O BROCHE

Artur apareceu no consultório para a última sessão, só faltava extrair-lhe o ciso. Foi quando me avisou que se casaria no mês seguinte.
Fiz o serviço com a mão trêmula e guardei o dente pra mim. Mandei incrustá-lo num alfinete de ouro que só uso em ocasiões especiais.
Hoje, depois de tantos anos, avistei-o em meio à multidão. Ele me reconheceu, abriu-me os braços de longe, quis saber de mim. Está no segundo casamento. Filhos? Três. Eu? Nenhum. Nem casar, casei. Duvido que tenha reparado no broche que eu trazia espetado na lapela.

(conto publicado na revista PS-SP em 2002)

4 Respostas para “O BROCHE”

  1. Mayara Diz:

    :) eba, conto!!!
    Nossa, sabe, na segunda comprei (e li) Hotel Novo Mundo… eu gostei demais! é esquisito falar assim, porque não dá pra te dizer aqui o quanto eu gostei… Você é uma das minhas preferidas! ( muito, de verdade, ao lado da Hilda Hilst, da Clarice, da Lygia… todas moças incríveis!)
    é bem o mínimo que eu posso dizer… amei. :)

  2. Giovanna Diz:

    Muito bom!

  3. Luciano Serafim Diz:

    Como diria dona Enedina, minha vó: “Tadinha, ela ficou no caritó!”

    He-he-he!

    Beijos!

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