Doidivana

blog da escritora Ivana Arruda Leite

ANOTAÇÕES MATINAIS EM ÁGUAS DE SÃO PEDRO

4 comentários

Duas coisas que eu não entendo em hotéis. A primeira é por que eles colocam meia dúzia de travesseiros gordos e volumosos sobre a sua cama e nenhum, unzinho que fosse, travesseiro menorzinho, mais fininho, mais ao gosto de casa da gente. Quem consegue dormir com esse volume imenso sobre a cabeça? Não quero passar a noite sentada. Meu corpo clama pela horizontal e, em se tratando de cama de hotel, é tudo ou nada. Jogo todos os travesseiros no chão e durmo sem nenhum. O que também não é o jeito mais legal de dormir. Enfim, custava colocar três travesseiros grandões e três mais baixinhos? Não, não custava nada. A segunda coisa é: quem decretou que os tapetes de borracha que ficam dentro do box do banheiro estão proibidos? Não existe mais em hotel algum. E nós, da terceira idade, que corramos o risco de nos ensaboarmos com os pés tremelicantes no piso escorregadio, cairmos, quebrarmos uma costela ou coisa pior e ficarmos imobilizados pro resto da vida. Uma queda na minha idade é coisa perigosíssima. Aliás, em qualquer idade. E quando se toma banho sem tapete, o risco é imenso. Se querem saber, os pés eu não lavo desde que saí de São Paulo. Já tomo banho morta de medo, ensaboá-los então, nem pensar. Na próxima viagem que fizer vou levar um pedaço de borracha na mala (tipo pad-mouse, de computador, sabe? Mas só que pad-pé) pra colocar no box e tomar banho sem medo. Viva o pad pé!

Eu descobri um jeito de viajar sem sofrer: é só fazer da viagem uma narrativa. Como aconteceu em Buenos Aires, como acontece agora. A viagem ganha uma finalidade que transcende o sofrimento que ela normalmente me causa. Mas não é qualquer narrativa. De nada adiantaria eu estar com um caderninho tomando nota de tudo pra contar e escrever depois. O barato é ir contando em tempo “real”. Eu estou aqui pra contar pra alguém e aí tudo ganha outra dimensão, outro sentido e uma graça extrema! Sou ou não sou uma narradora nata? Eu escrevi em algum lugar: parece que eu vivi tudo que eu vivi só pra ter uma bela história pra contar. Quanto mais sangue, quanto mais graça, quanto mais drama, quanto mais micos melhor. A história fica mais interessante. Alguém poderia me pagar pra eu ficar um mês numa cidade qualquer pra contar uma bela história de amor. Tenho certeza que seria um sucesso. Será que isso já foi feito?…

Autor: Doidivana

escritora de forno e fogão

4 thoughts on “ANOTAÇÕES MATINAIS EM ÁGUAS DE SÃO PEDRO

  1. adorei , mas eu tb acho que eles nos hoteis poderiam então colocar um banquinho dentro dos box para que os idosos pelo menos sentassem já que nem barra de segurança tem …. amei continue escrevendo

  2. Ivana,
    Eu viajo muito e não me lembro da última vez que vi um tapete de borracha no box do banheiro de algum hotel, por isso não deixo de levar um bom e velho havaianas (desculpe a propaganda…rs) para a hora do banho, fica muito mais seguro.
    Abraços e boa viagem!
    Debora

  3. Tô adorando…

  4. Querida!
    Que coisa mais deliciosa você está fazendo!
    O pessoal da Secretaria da Cultura deveria dar um jeito de aproveitar esse seu blog. Será que eles ainda não viram?
    Continue a curtir bastante, nos fazendo curtir também.
    Um beijo grande,
    Z

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