Doidivana

blog de Ivana Arruda Leite

DICAS DE LIVROS E A PEDRA NO MEIO DO CAMINHO

4 comentários

Três diquinhas boas pra te aquecer neste inverno:

1. Para ler romances como um especialista, Thomas C. Foster, ed. Lua de Papel, trad. Maria José Silveira – Um livro legalzinho pra pensar (sem muita profundidade) sobre algumas questões da escrita literária. É aquela coisa de americano: tudo em gavetinhas, cada uma com seu rótulo mas sabe que quando a coisa fica muito caótica até que é bom ver tudo assim arrumadinho? Só não pode acreditar que literatura se faz com receituário. Uma boa frase que grifei no livro: “não se mergulha duas vezes no mesmo romance”.

2.  Dois na cozinha – receitas e relembranças,  Lillian Hellman e Peter Feibleman. Ed. Paz e Terra, 1984 (só encontrável em sebos. Comprei o meu na Estante Virtual). Foi a Mika Lins quem me deu a dica dessa delícia de livro. Histórias divertidíssimas desses dois amigos que curtiram a vida adoidado. Metade do livro é Lillian relembrando histórias dos anos 20 aos 80, dos passeios por Paris com Pablo Picasso, por Nova Iorque com as mais altas rodas e fazendo receitas deliciosas para os amigos de lá e de cá, receitas que ela vai desfiando com a graça e o sabor da mais primorosa literatura. Ainda não cheguei na parte em que Peter Feibleman toma a palavra (aliás, quem é Peter Feibleman? Daqui a pouco saberei) mas já recomendo o livro de boca cheia.

e agora vamos ao filé mignon:

3. Amor sem fim, Ian McEwan, ed. Cia das Letras. Simplesmente O MELHOR livro deste grande autor inglês, nascido em 48, que ainda está produzindo a mil por aí. Este livro já foi lançado aqui em 91. Está sendo relançado agora pela Cia. SENSACIONAL, pra dizer o mínimo. Uma baita história bem construída, com personagens arrasadores, daqueles livros que você termina de ler e pensa: pra que escrever depois disso? Ian McEwan, pra mim, é um dos melhores autores sobre relações amorosas. Um dos que melhores constroem personagens femininos. Está aí um cabra que sabe falar de mulheres e por mulheres. A hsitória gira em torno da queda de um balão no campo onde Joe e Clarissa, um casal que se ama muito, estão fazendo um picnic. Daí pra frente você não consegue desgrudar. Duas frases do livro: “uma sociedade boa é aquela em que faz sentido ser bom” e uma mais longa: “Crer é ver. Por isso há divórcios, disputas de fronteiras e guerras, por isso a estátua da Virgem Maria verte lágrimas de sangue e a de Ganesha bebe leite. E é por isso que a ciência e a metafísica são empreendimentos tão corajosos, invenções tão impressionantes, mais improtantes do que a roda e a agricultura, criações humanas que contrariam características essenciais da própria natureza humana. A verdade pela verdade. Mas isso não é suficiente para salvar de nós mesmos, os sulcos são fundos demais. Não se pode encontrar a redenção privada na objetividade” Ufa…

Depois de Amor sem fim até pensei em retomar Solar (dele também), que eu detestei e parei no meio. Tenho uma tese que se confirma a cada dia: a melhor produção de um escritor é feita na primeira metade da sua carreira (nos dez primeiros anos?). Por isso, quando um escritor sentir que está no meio do caminho, o melhor a fazer é desviar da pedra que há ali e ir criar galinhas. É o meu conselho. Fui.

4 thoughts on “DICAS DE LIVROS E A PEDRA NO MEIO DO CAMINHO

  1. Ivana, vez em quando venho aqui pescar suas ótimas dicas literárias…tbém vou conferir “Amor sem Fim” e “Dois na Cozinha”…
    Abç

  2. já leu o “Jardim de cimento”, do Ian McEwan, Ivana? Será bom?

  3. Vou comprar “Amor sem fim” correndo!!!!!!!
    Bjs

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