Doidivana

blog da escritora Ivana Arruda Leite

A BOCARRA DO JACARÉ

1 Comentário

Nasci e fui criada nessa fazenda, onde moro até hoje. Uma vez por mês meu pai e meus irmãos vão pra Cuiabá comprar gado, eu fico com minha mãe. Ela preferia que os meninos estudassem, mas meu pai dizia que estudar é coisa de mulher. Quando papai está em casa, à noite, a gente senta na varanda pra escutar os casos que ele conta com muito exagero nos gestos e na voz. Se for preciso, fica em pé pra explicar melhor como escapou da onça que estava atrás da moita, ou da bocarra do jacaré que ele viu ali, bem na sua frente, quando nadava no rio. Metade do que ele diz é invenção mas mesmo assim a gente fica num suspense danado até ele dizer: “graças a Deus, dessa vez terminou tudo bem”. Meus irmãos mais velhos são casados e têm a vida deles. Eu sou única mulher e por isso estudei, mas continuo solteira. Não reclamo porque nunca almejei vida diferente: o cheiro de café coado, o barulho da boiada ao longe e a bocarra do jacaré que por pouco não fisga a perna do meu pai.

Autor: Doidivana

escritora de forno e fogão

One thought on “A BOCARRA DO JACARÉ

  1. Que legal esta crônica????! Lembrei do Manoel de Barro…. rsrrs

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