Doidivana

blog da escritora Ivana Arruda Leite

33 – parte 2

6 comentários

É impressionante como tem gente querendo que a gente ande no caminho do bem. Chega a ser comovente. Foram tantas as palavras de incentivo e apoio, que eu tenho que voltar ao assunto.
Lívia Garcia-Roza, amiga, escritora e psicanalista, me escreveu: “essa é a pior das separações, pois pode-se voltar a qualquer momento. Cuide-se”.
Neide Rigo, a prima nutricionista, aconselhou: “coma bastante jiló, berinjela, tomate, batata e pimentão porque tudo isso tem um tiquinho de nicotina que ajuda. Em pequenas doses, ela tem efeito estimulante e dá uma abrilhantada na memória”.
Sérgio Fantini, escritor mineiro, me preveniu: “eu estava há 1 ano e meio sem fumar. Bastou um traguinho e comecei de novo”. Portanto, nada de traguinhos inocentes.
Muitos disseram que pararam de fumar, mas pretendem voltar quando fizerem 70 anos. É sempre essa a data, o número cabalístico. Parece que depois dos 70 pode-se entregar pra Deus e ser feliz como o diabo gosta.
Uma coisa interessante que constatei é que ando bem menos ansiosa. Grife-se o menos. Sempre pensei que fosse o contrário, que, sem fumar, minha ansiedade subiria a níveis estratosféricos. Embora pareça incrível, eu estou calminha, calminha. E o mais legal: fugindo de situações que possam me estressar. A conclusão a que cheguei é que o cigarro, em vez de aliviar a ansiedade, a provoca. Aliás, só de não ter que ficar pensando: aqui pode, aqui não pode, estou incomodando, não estou incomodando, vou lá fora, não vou, a gente já sente um alívio danado.
Quem tira o cigarro da vida, acaba tirando um problemão das costas (atenção, slogan à venda).
De tudo que tem me acontecido, a coisa mais engraçada foi essa que conto para virar a página de uma vez. Outro dia eu estava saindo do Encontros de Interrogações, um evento literário muito bacana que teve na cidade, quando abri a bolsa para pegar a chave do carro. Neste momento, uma simpática garota se aproximou e me disse:
– Eu estava aqui atrás, de olho, pra ver se você ia pegar um cigarro.
Eu sorri e me dei conta de que estou sendo filmada. Há espiões por toda parte e eu nem posso reclamar.

(crônica públicada na Revista da Folha em novembro de 2004. E atenção, as crônicas estão acabando. Só tem mais duas)

Autor: Doidivana

escritora de forno e fogão

6 thoughts on “33 – parte 2

  1. mas você nunca mais voltou pro cigarro?

  2. Não! Não acabe com as crônicas! Ah, adoro tanto ler, sou nova nesse negócio de blog, não sei bem como funciona, gosto de tudo mais no blog, mas as crônicas me deleitam! Se elas estam acabando, trate de escrever mais, não sei como vai se arranjar, mas quero crônicas! Rsss… Abraços! (espero que tenha se livrado do cigarro, não quero parecer insensível, rssss, mas é que eu adoro as crônicas, essa foi uma ameaça cruel, só mais duas…! :D)

    • As crônicas que coloquei aqui foram publicadas na Revista da Folha, de fevereiro a dezembro de 2004. 24 ao todo. Quem sabe eu me anime e faça umas inéditas, pra colocar aqui. Mas se você reparar bem, muitos dos meus posts são crônicas, vai… Um beijo

      • É, eu adoro tudo do seu blog (ou seja, tudo que a senhora escreve, inclusive) mas é que as crônicas… as crônicas, eu gosto das crônicas, rsss… Tá, sou esquisita, rssss, mas as crônicas…rsss…
        Em 2004 eu tinha… 11 anos, então não acompanhei elas na Folha, quando descobri que a senhora tinha um blog, eu devorei ele todinho, já li as crônicas anteriores, quero novas! Então trate de se animar e me arranjar novas crônicas, contos…
        (por favor??)
        [imagine uma carinha daquele gatinho do Shrek! *-*!]
        Beijos
        🙂

  3. O slogan é genial!
    Mas não consigo parar. Gosto de giló, berinjela, tomate e batata. Pimentão nem tanto.
    E com o ar de SP, tá ficando cada vez mais difícil ser fumante. O primeiro cigarro do dia já parece o último.
    Acho que vou apelar. Uma reza, uma simpatia, injeção de nicotina pura na veia, e uma bala doce na boca, porque haja carência que justifique o hábito, e haja falta de noradrenalina que justifique o vício.
    Snif, snifs…
    Bom feriado pra você, limpíssima que está dessa droga! Parabéns pela força, pela perseverança!
    bjs

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