Doidivana

blog de Ivana Arruda Leite

PINHEIRINHO, A ESTRATÉGIA DA TENSÃO

15 comentários

Coluna de ELIO GASPARI, hoje, na Folha de São Paulo

 

O conflito podia ter sido evitado, pois em 4 áreas (sem PSTU) houve negociação e todo mundo ganhou

Num conflito sempre há alguém que joga com a carta da tensão. Ele ganha quando ocorrem choques, prisões, feridos e incêndios. Na operação militar que desalojou 1.600 famílias da área ocupada do Pinheirinho, em São José dos Campos, ganhou quem jogou na tensão. Conseguiram mobilizar 1,8 mil PMs, numa operação que resultou em dois dias de choques, no desabrigo de 2.000 pessoas, dez veículos destruídos, quatro propriedades incendiadas e 34 presos.

A gleba foi invadida em 2004 e está avaliada R$ 180 milhões. É o caso de se perguntar o que poderia ter sido feito ao longo de sete anos para evitar que o maior beneficiado pelo espetáculo fosse a massa falida de uma empresa do financista Naji Nahas, que deve R$ 17 milhões à prefeitura.

Intitulando-se líder dos moradores, está no elenco Valdir Martins, o “Marron”, candidato a deputado estadual pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, o PSTU, residente em Vila Interlagos e diretor do Sindicato dos Metalúrgicos local, como representante dos trabalhadores de uma empresa que não existe mais.

Pelo lado do poder público, o elenco inclui o governador Geraldo Alckmin em cujo primeiro governo ocorreu a invasão e o prefeito Eduardo Cury, que está no cargo desde 2005. Ambos são do PSDB.

Em 2008, o advogado André Albuquerque, fundador da empresa paranaense Terra Nova, especializada em regularização fundiária, foi convidado para estudar o caso do Pinheirinho. Ele resolveu 18 litígios, legalizando lotes de 10 mil famílias, das quais 2.000 já têm escritura.

Sua metodologia é simples. A Terra Nova negocia um valor aceitável com o proprietário da gleba e os moradores, vai ao juiz que está com processo de reintegração da posse e homologa o acordo.

Retirado o obstáculo que impede obras de infraestrutura na área, a empresa apresenta um projeto de urbanização à prefeitura. O proprietário recebe seu dinheiro num prazo que vai de cinco a dez anos, e os moradores pagam prestações mensais que, na média, custam R$ 200.

No Pinheirinho, o lote poderia valer entre R$ 3.000 e R$ 6.000, com prestações de R$ 60 a R$ 100 por dez anos. Jamais um dono de lote perdeu a casa por falta de pagamento.

“Marron” ouviu a proposta e informou que seu movimento não aceita negociar indenização, muito menos pagamento. O outro caminho seria o da desapropriação, pelo Ministério das Cidades, mera promessa da Viúva federal. Nada feito. Uma reunião posterior foi boicotada pelos representantes dos moradores. Há poucas semanas, diante da ameaça de uso da força policial, apareceu uma milícia de fancaria, com escudos de latão e perneiras de PVC. Deu no que deu.

Deu no que deu porque os organizadores do PSTU, o governo de São Paulo e a Prefeitura de São José aceitaram a estratégia da tensão. O governo da doutora Dilma achou que o caso podia esperar e, depois do conflito, fantasiou-se de São Jorge para matar o dragão que já havia devorado a princesa.

Desde 2008, enquanto o caldeirão do Pinheirinho ficava em fogo brando, a Terra Nova de André Albuquerque resolveu quatro litígios fundiários urbanos. Três em São Paulo (Casa Branca, Jardim Conquista e 1º de Maio) e um no Paraná (Vila Nova, em Matinhos). Segundo ele, mais de 1.500 famílias foram beneficiadas, sem polícia.

15 thoughts on “PINHEIRINHO, A ESTRATÉGIA DA TENSÃO

  1. A coisa tá feia com essa briga. Queria dar um pequeno palpite: acompanho seu blog há tempos, mas acho que você está desdizendo o que fez, ou seja, você votou no Serra, não anulou seu voto. É só dar uma olhada o que você postou no dia da eleição presidencial.

    • Você deve estar se referindo a um post intitulado “No Spot”. Acredite se quiser, aquilo era simplesmente gozação e ironia. Eu não votei no Serra nem na Dilma. Da próxima vez, fotografo meu voto, tá? Certo está quem diz que internet e ironia são inimigos mortais. Escrevi um post fazendo uma piada e agora ele fica lá pra sempre. Já aviso que vou tirá-lo.

  2. Desculpe lindinha, mas nunca votei em candidato da Opus Dei, como você. Não procede você me chamar de reacinário. Quanto ao fato de você dizer que não emitiu opinião sobre o caso Pinheirinho, é de uma idiotice sem tamanho. O fato de você postar em seu blog a opinião dO E. Gaspari sem contestá-la fica claro que você a abalizou. Já sobre os sociólogos da USP, realmente errei. Você tem razão de criticar por eu idealizá-los, achar que todos são de esquerda. Veja o FHC. Um sociólogo uspiano de extrema direita. Fica nervosa não. Beijoca.

    • Desde a vergonha do mensalão do PT (2005), eu tenho ANULADO meu voto em TODAS as eleições, portanto, ninguém desta corja que nos governa foi colocado lá pelo meu voto. Falo da corja municipal, estadual e federal. Além disso, quem diz que FHC é de extrema-direita merece mais é uma boa de uma gargalhada kkkkkkkkkkkkkkk

  3. Já viu onde estão depositadas as famílias de Pinheirinho? Você deve procurar na rede a entrevista do advogado das famílias. Você deve ler a entrevista do Secretário da Presidência da República Paulo Maldos. Não leia somente a Folha de SP. Pesquise. Tome você mesma uma posição e não assuma a de outrem. Como uma socióloga da USP com mestrado pode ter uma opinião tão distorcida, tão careta e conservadora. Que tristeza

    • Eu leio o jornal que eu quero, meu!!! Como pode você criticar a minha opinião se eu não a expressei????? E que idealização idiota é essa a respeito dos “sociólogos da USP”????? Sai dessa vida, rapá…. Gente careta e reacionária existe em todo lugar. Agora mesmo eu estou falando com um.

  4. O acordo oferecido caiu do céu, pagar em média R$ 60,00 por mês para permancer em seu lote……..o “líder” do movimento pegou o caminho errado, e levou toda a comunidade junto com ele…

  5. Esse episódio bem poderia constar dos “negócios” denunciados no “A Privataria Tucana”, livro do Amaury Ribeiro Jr.

  6. Se nega um acordo, e a solução é polícia, violência e repressão? Imagine se você agisse assim no seu trabalho: alguém te faz uma contra-proposta sobre alguma coisa, e você enche a pessoa de porrada até aceitar a sua proposta? Por que o prefeito, o governador e a PM tem legitimidade pra agir em nome de Naha$ – lembre-se, ELE deve à prefeitura, não os moradores – e não agiram em nome da população que vive ali? Como NÃO culpar o poder público por NEGLIGENCIAR o problema, deixando para resolvê-lo com base na reintegração de posse? As pessoas estão lá desde 2004!

  7. Infelizmente precisou chegar ao ponto que os Senhores estão vendo. Ninguém tinha interesse em nada, nem os políticos em por a mão na massa e nem os representantes da comunidade, que esperam que o governo faça “caridade”.

  8. Claro. O Marrom é muito poderoso mesmo, mais poderoso que o prefeito, que o governador e que a polícia juntos. O Marrom estava errado de negociar as melhores condições para os moradores, devia mesmo é deixar essa massa pra um empresário tomar conta – afinal, todos os empresários sempre tomaram de conta da população pobre das periferias das cidades. É do interesse do Marrom ganhar uma fortuna com o terreno onde as famílias estavam morando, não é mesmo? O Marrom estava mesmo muito errado de não concordar com o empresário em questão, afinal, ele era empresário, e como tal, as pessoas têm a obrigação de aceitaram a proposta que seja construída por um empresário e não por um político.

    Fora isso o Gaspari escreve bem pra caramba. Por alguns minutos eu até acreditei que o Marrom estava em pé de igualdade na negociação com os governos. Por um momento eu acreditei que todos os políticos do PSTU e da esquerda raivosa manobram a pobreza pra que as pessoas continuem pobres e miseráveis, porque se dependesse da vontade livre dos empresários bons da nação, não existiriam pobres no Brasil.

    Grata por compartilhar o texto de um jornal que eu parei de ler faz tempo.

  9. Mas, ao final, que culpa teve o PSDB (Alckimin e Prefeito de SJC)? A proposta foi recusada pelo “Chefe” Marron, tão exaltado pela mídia “progressista”!

    O Hélio fez uma descrição fria e real do caso, dando a Cézar o que é de Cezar!

  10. Vc viu o editorial do Estadão ontem (CONFRONTO ESPERADO)?
    Vale a pena!
    Bjs
    Bel

  11. Melhor texto que li sobre o Pinheirinho até agora. Desde o começo tive dificuldade de tomar posição sobre esse caso, principalmente porque quase tudo que eu tinha lido até então eram matérias superficiais, com afirmações duvidosas, não comprovadas e achismos de todos os lados. Enquanto a maior parte dos textos “jornalísticos” eram críticos, li alguns comentários de supostos moradores de SJC defendendo a ação da polícia.

    Desde o começo, me incomodaram as críticas porque todas tinham um óbvio objetivo de capitalização de votos, vários textos atribuindo ao PSDB culpas evidentemente fora da alçada deles (nem todas, mas a parcialidade da divulgação de informações me deixou com um pé atrás). As defesas, por outro lado, quase sempre desconsideravam a relevância do aspecto social e humano.

  12. Não havia interesse em acordo. Só isso.

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