Doidivana

blog da escritora Ivana Arruda Leite

PARIS NÃO TEM FIM

1 Comentário

Hoje, na Globo, começa um seriado cujo título é: Afinal, o que querem as mulheres? Pois no livro Paris não tem fim, Vila-Matas responde: “De fato, tenho para mim, as mulheres querem somente uma coisa, que os homens queiram se deitar com elas”.

Neste momento só o que eu quero é falar mais um pouco desta delícia de livro do magnífico escritor espanhol nascido em 1948 (tão novo!), Enrique Vila-Matas.

Se nas primeiras cinquenta páginas eu já estava apaixonada, ao término da leitura estou de quatro com essa narrativa fascinante e com a forma como ela é contada.

Já tinha lido dois livros de Vila-Matas, Viagem vertical e Bartleby e companhia, este com autógrafo do autor que ganhei quando fui vê-lo numa palestra na livraria Cultura do shopping Vila-Lobos em 2004 (?). Me lembro que fui com Alexandre Barbosa, que trabalhava na Cosac na época, e foi quem primeiro me falou de escritor catalão. Ou será que estou inventando tudo isso? Sinceramente, não sei.

Como disse aqui anteriormente, ganhei o livro do Joca (que o traduziu) no dia da rabada e no dia seguinte não o encontrava de jeito nenhum. Eu e a Nice viramos a casa de cabeça pra baixo e nada. Horas depois que ela se foi, passando à toa pela sala encontrei-o sobre o aparelho de som por onde havíamos passado centena de vezes. Enfim… Vila-Matas resolve sumir e se materializar à minha frente quando bem entende.

Gostei muito do Bartleby mas não consegui chegar ao fim do Viagem Vertical. Agora vou atrás dos dois últimos (Doutor Pasavento e Suicídios exemplares), além de empreender novamente a Viagem Vertical.

Em Paris não tem fim ele fala do começo de sua vida de escritor, antes mesmo da publicação do primeiro romance. Como não sou resenhista e tenho muita preguiça de escrever racionalmente sobre coisas que estão em completa ebulição dentro de mim, transcrevo uns trechos ao acaso esperando que eles te levem ao todo.

“Foi a primeira vez que percebi que o elegante podia ser algo diferente do que eu sempre havia pensado, talvez o elegante fosse viver na alegria do presente, que é uma  forma de nos sentirmos imortais”…

“Até que descobri como pode ser pouco elegante passear triste, morto e desesperado pelas ruas de seu bairro de Paris. Compreendi isso neste agosto. E desde então encontro a elegância na alegria (…) Afinal, temos toda a eternidade para nos desesperar”.

Uma frase que ele ouviu de um escritor num café de Paris e que nunca mais esqueceu: “Hoje escrevi a primeira página de um romance , e não sei do que se trata, sei porém que um ano de obsessão me espera”. Como esta, há inúmeras conversas que ele rememora, com escritores do Olimpo e da sarjeta, e que nós também nunca mais esqueceremos.

“Se eu fosse um escritor de verdade…” e a isso somam-se dezenas de chavões do que ele achava que era ser escritor. De doer de bom; de morrer de vergonha. Tudo que ele achava que era ser escritor vai por terra pra sobrar só a certeza hemingwayreana de que o escritor é nada e sempre será nada no meio do nada.

E o que é pior: um nada único e irrepetível, o que só aumenta a angústia e a solidão.

Só sei de uma coisa: aqui começa um ano de obsessão.

“À merda”.

Autor: Doidivana

escritora de forno e fogão

One thought on “PARIS NÃO TEM FIM

  1. Ivana,só por essa interessante e apaixonada recomendação vou comprar o livro.Dia desses estive com Marta Pernambuco e perguntei por vc.

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