Arquivo de Agosto, 2010

MARISA ONO – TOP CHEF DE COMIDA JAPONESA

31 Agosto, 2010

Como eu vivi até hoje sem esse blog? http://marisaono.com/delicia/

Neide, querida, te devo mais essa.

MIRADA, SANTOS – SP

31 Agosto, 2010

O SESC de Santos está promovendo o festival MIRADA, um super evento de artes cênicas latino-americano do dia 02 ao dia 11 de setembro. São dezenas de espetáculos, cursos e palestras sobre o assunto com gente de toda a América Latina. Eu e a escritora argentina Solange Camauer estaremos lá no próximo domingo, dia 5, às 14h, na unidade do SESC, rua Rua Conselheiro Ribas, 136 conversando sobre “A arte da palavra”. Transcrevo o que está no site:

“A escritora argentina Solange Camauer e a brasileira Ivana Arruda Leite trocam ideias e experiências sobre o olhar e a voz da mulher na literatura contemporânea e a singularidade dos mundos literários de Silvina Ocampo e Alejandra Pizarknik. O encontro integra o projeto Mulheres na Literatura: Em Busca da Liberdade, que cruza as linguagens do teatro, da fotografia, do audiovisual e da literatura para apresentar o universo feminino por meio de escritoras argentinas, em especial Silvina Ocampo e Alejandra Pizarnik. Composto também pela encenação do espetáculo Mujeres Terribles.”

Acho que vai ser legal. Se estiver por lá, apareça.

Mais informações, aqui.

OS AZULEJOS ESTÃO CHEGANDO

30 Agosto, 2010

estão chegando os azulejos.

Uma semana e pouca coisa mudou por aqui

quase nada mesmo.

a única novidade é um comitê eleitoral que abriu bem na nossa frente.

o restaurante por quilo onde eu almoço todos os dias.

Muito muito muito legal, barato e comida feita no capricho.

esse é outro dos três irmãos  que eu já falei aqui. Um fica no café, outro no restaurante e o terceiro atravessa a rua de lá pra cá. O pai supervisiona a trupe. Aliás, se quiser conhecê-los melhor, o Graveto’s Paulista têm um site chiquetésimo!

SOBRE AS CARTINHAS DE VÁRZEA GRANDE

29 Agosto, 2010

Veja aqui uma entrevista que a Paula Dume fez comigo sobre as cartinhas que recebi dos alunos do CE Ayrton Senna, de Várzea Grande, MT

DZI DZI DZI DZI DZI CROQUETTES

28 Agosto, 2010

Se você teve a sorte de ver os Dzi Croquettes ao vivo, vai se emocionar com o filme e morrer de orgulho de lembrar que, em plena ditadura, tinha uns caras muito loucos que viraram esse país de cabeça pra baixo. Sim, foi um susto. Plateia de todas as idades aplaudiam e dançavam ao som dos Dzi.  Eu me lembro vivamente, embora nunca os tenha visto ao vivo. Mas eles eram figurinhas fáceis que viviam aparecendo em programas de televisão e nas páginas das revistas. Se você tem mais de cinquenta, vai matar saudade e se emocionar. Mas se você era criança na época ou nem tinha nascido, não pode perder de jeito nenhum.  Você vai pirar, como Lisa Minelli pirou, com a ousadia, a liberdade, a  graça e o talento dos caras. Os Dzi foram inspiração e deram origem ao besteirol, às Frenéticas e a todo e qualquer grupo que tenha reunido música, performance e humor depois deles. O filme é dirigido (e narrado) com mãos de fada por Raphael Alvarez e Tatiana Issa, filha de Américo Issa (cenógrafo do grupo, falecido em 2002). Claro que é triste saber que, dos 13 integrantes, só 5 estão vivos. 4 morreram de AIDS, 3 assassinados e 1 de aneurisma cerebral, mesmo assim o filme é de uma alegria contagiante. Recomendo vivamente. Não perca! Como bem disse a Zezé no blog dela: “Não é apenas um filme sobre uma época. É sobre o país em que a gente vive”.  Nós já fomos vanguarda, minha gente, e incendiamos Paris com um grupo de malucos chamados Dzi Croquettes.

Antes do cinema fui almoçar no Tordesilhas, que sempre quis conhecer. Cheguei já sabendo o que escolher, pois eles estão no São Paulo Restaurante Week. Qual não foi minha surpresa ao ver que o SPRW só vale para o jantar. De mau humor, disse ao garçom que ia terminar a cerveja e ia embora. Volto outro dia. Ao que ele, delicadamente, me perguntou: a senhora não quer nem um caldinho de feijão? Tudo bem. Vou nessa. Divino maravilhoso. Uma xícara de café com caldinho, uma renda de couve frita e O MELHOR TORRESMO QUE EU JÁ COMI NA VIDA. Do caldinho, eu parti pra feijoada completa, A MELHOR FEIJUCA DE TODOS OS TEMPOS com mais torresmos. Saí de lá feliz da vida. Volto outro dia pra experimentar o cardápio do SPRW mas duvido que supere a feijoada.

DUAS DIQUINHAS PRO FINDE

28 Agosto, 2010

A Neide Rigo, minha querida prima e mestre das hortas, panelas e pomares, colocou no blog dela duas receitas que são a minha perdição:  a tal “pizza japonesa” e o magnífico bolinho de polvo. Mesmo que não seja pra fazer, vale a pena a visita pra aprender e saber o que estou comendo na próxima vez que eu for ao Izakaya Issa, meu boteco preferido na Liberdade e pedir uma porção caprichada dos tais bolinhos pra Margarida.

Minha amiga Maria José Silveira escreveu um post indicando com muito entusiasmo o filme Dzi Croquettes. Hoje à tarde vou conferir. Parece que é BEM legal!

SARA, ESMIR E HENRIQUE

27 Agosto, 2010

Gente, eu tô aqui, pirando no cabeção. Tem um video muito lindo na net que mostra um artista plástico fazendo um barco de papel beeeeem grande em frente ao prédio da Bienal, barco este que, depois de pronto, é transportado a pé pelo próprio artista e um grupo de amigos para o lago do Ibirapuera. O filme foi feito em 2006 e se bobear eu até já coloquei o link dele aqui. Pois bem, hoje a Sarah Oliveira, minha querida amiga de twitter, me manda o link de um post que ela escreveu no site da Brastemp onde ela mostra o tal filme e fala que o diretor do video é o GRANDE Esmir Filho (o genial diretor de Os famosos e os duendes da morte) que é IRMÃO DELA, assim como o artista plástico, Henrique César, seu irmão caçula! Que legal saber dessas conexões, pois eu adoro os três.  Vai lá ver que lindo!

AK, NOS FINALMENTE

27 Agosto, 2010

Parece um carma: tudo pelo que eu me apaixono um dia acaba, some, deixa de existir. Eu sei que nada é eterno nessa vida mas comigo isso é uma constante. Não falo de pessoas, falo dessas pequenas coisas que fazem a alegria e a graça de cada dia. Quando eu fumava, o meu cigarro era sempre o que saia de linha. Se eu descubro um shampoo pode crer que em pouco tempo ele deixa de ser fabricado. Batom, perfume é sempre a mesma ladainha. O perfume que eu descobri há cinco anos pra chamar de meu é nacional e baratinho. Na época ele estava na bacia de todas as farmácias. Hoje para encontrá-lo só pedindo na fábrica ou pela internet. Dentro dessa lógica, nada mais óbvio do que o restaurante que eu mais amava em São Paulo, aquele por quem me derramei em elogios aqui no blog dezenas de vezes, fechasse. Quando soube que o AK ia fechar as portas a sensação foi da morte de alguém querido. Fiquei tristíssima, procurei saber o que tinha acontecido. A própria Andrea pediu que eu tivesse calma. “Você vai gostar da história”, ela me disse pelo twitter. Hoje eu e Bebel fomos lá para as exéquias. Realmente o restaurante vai fechar as portas em outubro mas vai ser reaberto em outros moldes na Fradique Coutinho até o final do ano ou começo do próximo. Meno male. Claro que para a Andrea também foi um baque ver que as negociação com o dono do imóvel naufragaram mas, passado o susto, ela respirou fundo e botou lenha no projeto de abrir a nova casa que será mais informal, menos Higienópolis e mais Vila Madalena, menos judeu e mais all the world. No novo, o cardápio versará sobre grelhados, frutos do mar, porco, verduras e legumes da horta.  Com certeza, também será um sucesso. A Andrea com seu charme, simpatia e, principalmente, talento vai fazer dele um lugar tão agradável quanto este que fecha suas portas. Até porque a atração principal do AK sempre foi ela mesma! Só nos resta aguardar. Se você não conhece, ainda dá tempo de experimentar as delícias do AK na rua Mato Grosso, 450. Em tempos de Restaurante Week, os preços estão super razoáveis.

o melhor couvert: pães feitos lá com todo capricho, patê de fígado, patê de ovos e pepininho em conserva.

Esse gravlax com cream cheese  nem está mais no cardápio mas a Bebel pediu e eles fizeram só pra ela. Uma delicadeza.

é das coisas mais saborosas que eu comi na vida. Combinação perfeita e inesquecível.

ai, essa máquina nova…

o gelfitfish delicadíssimo

borsch com latke. Nunca abri mão dessa entrada

Andrea Kaufmann, uma amizade que me orgulha

Essa é nova mas também não pode faltar: lingua à vinagrete, folhas verdes, pistache e figos grelhados. Demais!

depois desse festival de delicatesses só nos restava partir para a sobremesa: o creme brulê com figos e mel. A preferida da Bebel.

“Figo é a minha fruta preferida”.

A comida acaba, os restaurantes fecham mas a amizade continua nos alimentando. É isso que importa.

CIBELE

25 Agosto, 2010

Cinara e eu somos quase uma só, embora tenhamos cada qual sua cabeça e o seu próprio coração. Os braços são quatro, mas nenhum inteiro. Eu tenho o direito quase perfeito (falta-me o dedo mindinho) e um cotó do lado esquerdo. Cinara é o inverso, o esquerdo inteiro e um cotó à direita. Conclusão: o meu braço direito se junta com o esquerdo dela e somos capazes de quase tudo. Fazemos tricô, ajudamos mamãe na cozinha, cuidamos do jardim, varremos a casa, aplaudimos o que gostamos, fazemos gestos obscenos ao que não gostamos, tudo em dupla.
Quando nascemos, ninguém acreditava que sobreviveríamos. “Não duram até amanhã”, disse o médico ao nos extrair feito um ciso encalacrado. “Um monstro”, disse papai ao nos ver.
Mamãe reagiu diferente. Sabia que os cuidados seriam muitos, mas acreditava no poder do seu amor e sabia que, a depender dela, teríamos as mesmas chances que as meninas todas têm.
Conforme fomos crescendo, foram aparecendo as diferenças. Não só físicas, como de temperamento. Ainda bebê, eu gostava das bonecas e panelinhas, enquanto Cinara arrastava-se na direção oposta, encantavam-lhe a bola e os peões. Quando contrariada, se punha a berrar no meu ouvido. Sempre preferi ceder aos seus caprichos a ouvir a gritaria.
Na escola, embora tivéssemos cada qual os seus pertences, livros, cadernos, caneta, borracha, tudo marcado com nome próprio, ocupávamos uma carteira só.
Cinara era ótima na álgebra e na geometria. Mínimo múltiplo comum ela tirava até dos milhões, sem esquecer um. Já eu preferia as lições de português. Minhas redações eram elogiadíssimas e sempre mereceram dez com louvor. Cinara também tirava dez, mas sem louvor, pois a professora sabia que eram feitas por mim. Assim como sabia que ela me ajudava nos problemas mais difíceis. No nosso caso, evitar a cola era impossível.
Quando vieram os bailinhos, mamãe fazia uns vestidos lindos, uma saia e duas blusas, e lá íamos nós, cada uma com um penteado diferente.
Os meninos se atrapalham um pouco. Se escolhem uma pra dançar, levam a outra de contrapeso. Eu finjo que não vejo os beijinhos na ponta da orelha, as confidências, as juras de amor que fazem a Cinara. Ela faz o mesmo quando chega minha vez. Se uma tem sono, encosta no ombro da outra e dorme. Cada uma cede um pouco, de outra forma nossa vida seria insuportável.
Cinara sempre preferiu os rapazes falantes, que dançam rock and roll, bebem cerveja e fumam sem parar. Fico tonta com tanta fumaça. Ainda bem que meus pulmões não são os dela. Nem o coração. Quando Cinara bebe, fico zonza sem querer, pois sempre sobe um pouco de álcool pra minha cabeça. Ela se envenena e eu padeço junto.
Outro dia, Cinara ficou sabendo de um pai-de-santo que via o futuro nos búzios. Quis ir ao terreiro. Eu achei um absurdo, sou católica e disso não abro mão, mas não pude escapar dessa.
Quando vou à missa, Cinara xinga o padre o tempo todo, goza da cara de todo mundo, mas vai. No confessionário, ela ri dos meus pecados e fica dizendo que o padre peca tanto quanto todos nós.
Pois não é que no tal terreiro, no meio da cantoria, Cinara foi tomada de repente? Se pôs a girar e levantar a saia, que é minha também, às gargalhadas. Minha irmã estava irreconhecível. Grudada nela, saracoteei pela sala inteira feito uma maluca. Eu morria de vergonha sem ter onde me esconder.
Ao fim de tudo, o pai-de-santo explicou que Cinara, se quiser, pode fazer carreira na umbanda, virar filha-de-santo, tem mediunidade pra isso, só falta desenvolver. Mas dessa vez eu não cedi. Aqui não piso nunca mais, eu disse batendo o pé no chão, o pé que é dela também. Em troca, nunca mais Cinara foi comigo à igreja.
Mas tudo que passei até agora foi café pequeno perto do que passo agora. Cinara está namorando Benevides. Há muito sou apaixonada por ele. Quando o conhecemos ele nos encantou igualmente, a ambas, mas ela tomou a dianteira. Tanto exibiu-se, tanto fez, tanto cantou com sua voz maviosa, tanto pôs-se à janela e penteou os cabelos com sua blusa decotada que o rapaz a pediu em namoro.
“Feche os olhos”, ela me pede quando os beijos ficam mais calorosos. Meu sangue ferve por dentro, mas eu agüento calada. Bem ou mal, estou perto do Benevides, escutando sua voz, e são também minhas as pernas onde ele põe a mão.
Bem sei que Cinara só está com ele por causa de seus olhos azuis e do porte atlético. Quem o ama de verdade sou eu, e não estou disposta a sair perdendo dessa vez. Por isso escrevi uma carta ao Benevides confessando o meu amor. Sigo o conselho do pai-de-santo que me disse pra enfrentar a Pombagira e cuidar do que é meu. A ela não faltarão pretendentes. Dessa vez estou disposta a lutar até o fim.

(conto publicado no Falo de Mulher)

ELEIÇÃO SEM POLÍTICA

25 Agosto, 2010

(Marco Antonio Villa, hoje na Folha de SP. Ou: porque estou cada dia mais firme na convicção de anular meu voto)

GANHAR ELEIÇÃO é uma possibilidade, fazer política é um imperativo. O Brasil poderá com esta campanha inaugurar uma nova forma de pleito presidencial: sem debate, sem polêmica, sem divergência e sem oposição.
Nas últimas cinco eleições tivemos disputa em três delas. Mas disputa mesmo, só em 1989. Em 1994 e 1998, FHC venceu Lula facilmente, as duas no primeiro turno.
Em 2002 e 2006, Lula foi como franco favorito para o segundo turno. Eu esperava que teríamos uma eleição diferente em 2010: sem Lula e com oposição que transformasse o pleito em um momento de amplo debate nacional.
Rotundo equívoco. Lula é candidatíssimo, aparece mais que Dilma. E pior: a oposição não apareceu ao encontro marcado. Como um aluno relapso, faltou justamente no momento da avaliação, a eleição.
Na República Velha, a oposição concorria sabendo que o resultado seria fraudado. Era o momento de, ao menos, marcar posição e acumular forças para um novo embate. Agora -e de forma surpreendente- nem isso está ocorrendo. Confesso que a cada dia que assisto ao horário eleitoral fico mais estarrecido.
Este triste panorama terá efeito direto sobre o Legislativo. Tudo indica que o futuro Congresso será muito mais governista que o atual. E também com um número expressivo de “deputados cacarecos”, o maior da história recente, produto direto da inexistência do debate político.
A despolitização abre campo para que ex-jogadores de futebol, comediantes, cantores e celebridades instantâneas sejam considerados puxadores de votos para partidos de todos os matizes.
Outro efeito nefasto da despolitização é a permanência (e até ampliação) dos representantes dos oligarcas. Quase todos os sobrenomes que simbolizam o que há de pior na política brasileira estão apoiando a candidata oficial. São espertos. Tratam Lula como se fosse um dos seus. E, por incrível que pareça, ele acabou se transformando em uma espécie de “capo” dessas famílias.
Parodiando Sílvio Romero, no célebre discurso de recepção a Euclides da Cunha na ABL, Lula chegou “à suprema degradação de retrogradar, dando, de novo, um sentido histórico às oligarquias locais e outorgando-lhes nova função política e social”.
A apatia política tem preço. E muito alto para o país. A fuga da oposição do debate, o medo do enfrentamento, a recusa de se opor, pode abrir caminho para um longo domínio do Estado por parte de um bloco conservador, sem espírito republicano, com tinturas caudilhistas e desejos de impor sua vontade à força. 


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