Não sei o que você sente quando escuta alguém dizendo: “eu não me arrependo de nada que fiz”. Eu fico com um baita complexo de inferioridade. Pra piorar, essa frase sempre precede outras do tipo: “só me arrependo do que não fiz”, ou “eu faria tudo de novo”.
Não dão inveja essas pessoas que só tomaram decisões acertadas na vida, fizeram sempre as melhores escolhas, andaram sempre pelo caminho das pedras?
Por acaso é feio reconhecer as nossas cabeçadas do passado? Qual o problema de olhar pra trás e, lembrando certos episódios, dizer: isto eu não faria jamais.
Aí tem sempre alguém que diz: “mas tudo valeu como experiência”. OK, tudo vale como experiência, mas nem todas as experiências valem a pena.
Vai me dizer que todo mundo casou com a pessoa certa, escolheu a profissão certa, ganha o salário que merece, leva a vida do jeito que gostaria que a vida fosse?
Não que eu seja uma Madalena arrependida, mas é longa a lista das coisas das quais eu me arrependo e que não faria de novo, never!
Paguei muita conta pra vagabundo, beijei boca de quem não devia, me entreguei de corpo e alma a quem não merecia, confiei meus segredos a quem não soube guardá-los, desisti antes da hora, fiquei além do tempo, acreditei em cada bobagem, não aceitei aquele buquê de flores.
No campo profissional, então, foi um desacerto atrás do outro. Nunca ganhei o pão com alegria. O trabalho, pra mim, foi sempre sacrifício. A literatura, paixão da minha vida inteira, não me sustenta (por enquanto).
Por isso tudo, me falta coragem pra posar de bacana e dizer que tudo valeu a pena porque a alma não era pequena (arghhhh).
Até porque, muitas das escolhas que fazemos são feitas quando ainda nem sabemos direito quem somos. É difícil acertar com tanta antecedência. Quando sacamos qual é a nossa, já era.
Por sorte, as coisas sempre têm conserto. Se não é possível trocar de embarcação, o rumo do trajeto pode ser mudado a qualquer instante. O leme está sob nosso comando.
Na minha opinião, reconhecer os erros do passado, longe de ser uma vergonha, é a única garantia de um futuro feliz.
7 Junho, 2010 ás 11:03 am |
Oi Ivana!
De vez em quando dou uma passada aqui pra ler as novidades e esta sua crônica me fez lembrar de um poema que escrevi há algum tempo, então lá vai…
Arrependimentos
Sem arrependimentos?
Mentira!
Por tanta coisa voltava atrás
que daria outra vida
e sobrava.
O que tá feito, tá feito?
Verdade!
Mas pudesse ter evitado
tanta bobagem e desperdício,
um passo à frente teria dado.
E nem venha dizendo
que a vida é assim mesmo.
E daí?
Melhor não fosse.
7 Maio, 2010 ás 7:35 pm |
Às vezes me arrependo do que faço, é qdo sinto aquela dor de barriga como um friozinho que diz:vc fez algo errado, é batata, é arrependimento na certa, hoje com 53 anos poderia não ter dado tanta bola pra pessoas erradas, mas na epoca como saber que elas eram as pessoas que não deveriam se relacionar? Errando se acerta, caindo se levanta.Se eu voltasse ao tempo, talvez fizesse tudo igual, então porque me arrepender? Precisaria mudar esta minha personalidade.
Obs.. Estou adorando ler vc, se puder leia meu texto As multifaces de Eva.
5 Maio, 2010 ás 1:13 pm |
[...] Leia mais: Madalena arrependida (via [...]
4 Maio, 2010 ás 6:46 pm |
Escritor bom é assim: depois que se lê, faz a gente parar e pensar: “mas num é que é isso mesmo?”.
Por mais que meu barco viva mudando de rumo, ele sempre passará por aqui.
Bjos
30 Abril, 2010 ás 5:31 pm |
Belo texto, gostei muito =)
E coitado do Fernando Pessoa com o “Tudo vale a pena…”, é usado de cúmplice pra cada bobeira né? haha
=*
30 Abril, 2010 ás 12:21 pm |
Ivana, foi uma delícia “encotrar” vc na internet. No início do mês estava fazendo uma pesquisa sobre roteiros e sei lá como, deparei com o livro Alameda Santos… Aí vasculhei na web tudo a seu respeito, entrevistas, blog, etc. Conclusão: acabei me tornando admiradora da sua obra sem ter lido um único livro, pode??? (só uma semana depois que comprei Alameda Santos) .Tudo o que vc fala: forma, conceitos, visão, dinâmica, lucidez e criatividade para abordar temas do cotidiano, mesclando a picardia e bom humor, na dose certa é realmente “ímpar”! Já estou em plena campanha indicando seus livros para meus amigos que ainda não tiveram o privilégio de conhecer seu trabalho. Algumas perguntinhas: Vc já foi convidada para escrever roteiros? Se fosse, aceitaria? Seu livro já foi sondado para um longa ou seriado? Vc tem aí meu e-mail, se puder manda resposta, ok? Good Vibes, Taniah
30 Abril, 2010 ás 4:17 pm |
Acabei de te mandar um email. Beijos
30 Abril, 2010 ás 9:35 am |
Abaixo a perfeição! Mas pior que se arrepender é a sensação de ter perdido tempo.
30 Abril, 2010 ás 8:50 am |
“o campo profissional, então, foi um desacerto atrás do outro. Nunca ganhei o pão com alegria. O trabalho, pra mim, foi sempre sacrifício.”
Que verdade imensa e dolorida! Como me arrependo de ter fugido do curso de inglês, de ter arriscado outras coisas, não que agora seja o pior, mas longe do sonho é. Qual seria o masculino de Madalena Arrependida?
29 Abril, 2010 ás 9:33 pm |
Adoreiiii! me arrependo de tanta coisa. coisa do meu coraçao entao. hoje estava pensando nisso. se garantiu, como sempre.
29 Abril, 2010 ás 3:41 pm |
Que custa a gente falar “não faria de novo” ou “errei feio”? Acho tão bonito quem diz isso sem pejo.
Pra rimar, fica meu beijo.
Petê
29 Abril, 2010 ás 1:20 pm |
ADOREI!
Bjs.
29 Abril, 2010 ás 11:21 am |
Se arrependimento matasse!…
Mas olho gordo tá comprovado.
29 Abril, 2010 ás 10:31 am |
Seria bom poder sempre ter esse tipo de atitude positiva em relação ao passado, ver tudo como válido, mas seria fingir que algumas lembranças, para mim mais na forma de imagens que de palavras, não pesam terrivelmente ainda hoje. Quando lembro de certas coisas, dá vontade esconder o rosto com as palmas das mãos até tudo ir embora.
29 Abril, 2010 ás 9:55 am |
Vou deixar uma sugestão para outro post: o perdoar a si mesmo.
Sem o perdão dos próprios erros é impossível seguir adiante.
Se eu não perdoo um amigo, ele deixa de ser amigo.
Eu se eu não perdoar a mim mesma, como viver com o peso do erro? Daí começa a auto-sabotagem, as punições veladas… é preciso exercitar esse perdão.
Bjs
Socorro
29 Abril, 2010 ás 8:52 am |
Costumo concordar com quase tudo que leio aqui, mas nem tudo (nem teria graça!). Costumo dizer pros meus botões que não me arrependo de nada que fiz e isso nunca significou que só acertei e sou a rainha da cocada preta, iuhú.
Significa que estou em paz com minhas mancadas e burrices e que reconheço pra mim mesma que naquele determinado momento fiz o que quis ou o melhor que pude, por mais anta que tenha sido. É uma diferença crucial e dá alento.
29 Abril, 2010 ás 8:32 am |
Ivana, acertou em cheio. Sou cheia de coisas que eu digo: faria diferente. Beijão
29 Abril, 2010 ás 12:28 am |
Ivana! Concordo em gênero, número e grau: nem todas as experiências valem a pena!!!! De jeito nenhum! ADOREI a sabedoria da reflexão. Um beijo.
28 Abril, 2010 ás 10:03 pm |
Ivana, adorei!!!! É isso mesmo, acertei em muitas coisas, errei em outras e, em centenas, nunca soube a resposta pq não fui em frente. O meu arrependimento está justamente aí: na falta de perseverança em algumas situações, na falta de coragem e na preguiça em outras.
Na realidade, me arrependo em não ter acreditado mais em mim.
Tb tenho implicância com quem acerta em tudo, compra sp alguma coisa mais barato que vc (no mesmo dia!!!), descobre promoções incríveis com as milhagens (que vc nem sabia!!!), come de tudo e não engorga (que sorte né???), etc. Graças a Deus não acredito mais nessa lenga-lenga, mas não deixo de ficar irritada com essas criaturas “perfeitas”.
Como soube do seu blog? Sou amiga da Pituca!
Mais uma vez, adorei!!! Parabéns
28 Abril, 2010 ás 10:08 pm |
Amiga da Pituca é minha amiga. Ainda mais tendo Isabel no nome, como nossas filhas. Volte sempre. Um beijo
28 Abril, 2010 ás 9:00 pm |
moça, eu me sinto a própria madalena..rs.. tanta coisa arrependida, tantos caminhos diferentes que eu tomaria… e trabalho então ? pra que começar tão cedo, querer ser independente antes da hora… ave maria, que teremos tempo pra tudo, só que quando somos novos, achamos que precisamos lutar contra este tempo, ir na frente, rasgando tudo… hoje, eu iria muito , mas muito mais suave… e arrependimentos, não me faltam!
28 Abril, 2010 ás 7:53 pm |
Ivana!!! estava ensaiando o meu post de hj onde eu ia falar exatamente sobre isso.ontem falei pra uma sobrinha q o q eu mais me arrependia na vida era das coisas que eu tinha feito, ela riu e eu estava matutando sobre isso. que atracao fatal!! bjbj
28 Abril, 2010 ás 7:58 pm |
a gente vai chegando perto dos 60 e dá nisso. Vontade de ter feito tudo diferente. Beijos
29 Abril, 2010 ás 12:58 pm
Chegando perto dos 60, Ivana? Estou passando por essas encucações já agora, aos trintinha (trintão?!) que completo no próximo dia 2 de maio – “tristim”, tristão. Vocês ainda viveram um monte de coisas legais (e outras nem tanto, lógico), hoje em dia parece que tudo já foi feito, desfeito, refeito; e pesa sobre nós o fardo (missão, míssel?) de reinventar as rodas, os mundos… Dureza!