Doidivana

blog de Ivana Arruda Leite

ELENA, O FILME – OS ANOS 80 NÃO FORAM FÁCEIS PRA NINGUÉM.

11 comentários

elena

Hoje fui ver Elena preparada pra morrer de chorar. Acreditem, não tive nem o mais leve nó na garganta. Nem de longe. O filme é lindo. Um poema de imagens, palavras e cores. Mas é um filme doente sobre mulheres doentes. E a loucura não me emociona. Sou capaz de verter baldes de lágrimas com O que se move, por exemplo, onde se vê o drama real de mulheres reais, fortes, que são pegas no contrapé do destino e veem a vida ir por água abaixo. Mas a melancolia de uma família que embarca na ilusão de que a arte vale mais que a vida, sinceramente, me encanta mas não me comove. Minha vontade o tempo todo era mandar as três pararem de filmar, jogarem a porra da câmera fora, saírem do vórtice narcísico onde se meteram e irem procurar um bom psiquiatra. Os anos 90 não foram fáceis pra ninguém. Quem não fincou o pé na terra, dançou (no pior sentido do termo). Naquele momento, se eu não tivesse uma família de não-artistas que me obrigou a tomar vergonha na cara e trabalhar, com certeza não estaria aqui pra contar a história, pois em uma das 1032 vezes que eu pensei em me matar teria dado certo. Se a Elena tivesse alguém que lhe dissesse que a arte não pode ser tudo na vida de uma pessoa, que vida de artista é feita de 99 nãos e 1 sim, quem sabe ela prestasse um concurso público e se aposentasse aos 60 anos feliz da vida. Muitos vão falar: Deus me livre, que babaquice! Eu digo: mil vezes uma babaca viva do que uma artista morta. Até porque a arte continua ao alcance da mão da babaca. O filme é lindo, repito. Vale muito a pena assistir. Mas se tem um nome pra emoção que ele me suscitou esse nome é raiva. Uma menina tão bonita… Tomara que a Petra esteja devidamente medicada porque ela é talentosíssima.

11 thoughts on “ELENA, O FILME – OS ANOS 80 NÃO FORAM FÁCEIS PRA NINGUÉM.

  1. adoro quem não tem pudor de falar assim: “uma porra de um não sei oq”! kkkkkkk boas críticas…

  2. Nossa! Preciso ver este filme. Me pegou pelo pé seu comentário e mexeu com minhas emoções mais profundas…Medo!
    Saudade de estar por aqui…
    Beijo

  3. Olá querida você tocou no ponto certo, me identifiquei muito com o que escreveu, pois, também dependi de uma família de não artistas. E vivi algo bem parecido.
    bjs,

  4. Finalmente uma análise sensata sobre o filme. Esta e a de Inácio Araújo: http://inacio-a.blogosfera.uol.com.br/2013/05/24/dois-suicidios/

  5. Oi, Iva. Eu percebi o seu respeito, eu me reporto mais a uma visão como a da Rose Villanova, que comentou aqui. Eu depois falo mais com você sobre o filme. Beijão

  6. Só uma coisa, Iva, que não modifica nada do que você disse. Ela se mata nos anos 90, e os tratamentos seriam bem mais efetivos hoje. Pelo filme, a gente sabe que ela tomou Litium por um período ali. Não sei se havia muito mais o que tomar. Em todo caso, é só uma observação. Tive outra reação ao filme, mas adorei ler esse chamado ao pé no chão do seu post. E só mais uma coisa: acho que não vale a pena a gente enveredar por esse caminho de chamar a família de omissa e irresponsável. Não era só a Elena que estava num contexto em que se podia facilmente dançar, mas todos os familiares também. E a dor da culpa que eles carregam e que transparece no filme merece o nosso respeito, ao menos a nossa compaixão. Vamos com calma aí, comentadores…

    • putz, Bibi, eles merecem TODO meu respeito. Se eu não deixei isso claro, a falha foi minha. Eu só quis salientar o outro lado e acabei exagerando. Beijos

  7. essa coisa que vc viu no filme anda por ai a solta, dá muito blá blá blá e no fim tudo se resolveria com um bom tratamento psiquiátrico que ninguém acha que precisa mas enquanto isso vai deixando seus lastros de doença por onde passa como se fosse
    tudo muito natural, já preparada vou ver Elena.

  8. pois é, Ivana. Estar encarnado, habitar um corpo tem um preço e o preço é: casa, comida, roupa lavada, no mínimo. Esse tipo de abordagem é infantil. Infantil e mimada. Coisa de quem acha que não há que se pagar o preço por estar habitando um corpo. Concordo com você. Embora criar seja o motivo da nossa existência, o grande chamado da nossa alma, o corpo tem seus reclames imperiosos. Não aceitar isso é não querer crescer. Amadurecer. É querer ficar no colinho quentinho da mamãe com duas tetas sempre leitosas à disposição.

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