Arquivos para a Categoria ‘poesia’

JANELA

27 Fevereiro, 2012

Quadro vazado trazendo pra dentro

o meu fora.

Fecha.

(poeminha antigo para foto de Vilmar Ledesma, publicada hoje no twitter)

POEMAS ANTIGUINHOS

28 Janeiro, 2012

APRENDIZADO

Na calada da noite
Eu choro e me desespero.
Sofrimento amadurece?
Acho que prefiro morrer verde.

 

ENGASGO

Há os que são nuvens
há os que são pedras
há os que são anuvem
cuma pedra (dentro)

CONSELHINHO

Bons amigos é que não são
estes dois estados d’alma
amor de um lado, amizade do outro
pra que não se perca a calma.

RAPIDINHO

No vôo das duas horas
embarcam velhas senhoras rumo a Miami Beach.
No vôo das cinco e meia
embarca uma sereia
para Atlantic City.
No vôo que estão chamando
eu embarco bem ligeiro
pois não consigo rimar o passageiro
que sobrou.

O HOMEM E AS TRIPAS

17 Setembro, 2011

O homem que desconhece as tripas
pergunta à barriga que ronca:
- O que há dentro de mim
que faz tanto barulho assim?

As tripas que desconhecem quem as segura
(e são surdas)
continuam a faina diária
sem se preocupar com perguntas,
pois acham a barriga do homem
casa muito acolhedora
para a procriação de vermes e bactérias.

DOIS POEMINHAS FAMILIARES

10 Agosto, 2011

FLOR

Cidinha de Arruda Leite
mulher do Esmeraldo
irmã da Celina
(que nasceu para ser princesa)
é poesia por si só,
basta escrever assim, o nome dela -
Cidinha -
e a poesia está.

OITO DE DEZEMBRO

Santa Generosa,
igreja demolida
pra dar lugar a um viaduto.
Uma tia minha
que se casou nessa igreja
também teve o casamento destruído
Cecília, a tia demolida
deu lugar à Tereza/viaduto
que lhe sucedeu.
Se tivesse adivinhado
casava na igreja de santa Ifigênia
que está de pé até hoje.

POEMETOS

19 Maio, 2011

ESTAMPIDO

Feixe de nervos à espera do tiro
Fim ao tremor elétrico dos nervos,
ao pavor histérico dos medos.

NAUFRÁGIO EM ROTERDÃ

Andar no prumo imaginário da razão.
Estar e já não estar.
Dançar sem mover um músculo.

NO TEU PEITO

Boto o ouvido no teu peito
e lá de dentro eu escuto
teu coração batendo forte
numa dança comedida.

PROMESSA

És meu, sou tua
ainda que optemos pela sorte
de não ter o que se quis.

És meu, sou tua
ainda que por medo
de morrer de amor
percamos a vez
de ser feliz.

TULE

Em dias de dor sublimada,
em dias de lembrança da dor
(arrebentação)
expludo em câmara lenta
e tento reescrever a vida.

COLA

27 Julho, 2010

Lápis preto número dois
seguindo a trilha do desenho
que se esconde por baixo do papel de seda.

Gosto da ideia do destino
como algo assim:
previamente traçado.

Embora duvide um pouco.

PRETÉRITO IMPERFEITO

30 Abril, 2010

bastasse
fizesse
quisesse
amasse

Os verbos do pretérito
imperfeito
são verbos doces e mansos
Colocam à distância o passado.
Não tão perto que ainda doa
nem tão longe que se esqueça.

***

Agradeço comovida as manifestações candentes deixadas neste blog pelas crônicas que tenho publicado. Quando retomei o assunto foi simplesmente como curiosidade histórica. Estou pasma de saber que elas ainda mobilizam muita gente e conservam seu vigor. Bom fim de semana! Semana que vem tem mais.

LIÇÕES ARGENTINAS

16 Abril, 2010

Foi preciso que um tio

se atirasse

do oitavo andar

de um prédio

na Argentina

pra mostrar que a morte

não é coisa pra se esperar sentado.

A morte é coisa que se vai buscar

lá embaixo

no fundo da calçada

da Argentina.

ABRIL

1 Abril, 2010

Quisera estar gorda e nutrida

somente de ti.

Jibóia estendida ao sol.

Mas os pensamentos correm

com tal velocidade

pela minha cabeça

que fico tonta

com o que sei de mim.

CALVÁRIO

18 Março, 2010

E por ter sofrido tanto
e tão desesperadamente,
e por ter ficado tanto
tanto tempo
aqui sozinha,
e por ter esperado tanto
pelos beijos teus,
quando te encontro
machuco tua carne dura
com socos, mordidas e pontapés
pra que sofras um pouco por mim também.

Depois durmo
morta de medo
que este amor
não me acorde mais.


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