Poucos protagonistas na literatura são tão mau caráter quanto Michael Beard, o físico com prêmio Nobel do estupendo romance Solar, de Ian McEwan.
Você termina o livro odiando-o mais do que tudo na vida.
E o pior é que o cara não se redime em momento algum. Deve estar lá até hoje fazendo suas falcatruas no “impoluto” campo da ciência com cê maiúsculo, dos departamentos das melhores universidades do mundo, dos projetos roubados, das subvenções milionárias, das pesquisas plagiadas e por aí vai.
Comprei o livro assim que foi lançado (2010) mas interrompi a leitura sem maiores delongas lá pela página 50. Fica pra outra hora, disse sem abandoná-lo de vez. Se eu não gosto de um livro de um dos autores que amo, tenho certeza de que o problema é meu. Ponho-o de lado e deixo a leitura para outro momento.
A linguagem, a princípio, assusta e até afasta se você não for muito chegado a termos técnicos da física quântica, da teoria relatividade, das discussões sobre o problema do aquecimento global, do degelo da calota polar, etc. Mas não se avexe. Nada disso importa na verdade. Passe por cima. Não ignorando, mas sabendo que o principal da história não está ali e sim na vida desse crápula que faz o que quer com as mil mulheres que vivem ao seu redor, mesmo sendo baixinho, gordo e careca. Assim como faz o que bem quer com seus alunos/discípulos que vivem pra lamber seus pés e puxar seu saco.
Ao final, você sente por Michael Beard todo o ódio que um grande autor consegue fazer você sentir.
Solar é mais um livro genial deste romancista inglês que já já estará ganhando seu Nobel também. Recomendo vivamente a leitura.