Doidivana

blog da escritora Ivana Arruda Leite

DO FUNDO DO POÇO SE VÊ A LUA

2 comentários

Antes que comece a terceira eu preciso dizer: puta que pariu, Mr. Joca Reiners Terron

Terminei de ler o seu livro neste exato momento. Com certeza não conseguirei dizer tudo que seu livro me causou por isso me calo. Uma aventura afetivo-delirante de estarrecer. Mil vezes tive vontade de te matar. Você é muito mau com o leitor. Mil vezes tive vontade de te beijar na boca. Você é muito bom no que faz. Mil vezes tive vontade de cortar seu pau. Esse imenso pau sem ventre que fica boiando num pedaço do céu entre o Cairo, São Paulo e Buenos Aires. Mil vezes tive vontade de ser a Cléopatra mãe, a número 1 que gerou Willian, Wilson, Joca, Bel, Bebel, Ivana, Marcelino, Ronaldo e essa constelação que corre atrás de paus e bucetas eternamente desencontradas, de cabeças desatarraxadas, de luas boiando no fundo do poço. Adorei seu livro, Joca. Já tinha lido o primeiro capítulo lá no fim do ano passado, quando você me mandou por email, e amado. Agora, ao abrir o livro e começar a lê-lo senti um arrepio. Não era nada daquilo que eu tinha lido. Comentei com Andrea: tô com medo de ler. Acho que o Joca mudou tudo. Acho que não vou gostar. Era tão lindo… Realmente, você mudou tudo. Realmente me deixou puta por umas 50 páginas. O livro era tão lindo. Mas depois, aos solavancos, você foi me ganhando e eu fui pirando e te xingando: “que bosta, eu não gosto de livro delirante. O Joca me prometeu que dessa vez escreveria um livro normal”. E o pior/melhor é que, com toda a piração, o livro é normalíssimo. Joca é um escritor barroco, cheio das nove horas. Ali onde qualquer um usaria meia dúzia de palavras, por exemplo: “ele chegou e pediu uma cerveja”, o Joca usa 500. E você vai na dele e não consegue desgrudar do papel. Até porque no meio da poesia e do delírio tem MUITO do humor joquiano. “Sua cara estava fechada como uma tupperware lacrada a vácuo” é uma das tiradas que ficou na minha memória. Além de coisas belíssimas acerca do amor fraternal. Cito uma: “uma conversa entre irmãos costuma ser a primeira vez que experimentamos em nossa vida a total incapacidade de comunicar de maneira fiel o que sentimos”. Não é uma jóia rara do Nilo? Terei que ler o capítulo 10 de novo porque não foi fácil acompanhar a trama com Bebel se aprontando pra ver o Cristian e trocando idéias com minha mãe. No momento exato em que cheguei na última palavra, ela estava dizendo: “vó, você tem que entender que ser deusa dá um certo trabalho”. Isto porque minha mãe estava horrorizada com a quantidade de cremes que ela passa após o banho. Joca! Eu estou com a Cleópatra aqui no quarto, bem na minha frente! Não tinha maneira melhor de celebrar o prazer que seu livro me causou. BEIJOS, meu amigo, e parabéns. Tô emocionada.

Autor: Doidivana

escritora de forno e fogão

2 thoughts on “DO FUNDO DO POÇO SE VÊ A LUA

  1. Oh, Ivana: sensacional. Tô naquela onda de imaginar o que se passa na cabeça de quem anda lendo o livro e — que bom que você disse o que se passa na sua, e tão bem — fiquei feliz com sua leitura.

    Quanto ao capítulo 1 que você leu lá trás, bem eu não mudei uma vírgula na versão que tá no livro. Quer dizer, mudei uma vírgula outra, mas nada além disso.

    Beijão e valeu!

    • ai, Joca, não sei não. Depois vou comparar. Na primeira versão tinha um longo trecho que relatava os dois no útero da mãe. No livro, a descrição ficou mínima. Ou é tudo piração da minha cabeça mesmo. Bj

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