Doidivana

blog da escritora Ivana Arruda Leite

FIM DA SEGUNDA TARDE

3 comentários

Falo muito com vocês porque se não é com vocês eu não tenho com quem falar. Tentei dormir à tarde mas fui expulsa pelo cara da portaria que ligou puto da vida: “dá pra vocês desocuparem o quarto pra faxineira limpar? Que merda. Tem sempre uma enfiada aí dentro”. Claro que não foi bem assim que ele falou, mas eu entendi a mensagem, vesti minha roupa e saí. Minha mãe e minha filha eu não fazia ideia pode onde andavam. Fui até Inzval (ou coisa parecida), a livraria da esquina, comprei 2 cds na banca de promoção de Folclore argentino e fui caminhar um pouco. Na volta, entrei numa padaria aqui na esquina, tirei o livro do Joca da bolsa, pedi um café, uma água, uma empanada de carne (a melhor de toda a minha vida!) e fiquei lá do capítulo 7 ao capítulo 9. Às vezes dá vontade de matar o Joca. O bandido sabe fazer suspense como ninguém. Daqueles de deixar o leitor muito puto da vida. Dá vontade de dizer como o personagem num dado momento: caralho, eu só quero a história do meu irmão (transcrição não literal). Voltei pro hotel. Minha mãe, o porteiro me contou, pegou um taxi e foi pra Calle Florida e a Bebel eu nem desconfio por onde ande. Anoitece em Buenos Aires. Espero que esteja tudo bem com todos. Ouço a campainha da portaria. Deve ser uma delas, ou ambas.

Autor: Doidivana

escritora de forno e fogão

3 thoughts on “FIM DA SEGUNDA TARDE

  1. Oi Ivana,

    Estou adorando o relato de sua viagem e agora lendo o comentário do Joca Terron não pude deixar de comentar, estou numa viagem a trabalho e trouxe o livro dele (sua propaganda foi boa e eu comprei!), não pude deixar de ler durante todo o voo do Panamá a Santo Domingo, uma pena que o trabalho vá atrapalhar minha leitura, estou muito curiosa com essa história…rs

    Abraços,
    Debora

  2. Ivaninha

    Você não devia ter levado meu livro. Me sinto culpado por estar atrapalhando tua viagem. Só te digo uma coisa: BAR EL FEDERAL, San Telmo. Senta lá e fica. Pede uma milanesa a napolitana e uma garrafa de vinho. Não esqueça da água com gás. Observe as pessoas que vem e vão. Acabou o que estava lendo (meu livro)? Pede ao garçom que segure a mesa, atravesse a rua e entre na livraria Fedro (pra mim, um dos acervos mais diferenciados da cidade — você perceberá que hea muitas livrarias por aí, mas os livros são sempre os mesmos). Compre um deles. Volte pra mesma mesa. Continue a ler. Peça outra garrafa, acompanhada agora de medialunas ou um tostado de presunto e queijo. Observe como as pessoas vão mudando, mudando. Você também começará a mudar, conforme a garrafa seja esvaziada. De repente, uma cantora de tango ambulante. E então, a noite. REPITA tudo no dia seguinte.

    Beijos

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