Doidivana

blog da escritora Ivana Arruda Leite

UMA NOITE EM 67 + AJI

5 comentários

Vamos na sequência: primeiro fui almoçar no AJI, na Bela Cintra, aproveitando o SPRW (sobejamente citado neste blog). Há muito eu queria conhecer esse badalado restaurante de inspiração peruana.

O lugar é bacana, todo zen e modernoso

o ceviche de entrada, nota 1000. Demais! Em vez de limão, o forte é o suco de laranja. Pra mim, que sempre acho que a acidez do limão mais atrapalha que ajuda, estava perfeito.

o prato principal era um escondidinho de peixe com purê de batata e essa couve frita por cima (total modinha nos restaurantes de SP). Tava bom mas não de cair o queixo. Um 9 tá de bom tamanho.

eu nem ia pedir sobremesa mas o garçonzinho insistiu e eu aceitei. Agradeci a ele no final. Um sorvete de… (esqueci) com uma saladinha de frutas minúsculas delicioso.

Saí com uma boa impressão mas podia ser melhor. Talvez fora do SPRW provando o couvert, outras comidinhas, uns pratinhos mais interessantes a média se eleve. Enfim, não é um restaurante que mereça que você assalte alguém na rua pra ir.

E agora vamos ao filme, que está mais ou menos na mesma trilha do almoço. Bom, tudo certo, bacana, bem feito mas…

Na verdade é um documentário. E só. Mesmo. Não é como o Dzi Croquettes que tem um apelo emocional super forte, um filme que vai muito além do mero registro. Aqui os diretores se limitam a registrar. Pra mim, que vi ao vivo e sem cores a coisa acotecendo, que li o livro do Zuza Homem de Mello e outros sobre os festivais não tinha nada, rigorosamente nada, que eu já não soubesse ou tivesse visto. Tudo bem, eu não sabia que o Paulo Machado de Carvalho, diretor da TV Record, teve que arrancar o Gil da cama, dar banho nele e vesti-lo pra que ele se apresentasse à noite, tal era o pânico do rapaz. Além do mais, é sempre bom ver Caetano, Chico, Edu e outros falando daquela época, rindo de si mesmos, dizendo que não têm saudade do tempo que passou. A única saudade que Caetano tem é do corpitcho que ele tinha, mas isso até eu que sou mais burra. Outro momento legal é quando alguém faz uma pergunta pro Edu Lobo e termina: “afinal, você era um moleque”. Ele para um pouco pra pensar e diz: “é verdade, eu tinha 22 anos, mas sabe que eu não era um moleque?”. Em seguida ele dá as razões dele: já pensava com muita seriedade na carreira, tinha projetos a longo prazo, se esmerava em fazer tudo muito bem feito, etc etc

O engraçado é que o tempo todo (o filme se passa numa única noite: a final do festival no ano de 1967) eu pensava: “eles tinham só 22, 23, 24 anos. Eram umas crianças”. Mas pra mim, que os idolatrava, eles eram senhores no topo da sabedoria musical, artística, intelectual. Isto se dava, em parte, porque eu tinha 16 anos mas também porque eles eram MESMO a nata da nata da universo musical, artístico e cultura do Brasil naquela época (ditadura severa). O Edu estava certíssimo na sua colocação. Ninguém ali era moleque. Caetano já era Caetano, Chico era o Chico e assim por diante. Não quero ser saudosista nem puxar a brasa pra minha sardinha, mas pega um cantorzinho de 22 anos de hoje em dia, desses que ganham prêmios e levam as meninas ao delírio e compara…

Um momento histórico é a famosa cena do Sérgio Ricardo jogando o violão na plateia. Os mais de quarenta anos que se passaram só serviram pra mostrar como aquela música era mesmo horrorosa. Certa estava a platéia. O absurdo é que no seu depoimento, ele fala: “todo mundo apoiou a minha atitude. Se alguém me criticou eu não soube”. Como assim? O Brasil inteiro achou aquilo um absurdo. Eu, ao contrário dele, não me lembro de ninguém que o tenha apoiado. Mas a memória é traiçoeira.

Enfim, apesar de não ser assim super emocionante, vale a pena assistir nem que seja pra olhar o Caetano coroa e dizer: “pô, eu já gostava do cara certo desde aquela época”.

Autor: Doidivana

escritora de forno e fogão

5 thoughts on “UMA NOITE EM 67 + AJI

  1. Ei, Ivana. Também não tive grandes revelações, mas consegui, enfim, entrar no Teatro da Record. E foi o que me pegou no doc: me levar a uma noite em 67, a da tão falada finalíssima. Ali, naquela tela imensa, estavam aqueles garotos e tbem o que o tempo fez com eles – fiquei com a impressão de que continuam os mesmos. Outra coisa: como se fumava em 67, Chico dá entrevista com um cigarro, Realli Jr entevista com um cigarro… e as mulheres todas trabalhadas nos cílios postiçõs. Nem falei das músicas, mas precisa não – eram lindas as finalistas. E continuam sendo. Beijo.
    Mais uma coisinha: Chico e Edu já eram Chico e Edu. Roberto também. Caetano e Gil ainda não. Tanto q os entrevistadores chamam Caetano de Veloso. Ambos, sem nada a perder, podiam ousar. E ousaram, né.

  2. Ivana, também tive a mesma impressão do filme. Mais do mesmo, porém, gostei de ter levado Lívia, que não sabia de quase nada. O que mais me chamou a atenção foi o fato dos próprios artistas não darem muita importância àquilo tudo, não serem nem um pouco saudosistas, isso achei bem bacana. Fora aquela história do cagaço de Gil, que no palco, não aparenta de forma alguma. Beijos, K.

  3. Querida: mais uma vez fechamos em tudo. O filme me deu a mesma sensação. E, além do que você disse dos não-moleques geniais, pôxa, como eles eram lindos, hein! Beijocas

  4. “Ninguém ali era moleque. Caetano já era Caetano, Chico era o Chico e assim por diante. Não quero ser saudosista nem puxar a brasa pra minha sardinha, mas pega um cantorzinho de 22 anos de hoje em dia, desses que ganham prêmios e levam as meninas ao delírio e compara…”

    Essa é uma comparação que dói.

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