Doidivana

blog da escritora Ivana Arruda Leite

MARAVILHA, PERO NO MUCHO

6 comentários

Se eu fosse um homem bem bacana, bem inteligente, desses que sabem o que querem e não se contentam com pouco eu casaria comigo. E ainda agradeceria aos céus por ter encontrado uma companheira tão inteligente, perspicaz, que topa qualquer parada, faz quitutes maravilhosos e tem sempre a palavra certa na ponta da língua.
Vai me dizer que, às vezes, você também não se sente a mulher-maravilha, capaz de fazer feliz o mais exigente dos homens? Coitado dele, que ainda não me viu. E o que dizer dos que passaram por mim e não me quiseram? Não sabem o que estão perdendo. Mulher como eu não se acha em qualquer esquina. Mas tudo bem, eu era muita areia pro caminhãozinho dele.
Enquanto o gajo continua com aquela garotinha nada a ver, a mulher maravilha vai tocando a vida sozinha, segurando firme no corrimão pra não cair.
Nada mais fácil do que construir uma super imagem e jogarmos a culpa nos outros por não nos darem o justo valor. O sentimento de injustiça (eu merecia ser mais amada, eu merecia ganhar mais, eu merecia uma vida melhor) é uma ótima cortina de fumaça pra embaçar a realidade.
Mas se umas erram pra mais, outras erram pra menos.
Quantas mulheres maravilhosas eu não conheço que se julgam as mais feias, burras e desajeitadas do planeta? Também facilita. Já que eu sou uma porcaria, o jeito é me contentar com esse traste que está comigo e não sonhar com nada além.
Difícil mesmo é saber o exato tamanho que temos, até onde podemos ir, do que somos capazes, do que não somos.
Jamais vou esquecer um elogio que recebi um dia. Eu estava fazendo o máximo pra parecer uma pessoa altamente interessante pra um cara que eu queria impressionar e eis que ele me sai com essa:
– Você ri muito bem.
Ele não elogiou minhas idéias mirabolantes nem minha vasta incultura, nem minha inteligência faiscante, nem a originalidade das minhas opiniões. Ele gostou mesmo foi da minha risada. Claro que eu gargalhei o resto da noite.
A verdade é que, quando somos nós o foco da questão, temos somente uma vaga idéia a respeito. O jeito é ir tateando. Aliás, considerando os oito graus de miopia da mulher-maravilha que vos fala, nem dá pra ser de outra forma.

(crônica publicada na Revista da Folha em 2004, quando eu ainda era míope)

Autor: Doidivana

escritora de forno e fogão

6 thoughts on “MARAVILHA, PERO NO MUCHO

  1. Ivana, vc eh incrivel. Amo seus contos, quero todos os seus livros, eh soh eu chegar ao Brasil e vou me dar esse luxo.
    Eu encontrei seu blog ha alguns meses quando estava gravida da minha Bebel, digitei Bebel no google por pura falta do que fazer e cai aqui, nunca deixei de vir.
    Espero ter com minha filha uma relacao tao legal quanto a que parece ser a sua com a sua Bebel.
    Bjos

  2. E a miopia não é boa? Malditas lentes! Prefiro o mundo sob neblina.
    Beijos!

  3. Olá Ivana Arruda Leite.

    Li comentários sobre o seu livro no Jornal RASCUNHO. Me interessei em conhecê-lo. Entramos no seu blog, muito interessante, mas não encontramos seu e-mail. Envie-o para nós. Será interessante mantermos contato. Aguardo. Um abraço, Maria José Giglio.

    Se quiser saber sobre nós, nossos endereços são:

    Site: http://www.casadoescritor.org.br

  4. Haja tanto para essa que lê conseguir se encontrar. E ainda não sei se erro para menos ou para mais, mas erro, e muito!

    abraço.

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