Arquivo de Junho, 2011

FECHANDO AS MALAS

30 Junho, 2011

Pessoal, chegou a hora de colocar o netbook na mala e por isso eu me despeço por aqui. Foi um prazer tê-los comigo (conosco) nesta viagem. Logo mais estarei na minha casinha, na minha mesinha, na minha caminha. Não vejo a hora!!!!

Pra mim, essa viagem foi o continuação da festa que começou dia 28 de maio e vai terminar hoje, quando eu chegar em SP. Fui muito feliz em Lisboa. Foi tudo perfeito, até o que não foi. O quarteto que me acompanhou foi sensacional.

Agradeço muito a companhia de todos vocês, os comentários, o carinho e, especialmente, a palavra de ânimo da Regina Volpi, uma amiga que eu não vejo há mais de 30 anos, na hora tão certa.

Espero tê-los divertido. Pra mim, foi ótimo!

Beijos a todos e até já!

TASQUINHA DA ADELAIDE

29 Junho, 2011

Não podíamos encerrar esta viagem de melhor forma: na Tasquinha da Adelaide, em Campo de Ourique, pertinho da Basílica da Estrela.

indicação da minha querida prima Vera. Lugar pequenininho, super acolhedor, bem decorado, finésimo sem nenhuma frescura. Quanto à comida… pó pará. Não preciso comer mais nada em Portugal.  É daqui pro avião. E o preço é igual a todos os outros

Sônia, a gracinha da garçonete. Uma coisa é certa: restaurante onde vai muito brasileiro, os garçons atendem super bem. Eles sabem que conosco tem que ir com jeitinho

o restaurante fica em frente ao Cemitério Alemão

Eu e o Kim pedimos um gazpacho. Sensacional!!!

olha o chiquê do prato

eu e meu pai dividimos um polvo à lagareiro que nem que eu viva 100 anos vou comer outro igual. A menos que volte à Tasquinha, claro

Sônia servindo os choquinhos fritos com batatas da M. Inês e do Kim

Lindos choquinhos

o restaurante é minúsculo, a cozinha é aberta. A gente fica vendo o chefe fazer os pratos e sentindo os perfumes que saem da cozinha

o café expresso é dentro de um armário. Aliás, sobre café expresso aqui tem uma coisa interessantíssima: esteja você onde estiver (bar, boteco, padaria, hotel, restaurante), o café expresso tem sempre o mesmo gosto, a mesma temperatura e vem na mesma quantidade. Exatamente igual em qualquer lugar (Sintra, Setúbal, etc). Aí no Brasil em cada esquina o café tem um gosto, um aroma, uma temperatura. Aqui é a perfeição do café expresso.

Sônia, que já serviu Fernando Henrique (ele vem muito aqui), Tony Ramos, Arnaldo Jabor e uma penca de brasileiros de bom gosto que passam.

o lombo de bacalhau grelhado com batatas e grelos (sempre eles!) da minha mãe (eu ajudei)

M. Inês vendo o livro das visitas. Fernando Meirelles, Paulo Autran e Ivaninha Arruda Leite que fechou com chave de ouro esta inesquecível viagem e deixou um beijo para a Adelaide, dona da Tasquinha.

Vera, sua dica foi estupenda!

NOS (QUASE) FINALMENTE

29 Junho, 2011

Hoje fomos almoçar no Ramiro, que meu pai não conhecia. Finalmente um vinho à mesa. Eu continuei com a minha loiruda

amêijoas à Bulhões Pato. Divinas

camarões cozidos pra M. Inês e pra minha mãe

camarões tigre pro Kim e pro meu pai

olha o tamanho dos bichos

depois das amêijoas, eu pedi camarões grelhados. Aqui tem dois e eu quase que não aguentei

o sorvete de limão com vodca

Mr. Ramiro morará pra sempre nos nossos corações.

Minha ideia era conhecer o Museu do Azulejo depois do almoço, mas depois desses camarões e da vodquinha quem disse que tive coragem? Pedi pra M. Inês me contar como era, usei a minha imaginação e voltei pro hotel pra descansar. À noite, o último jantar e o último post. Amanhã às 11h  da manhã vamos para o aeroporto.

O PASSEIO MATINAL DAS MENINAS

29 Junho, 2011

Pela manhã, as meninas foram às compras.

antes, a entrega oficial do porco e da massa de pimentão. Depois fomos ao Chiado comprar os creminhos que a Bebel pediu

armazém do Chiado

macarons

elas compraram muitas caixas

na rua Augusta, uma loja com uma vaca com a cabeça pra fora

eu dei uma cabeçada na orelha da vaca que quase me fez perder o rumo

bonecas lindinhas. Comprei uma para a Valentina (ainda não nasceu, pois não?)

aqui se tira dinheiro em qualquer esquina. Um perigo!!!!

o homem invisível também não pode faltar

Confeitaria Nacional. Pequenininha, charmosésima. 180 anos

pro meu gosto, a mais bonita

pedimos café e uns travesseirinhos de Sintra. A moça disse que tinha travesseirinhos mas não de Sintra. “Os de Sintra são só em Sintra”. Mas são parecidos?. “São iguais”, ela respondeu. Continuamos o pedido: traz também uns pastéis de Belém. “Temos pasteis mas não de Belém porque os de Belém são só em Belém. Aqui são pasteis de nata”. São parecidos? “Idênticos”. Traz dois.

de lá voltamos para o hotel pra descansar um bocadinho porque às 13h vamos encarar uns camarões tigre no Ramiro

TRIPEIRO

28 Junho, 2011

Depois de Setúbal, o descanso habitual e o passeio ao café da esquina

o hotel quase em frente ao meu tem 4 estrelas e parece bem bom

um queijinho alentejano e ela

eles trazem o rótulo pra você ver

lá pelas 7 da noite, os bares e padarias começam a montar a churrasqueira na calçada pra assar as sardinhas

é o que mais se lê por aqui

minha pensão é mixuruquinha mas a porta impõe

no nosso penúltimo jantar preferimos conhecer um restaurante novo. O Tripeiro, na mesma rua do João do Grão e de mais uma dezena de restaurantes

da linha dos simples e tradicionais

no couvert, uma saladinha de polvo deliciosa!

M. Inês e Kim foram num táxi e chegaram bem antes da gente porque, assim que eu entrei no nosso, eu vi uma carteira com 10 euros no banco de trás. Entreguei pro motorista e ele encanou de procurar a velhinha que ele deixara na rua de trás pra devolver o dinheiro. Imagina se ele achou… Perdemos uns quinze minutos dando voltas atrás da velha. Enfim… honesto ele foi.

pra variar, pedimos sangria.

Tá acabando!!!

Kim com a malha da cor da sangria

M. Inês e Kim pediram cataplana mista de frutos do mar. Cataplana, aliás, é o nome dessa panela de tampa redonda, super linda. Ela fecha e vira uma bola.

A cara tava bonita mas eles não me pareceram muito satisfeitos. Preferem os grelhados. Esse tinha muito caldo pro gosto deles. Até porque não veio nada pra acompanhar

eu e meu pai insistimos no cabrito que, desta vez, estava gostoso. Tempero legal e carne desfiando. Mas o mesmo problema da cataplana: sem nada para acompanhar, só umas batatas cozidas, o que deixou o prato meio entediante. tudo bem, podíamos ter pedido arroz, salada, etc mas pra trazer os pratos eles demoraram 40 minutos e não estávamos a fim de esperar mais 40. Êta terra de gente calma. O que eles mais falam pra gente é: “calma. Vai tirar o pai da forca?”. Não tem coisa mais irritante! Tenho vontade de responder: cara, eu venho de São Paulo. Acelera!

minha mãe pediu espaguete com camarão e ficou feliz com a escolhade sobremesa, a M. Inês quis me dar esse caramelo que ela havia comprado. Eu agradeci mas não quis porque detesto doce. Ela agradeceu mais ainda porque é louca por esses caramelos. Disse que aqui é muito mais barato do que no Brasil.

andar um pouco pra fazer a digestão

noivas portuguesas na vitrine

dez hora, ruas desertas. A noite estava bem mais fresquinha que as anteriores. Todo mundo de casaquinho nas costas

o casalzinho

produtos eróticos

Todos pra caminha que amanhã é o último dia!

claro que como eu sou dona da máquina e do blog, vocês só viram os meus passeios e os que eu fiz com a tchurma. Os que eles fizeram sozinhos, infelizmente, não pude retratar. Hoje, por exemplo, eles andaram no famoso bonde 28 e foram ao Museu do Azulejo. Voltaram encantados não só com o museu como com a Igreja Madre de Deus, a mais bonita de Lisboa, segundo a Miúcha. Amanhã à tarde eu vou lá sozinha. Não posso ir embora sem ver essa maravilha.

SETÚBAL

28 Junho, 2011

Hoje fui para Setúbal (com Miúcha, Victor e Abílio). Setúbal fica a uns 40km de Lisboa. Do lado de lá do Tejo. Fomos pela ponte Vasco da Gama que é imensa (17 km) e linda

lá longe é um forte de onde (segundo Victor) os portugueses gritavam aos árabes: Venham, podem entrar!

O carro era do Victor, mas Miúcha assume o volante, para nossa segurança…

Setúbal tem uma larga avenida à beira mar (ou beira rio, não sei)

mas também tem ruazinhas daquela estreitura

lá em cima, a pousada de São Filipe

que deve ter sido um forte ou coisa parecida

você sobe umas escadas

e dá de cara com a vista MAIS LINDA DO MUNDO! (amplie, por favor)

a pousada propriamente dita

pra qualquer lado que você olhe, é deslumbrante

pausa para um café

Abílio Rodrigues, também conhecido como Sr. Rodrigues (brincadeira nossa). Estes três são amigos há 30 anos e se alfinetam o tempo todo para meu deleite. Super divertidos!

Victor Oliveira Mateus, escritor, poeta e ensaísta. Miúcha, que foi um amor em me levar a passeios tão lindos e me apresentar seus amigos tão simpáticos

“Sempre do pescoço pra cima pra não sair a barriga, por favor, Ivana”

A Miúcha estava em SP quando comprei esta máquina e tirei várias fotos com o filtro beauty. Foi ela quem lembrou: “tire daquele jeito que nos deixa lindos”

Todos no beauty

“agora com óculos escuros”

Hora de descer para o almoço

chegamos

escolhendo as sardinhas

Victor autografando três de seus livros para Cida Moreira, de quem é fã ardoroso

restaurante na calçada, todo aberto, delicioso

Sergio, arquiteto que trabalha em Setúbal e mora em Lisboa, veio almoçar conosco

a hora que eu mais gosto: escolher o que comer

olha o meu queridão aí

À Setúbal!!!

as sardinhas de Victor e do Sr. Rodrigues

pediram pra Miúcha mexer a salada porque aqui há um ditado que diz que toda salada deve ter muito azeite, pouco vinagre e ser mexida por uma louca hahaha

chocos fritos com batatas fritas pra mim e pra Miúcha

os carapaus do Sergio

as espetadas da mesa ao lado. Notaram que vêm penduradas?

no Brasil, morrerei de saudade deste choco

e destas pessoas também, claro!

tomara que eu possa retribuir-lhes o carinho que tive por aqui

o cabelo da Miúcha sob o sol de Setúbal!!!

voltamos pela ponte 25 de abril, mais curta que a outra. Em compensação, a vista de Lisboa é DESLUMBRANTE!

passeio maravilhoso.

E agora, descansar porque à noite tem mais.

FARTA BRUTOS, A TOCA DO ZÉ SARAMAGO

27 Junho, 2011

Nosso encontro estava marcado para as 18h, no hotel deles. No meio do caminho tinha uma praça com umas cadeiras debaixo de árvores cheias de passarinhos

quando cheguei, seu Nonô já estava a minha espera, vendo televisão

Eles tinham ido pra Caiscais mas não curtiram muito. O tempo lá estava nublado, eles chegaram e voltaram. Vieram almoçar em Lisboa, no João do Grão

como estava muito cedo pra jantar, sugeri que fôssemos conhecer uma padaria super antiga, a Versailles (dica da Manu). Eles adoraram. Aquele luxo de padaria com mais de 100 anos

a ideia era tomar uma cerveja e partir pro Farta Brutos. Eu não sossegaria se não conhecesse a toca do Saramago

quando eu vi, eles começaram a pedir croissant, misto quente… “Nós vamos comer por aqui mesmo”., disseram. Eu fiquei puta da vida. Sinto muito mas eu não vim aqui pra comer em padaria. Pedi minhas imperiais disposta a dar um tempo e zarpar

tentei explicar pra eles que o programa aqui em Lisboa é só restaurante. Não adianta querer jantar cedo pra ir pra outro lugar porque não tem outro lugar pra ir. Claro que os que moram aqui terão sempre outros mil programas. Mas nós vamos embora depois de amanhã e eu não vou me enfiar num cinema nem num teatro. O negócio é ir de bar em bar, de miradouro em miradouro, de imperial em imperial, de restaurante em restaurante

a mesa estava de chorar: chá, doces, bolinho frio de bacalhau, croissant seco com queijo seco. Uma tristeza.

M. Inês e minha mãe dividindo um chá de camomilao Kim pediu um sonho

só meu pai pediu cerveja. O bolinho de bacalhau que ele pediu estava tão ruim que ele deixou de lado. “Lá no Farta Brutos dividimos umas pataniscas de bacalhau”, falei pra ele

não se vem à Lisboa pra tomar chá de camomila, pelo amor de Deus

olha a pia do banheiro da Versailles! Parece uma pia batismal

a torneira é uma bica. Demais.

o luxo do cristal bisoté das portas dos banheiros

pintura na parede. Às 7 e meia, pedimos a conta e eu me levantei pra ir embora. Todo mundo levantou junto. Eu fui pra avenida pegar táxi, todo mundo foi atrás. Quando perguntaram o endereço do restaurante, entendi que me seguiriam.

Cheguei ao meu destino, travessa da Espera, 20. E eles vieram atrás.

pense numa pessoa gorda e feliz!

há cartões, cartas e fotos do Saramago por toda parte. E não só dele. Do Sarney (que está em todas!), do Marcos Vilaça, da Betânia, da Fafá de Belém, do Carlos Nejar, etc etc etc

o restaurante é abaixo do nível da rua, super aconchegante, cave total

a mesa do Zé

Os cinco aguardando as entradas que o Sr. Oliveira (o super simpático proprietário) disse que nos mandaria. Você tem que ir no ritmo dele.

esse restaurante também foi dica do Comidinhas Foi lá que eu soube que o dono adora o Brasil porque o pai dele veio pra cá quando ele tinha  5 anos e depois ele veio atrás do pai… a história é compridíssima.

carta de Saramago para Oliveira

logo chegaram 3 entradas: presunto cru, cogumelos com bacon e queijo da serra da estrela derretido, acompanhado de pão quentinho. E a turma do chá começou tudo de novo como se nada tivesse acontecido!!!

o casal celebrando 32 anos de união

O Kim descobriu que sonho de padaria é um ótimo antepasto para camarões com bacon

as benditas pataniscas de bacalhau que eu e meu pai pedimos nada mais são do que o NOSSO (bom) bolinho de bacalhau, ou seja, bacalhau desfiado, sem batata e quente, fritinho na hora. Comemos até….

a mestra, dona dos fogões. A Sofia, do Ora pois, foi lá aprender com ela

garçom educadíssimo e simpaticíssimo. Nas duas mesas ao lado tinha brasileiros. Eu não aguentei e perguntei se tinha algum são paulino. Quase todos levantaram a mão no maior entusiasmo. Foi quando eu dei a notícia da lavada de ontem. Eles não acreditavam. Tinha um menininho que ficou passado.

Dom Oliveira

vir à Lisboa e não conhecer o Sr. Oliveira e o Farta Brutos é ir a Roma e não ver a Madona.

The Best!!!!

PÃO COM PÃO NO INDIANO

27 Junho, 2011

Hoje o pessoal foi pra Caiscais e eu voltei à rua dos Coreanos, onde comprei esse molho de pimentão (um pra mim, outro pra minha mãe). Não existe receita portuguesa sem ele

comprei essas 2 pulseiras também. Lindonas, né?  Baratíssimas

na volta, fui almoçar no indiano que tem no hotel em que eles estão hospedados

pedi um pão (pensando que fosse o chabat) e um frango com amêndoas e natas. Daí a pouco, ele aparece com o chabat dizendo que era oferta da casa e um cesto com 4 super pedaços de pão folhado. Vendo aquele tanto de pão na mesa, pedi pra suspender o frango. O garçom ficou uma fera

Comi 2 pedaços do pão folhado (delicioso!) e pedi pra embrulhar os outros 2, que serão de muita valia nas madrugadas insones

ela não pode faltar

daí eu encanei que esse moço na minha frente era o Barack Obama (clique pra ver como era mesmo).

pela ausência dos seguranças, vi que não era. Mas era a cara!

tirei mais de dez fotos do cara. De vez em quando, pra disfarçar, eu virava a máquina pro outro lado e clicava a esmo

Meia hora depois, cansada de comer pão com pão, pedi uns pastéis de beringelas que salvaram a pátria. Deliciosos!!! pra comer com aqueles molhinhos hmmmmmmmmm muito bom!

apesar da braveza, o garçom se ofereceu pra tirar uma foto minha

vocês não imaginam o que era esse pastelzinho com o molho de iogurte e hortelã

junto com a conta, eles trouxeram esse potinho de alpiste (gergelim, aniz, miniconfeitos, açúcar). Você pega com a colherzinha e coloca na palma da mão. Daí, pra boca. Muito legal!

Até voltaria ao indiano mais uma vez se tivesse tempo. Mas o conselho familiar já decidiu quais restaurantes repetiremos nestes 3 dias que restam. Vamos ver se vocês adivinham. Hoje à noite começa a sessão repeteco. Aguardem!!!!

AQUI HÁ PEIXE

27 Junho, 2011

ontem à noite, pela segunda vez, tentamos ir ao Farta Brutos, restaurante tradicional do Chiado, onde o Saramago gostava de ir. Na primeira vez, o dono saiu à porta e disse que não podia atender-nos “porque estou dando de comeire aos empregados. Voltem mais tarde”. Desistimos de esperar e fomos ao Trindade. Ontem, domingo, estava “fechado para descanso semanal”. Já viram uma cidade onde até padaria fecha aos domingos? Aqui, domingo, fecha TUDO.

vejam a Alexandre Herculano no domingo às 20h (o sol só se põe lá pelas 21h30) e me digam se não parece Lins. OK, as ruas aqui são mais largas e mais bonitas mas o silêncio e a quietude são iguais

Quando vimos que o Farta Brutos estava fechado, fomos ao Aqui há peixe, ali pertinho (Chiado)

começou bem. Olha o azeitão aí. Mas o resto não me agradou. Restaurante modernoso com garçons bonitinhos na faixa dos 20 anos e avental preto na cintura. Temos muitos desses por aí. Furada. Comida pouca e cara. Quando os moleques viram que somos da turma que não bebe vinho e pede entrada como prato principal, começaram a fazer cara de nojo.

as amêijoas que eu pedi não chegavam aos pés das do Trindade

meu pai gostou do camarão com alho que pediu. Se bem que era só isso e fim

o arroz negro com choco tinha cheiro de choco mas choco que é bom, nada. O melhor prato, a Lula que o Kim pediu, não foi fotografado porque avançamos antes que desse tempo.

pra tirar o gosto do coentro da minha amêijoa pedi um espumante com sorvete de limão. Estava bom, mas veio menos de meio copo

minha mãe olhou o cardápio e perguntou o que vinha no Frutas tropicais. A garçonete respondeu: “manga, kiwi, abacaxi, melão, papaia”. Minha mãe então falou: “pode me trazer esse”. “Mas qual fruta a senhora quer?” “Ah… só pode escolher uma? Então traz abacaxi”

o lugar é super bonitinho mas, em Lisboa, prefira os tradicionais de garçons barrigudos

JOSÉ E PILAR

26 Junho, 2011

São 1h26 da manhã em Lisboa e eu acabo de assistir ao filme José e Pilar. Tô que é uma emoção só. Mas antes quero dizer que fiquei muito brava. Pô, porque ninguém me disse que esse filme É MARAVILHOSO???? Ouvi elogios aqui e ali mas moderados. Ninguém me falou que eu TINHA que ver de qualquer jeito porque quando me dizem dessa forma, eu vou. Tudo bem. Minha hora estava marcada e era aqui que eu tinha de vê-lo. Em Lisboa, numa pensão fuleira na rua de Santa Marta a uma da manhã de uma noite quente de junho. A hora era agora. Entendi tanta coisa… Da mais elementar – o mau humor e a rabugice de José é a de todos os portugueses. Aquela que eu topo desde a hora que ponho o pé na rua até a hora que venho dormir. Os motoristas de táxi que resmungam sozinhos, os guardas de trânsito que não dão a informação enquanto não lhes dizemos bom dia, o porteiro do hotel que só me responde “não sei” a tudo que pergunto, o homem da padaria que sempre reclama que eu não tenho moeda, etc etc etc Portugal é povoada por Saramagos e talvez por isso o tenha tratado tão mal. Eles amam com o fígado, à moda deles. Assim que chegar em SP vou correndo comprar o dvd pra assistir mil vezes, sempre que eu quiser me lembrar desta terra que eu tanto amei e sempre que eu quiser aprender sobre como é ser um escritor íntegro nesta vida. Com o perdão do nobre autor, esse filme hoje só pode ter sido presente de Nossa Senhora de Fátima.  Assista, assista, assista. Te peço de joelhos.


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