do começo. Estávamos em 1969 e eu fazia cursinho quando conheci João Batista, um rapaz loiro, de olhos azuis e cabelos encaracolados. Ele se tornou meu melhor amigo e nós dois queríamos ser arquitetos. JB perdia horas – e muitas vezes a paciência – me ensinando física e matemática. Eu era péssima nas exatas. Foi naquele ano que descobrimos a vida, o mundo, as artes.
Em 70, ele entrou na FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP), onde eu só entraria no ano seguinte. Depois de um tempo acabei abandonando o curso. A partir daí, nossas vidas tomaram rumos diferentes. JB se formou e nunca mais nos vimos. Ele virou um botom espetado na memória, uma doce lembrança dos tempos de paz e amor.
Roda a fita. Na última Bienal do Livro, a Bebel trabalhou com um rapaz muito gracinha que me disse que o pai era arquiteto.
- Ah é? E como ele se chama?
Era o próprio! Fiz um escândalo tão grande que as crianças morreram de vergonha. Mandei uma mensagem por todas as vias de acesso: telefone, celular, endereço, e-mail. Não demorou e JB me ligou. Cara, que alegria!
Roda mais um pouco. Às 18h, eu já estava de banho tomado, com o jantar pronto e a mesa posta, achando que JB tinha desistido. Ele chegou às 20h, como havíamos combinado. Nos apertamos num abraço cego de emoção. Ele sentou à minha frente, abrimos uma cerveja e só então percebi que os cachinhos não existiam mais. O cabelo estava grisalho, o olhar de um azul mais profundo, o nariz parece que aumentou, mas o sorriso era o mesmo. Sorriso não envelhece.
Eu olhava o rosto do meu amigo procurando nele o da menina que fui um dia. Eu nem tinha notado que envelhecera tanto. O papo engrenou de tal forma que parecia que tínhamos nos visto na semana passada. Na verdade, nunca estivemos tão próximos como naquela noite. Tem encontros que estão marcados para mais tarde.
À meia-noite começamos a bocejar (antigamente varávamos noites). Na despedida, prometemos não nos perdermos mais.
Quando a Bebel chegou, quis saber tudo em detalhes. Quase tive um piripaque quando ela, depois de ouvir meu relato, fez uma única pergunta:
- Mas e aí, mãe, rolou?