Nosso encontro estava marcado para as 18h, no hotel deles. No meio do caminho tinha uma praça com umas cadeiras debaixo de árvores cheias de passarinhos

quando cheguei, seu Nonô já estava a minha espera, vendo televisão
Eles tinham ido pra Caiscais mas não curtiram muito. O tempo lá estava nublado, eles chegaram e voltaram. Vieram almoçar em Lisboa, no João do Grão
como estava muito cedo pra jantar, sugeri que fôssemos conhecer uma padaria super antiga, a Versailles (dica da Manu). Eles adoraram. Aquele luxo de padaria com mais de 100 anos

a ideia era tomar uma cerveja e partir pro Farta Brutos. Eu não sossegaria se não conhecesse a toca do Saramago
quando eu vi, eles começaram a pedir croissant, misto quente… “Nós vamos comer por aqui mesmo”., disseram. Eu fiquei puta da vida. Sinto muito mas eu não vim aqui pra comer em padaria. Pedi minhas imperiais disposta a dar um tempo e zarpar
tentei explicar pra eles que o programa aqui em Lisboa é só restaurante. Não adianta querer jantar cedo pra ir pra outro lugar porque não tem outro lugar pra ir. Claro que os que moram aqui terão sempre outros mil programas. Mas nós vamos embora depois de amanhã e eu não vou me enfiar num cinema nem num teatro. O negócio é ir de bar em bar, de miradouro em miradouro, de imperial em imperial, de restaurante em restaurante
a mesa estava de chorar: chá, doces, bolinho frio de bacalhau, croissant seco com queijo seco. Uma tristeza.

M. Inês e minha mãe dividindo um chá de camomila
o Kim pediu um sonho
só meu pai pediu cerveja. O bolinho de bacalhau que ele pediu estava tão ruim que ele deixou de lado. “Lá no Farta Brutos dividimos umas pataniscas de bacalhau”, falei pra ele
não se vem à Lisboa pra tomar chá de camomila, pelo amor de Deus
olha a pia do banheiro da Versailles! Parece uma pia batismal
a torneira é uma bica. Demais.
o luxo do cristal bisoté das portas dos banheiros

pintura na parede. Às 7 e meia, pedimos a conta e eu me levantei pra ir embora. Todo mundo levantou junto. Eu fui pra avenida pegar táxi, todo mundo foi atrás. Quando perguntaram o endereço do restaurante, entendi que me seguiriam.
Cheguei ao meu destino, travessa da Espera, 20. E eles vieram atrás.
pense numa pessoa gorda e feliz!
há cartões, cartas e fotos do Saramago por toda parte. E não só dele. Do Sarney (que está em todas!), do Marcos Vilaça, da Betânia, da Fafá de Belém, do Carlos Nejar, etc etc etc
o restaurante é abaixo do nível da rua, super aconchegante, cave total
a mesa do Zé

Os cinco aguardando as entradas que o Sr. Oliveira (o super simpático proprietário) disse que nos mandaria. Você tem que ir no ritmo dele.
esse restaurante também foi dica do Comidinhas Foi lá que eu soube que o dono adora o Brasil porque o pai dele veio pra cá quando ele tinha 5 anos e depois ele veio atrás do pai… a história é compridíssima.
carta de Saramago para Oliveira
logo chegaram 3 entradas: presunto cru, cogumelos com bacon e queijo da serra da estrela derretido, acompanhado de pão quentinho. E a turma do chá começou tudo de novo como se nada tivesse acontecido!!!
o casal celebrando 32 anos de união

O Kim descobriu que sonho de padaria é um ótimo antepasto para camarões com bacon
as benditas pataniscas de bacalhau que eu e meu pai pedimos nada mais são do que o NOSSO (bom) bolinho de bacalhau, ou seja, bacalhau desfiado, sem batata e quente, fritinho na hora. Comemos até….
a mestra, dona dos fogões. A Sofia, do Ora pois, foi lá aprender com ela
garçom educadíssimo e simpaticíssimo. Nas duas mesas ao lado tinha brasileiros. Eu não aguentei e perguntei se tinha algum são paulino. Quase todos levantaram a mão no maior entusiasmo. Foi quando eu dei a notícia da lavada de ontem. Eles não acreditavam. Tinha um menininho que ficou passado.
Dom Oliveira
vir à Lisboa e não conhecer o Sr. Oliveira e o Farta Brutos é ir a Roma e não ver a Madona.
The Best!!!!