Céu de brigadeiro no litoral do Rio de Janeiro. Parati se ilumina. O problema é dar as notícias de manhã. O meu pior momento. Acordo às 7, espero o café ser servido às 8h30. Ando pela cidade esperando que a lan house abra. Espero a conexão . Até a cidade entrar no meu ritmo, demora. Mas, enfim, o dia ontem foi maravilhoso. A palestra do Bernardo Carvalho com o afegão foi bem legal. Bernardão falou que “literatura não tem nada a ver com bons sentimentos”. Gostei. Isso porque o afegão estava todo do bem, tipo, somos todos seres humanos, os sentimentos são os mesmos em qualquer lugar do mundo, etc etc. Nada a ver. “Eu sou da literatura de resistência”, BC pontificou. A mesa dos poetas também foi legal. Eucanaã é uma graça, a Angélica é um arraso (tão desajeitada que inventou de colocar um chiclé na boca minutos antes de ler o poema, imagina o que virou…), Heitor deu o recado direitinho. À tarde, o Joca mediou Mário Belatin, que é a maior graça de pessoa – viramos amigos de infância -, e Cristovao Tezza. Ambos maravilhosos, mas um não tinha rigorosamente nada a ver com o outro. Joquinha tirou leite de pedra. Esta FLIP foi a consagração de Joca Terron como mediador. O garoto recebeu uma proposta de um nome consagradíssimo das comunicações para um programa de TELEVISÃO!!! A palestra do Chico foi aquilo que vocês imaginam. Eu passei longe. Assisti na pousada da Marquesa (tinha um telão lá só para hóspedes), deitada numa chaise na beira da piscina, tomando cerveja, com a Bel, o Joca e o Bellatin. Conversamos a maior parte do tempo. Depois, eu, Joca e Bel fomos a um restaurante legal porque estávamos a fim de jantar decentemente. Comemos uma super moqueca deliciosa. Na rua, o bochicho era a festana rua da Lapa, n. 6. Todos que passavam por nós repetiam: rua da Lapa, n. 6. Depois da moqueca, lá fomos nós pra rua da Lapa. Casa linda, cerveja à vontade, todos os bacanas (do bem) presentes ao local. Mas eu tava morta. É incrível a diferença que faz você ter 40 e ter 58. Fiquei cinco minutos e fui dormir. Pela animação, a festa deve ter ido até o sol raiar. Daí eu acordo às 7 e não tem ninguém na rua, claro. Bel está super tristinha porque trouxe mala com duas roupas por dia e só está podendo usar UMA roupa por dia. “Você sabe como eu gosto de me arrumar, né, Ivana?”. A palestra do Marcelino na casa de cultura foi um sucesso. Nem deu pra eu entrar. Lotadésima. Só ouvia as risadas. Ontem, pra me desmentir, encontrei um monte de gente bacana e leitores super queridos do Doidivana. O Parreira, o André Junqueira, a Flávia. Esta última me deu um fortíssimo abraço e me disse: “você salvou minha vida. Várias vezes!”. Fico por aqui pois já estou perdendo uma palestra. A próxima é da tal Sophie, deve ser engraçada. O boletim de amnhã (e as fotos!!!) já será da minha casinha. Continuem rezando por mim. Beijos
NOTÍCIAS 3
4 Julho, 2009 by doidivanaNOTÍCIAS 2
3 Julho, 2009 by doidivanaPiove em Parati. Andar equilibrando-se nas pedras segurando uma sombrinha é coisa de bailarina de circo. Nunca mais venho pra FLIP sem minhas amigas. Metade da graça da festa vai embora. Aqui estou cercada de amigos, claro, mas aquela companhia travesseiro faz muita falta. Bel e Cacá (a gracinha da mulher do Grampá) têm sido minha Índigo, minha Andréa, minha Bebel. Ontem pensei em voltar pra casa num dado momento, mas passei batom, tomei um sorvete de chocolate e segui em frente. Valeu a pena. Fora a fuga dos chatos, que continua aquela de sempre. Ontem na palestra do Rodrigo, o Domingos de Oliveira falou: “a gente tem que olhar a arte pra entender a vida e não o contrário. O amor é uma coisa muito complexa. Eu não sei o que é o amor, mas se eu vejo um filme de amor eu sei o que é o amor”. Acho que foi a coisa mais bonita que eu ouvi aqui. Aliás, na viagem pra cá eu vim lendo o livro do Rodrigo Lacerda. Adorei! Um baita romanção pesado e triste, escrito lindamente, que você não consegue largar. À noite fomos a uma festa da Nova Aguilar e depois tentamos achar um bar que desse pra entrar. Insuportável. Tudo lotado, sem banheiro, banheiro sem papel, sem água, aquele inferno de sempre. Eu, Bel e Joca estamos só no gelzinho. Direto. Um vício. Gelzinho de passar nas mãos, bem entendido. Baita medão da gripe. O único bar que encontramos foi aquele um pouco abaixo da Pousada da Marquesa onde estava tendo sarau de poesia. Fomos lá pro fundo e tentamos abstrair. Eu aguentei meia horinha e fui dormir. Cheguei no hotel a tempo de me deliciar com o Carpinejar no Jô. Que máximo! Hoje tem palestra dos poetas e mais umas que eu não sei. Seu Ramiro, o dono da pousada, continua falando sem parar no café da manhã, o que me faz já sair pra rua de mau humor. E ainda tem a chuva pra piorar. Se pá, eu tô chegando pra feijoada amanhã. Caso contrário, se o sol sair e a vida voltar a sorrir, continuo por aqui e mando notícias.
NOTÍCIAS DA FLIP
2 Julho, 2009 by doidivanaQueridos, não tá fácil postar. Primeiro, porque a lan house é longe pra caramba. Segundo, porque o tempo é escasso entre palestras, cervejas, andanças e beijos. A palestra de hoje de manhã, do Joca com os meninos dos quadrinhos foi super legal. Todo mundo animado, gozadíssimos. A pltéia adorou. Maior sucesso. Depois foi a vez do Rodrigo Lacerda com Domingos de Oliveira, também maravilhosa. Eu tô naquela vidinha chata de almoçar na Marquesa em meio a celebridades e espumante. Só que o tempo fechou e está começando a chover. Tenho que correr pra pousada pra descansar um pouco porque à noite tem a palestra daquele cara que pensa que é Deus, ou que nega Deus, não sei bem.
FLIP, LÁ VOU EU
30 Junho, 2009 by doidivanaA mala está feita, a passagem comprada, os ingressos para as paletras e a máquina fotográfica estão na bolsa, o chapéu está na cadeira esperando a hora de partir. A partir de amanhã, este blog se desloca para a FLIP, de onde prometo mandar notícias eletrizantes e fofocas cabeludas. Você não pode perder.
A FEIJOADA DA RESENHA
27 Junho, 2009 by doidivanaQuando você recebe duas resenhas maravilhosas numa semana nos dois maiores jornais do país ou você é muito blasé e não tá nem aí ou você come uma feijoada com os amigos pra comemorar.

Ao Manuel da Costa Pinto e ao Francisco Quinteiro Pires

Faz a filha e o genro acordarem cedo pra brindar com você

Adrienne e Marcelino

Hermila Guedes e Tatto, gracinha de casal, amores de pessoa, amigos do Marcelino de longa data. Hermila foi a primeira a representar Angu de Sangue no Recife. Agora ela está gravando Hiroito em São Paulo.



exageramos
ALEGRIA É
27 Junho, 2009 by doidivanatomar café da manhã tendo ao lado essa resenha do Manuel da Costa Pinto, publicada hoje na Ilustrada da Folha de São Paulo.
VIDA SIMPLES
Primeiro romance de Ivana Arruda Leite é uma narrativa marcada pela nostalgia da vida autêntica
MANUEL DA COSTA PINTO
COLUNISTA DA FOLHA
O HOTEL Novo Mundo, na praia do Flamengo, é o cenário do primeiro parágrafo de “Quase Memória”, o lugar em que o narrador autobiográfico de Carlos Heitor Cony recebe um misterioso embrulho cujo remetente é seu pai, morto dez anos antes.
O “Hotel Novo Mundo” que dá título ao primeiro romance da contista Ivana Arruda Leite é uma modestíssima pensão no centro de São Paulo, sem memória ou sombra do glamour (mesmo decadente) do homônimo carioca. A coincidência -intencional ou não- oferece um paralelo entre as duas cidades que se estende ao conjunto dessa narrativa que oscila entre nostalgia da simplicidade e repulsa ao artifício. Renata, a protagonista de “Hotel Novo Mundo”, é uma mulher traída pelo marido que volta do Rio de Janeiro -onde vivia em ritmo de coluna social- para a São Paulo natal.
Na ponte aérea, faz amizade com um bancário também de mudança e instala-se com ele no tal hotelzinho (mas em quartos separados, antes que a empatia se aprofunde). A partir daí, ela entra em contato com personagens que compõem um universo de tipos humildes: a dona da pensão, dividida entre a cozinha e a televisão; uma menina doente e melancólica, que veio do interior para ser operada num hospital público; um jovem figurinista de vestidos de noiva; um pai de santo com loja de umbanda na vizinhança.
O contraste entre o meio social do qual veio a protagonista e esse “novo mundo”, composto por seres simplórios, tem algo do recorte sociológico consagrado pelas telenovelas: o núcleo rico -com sua agenda de coquetéis, jantares e relações extraconjugais (e que só aparece nas recordações e fantasmas da protagonista)- e o núcleo pobre -infinitamente mais variado, com tipos mais “humanos”, que extraem da privação uma vivência “autêntica”.
O Novo Mundo é um oásis encravado no centro degradado de São Paulo, com seus travestis e fumadores de crack: a dona do hotel impõe horários rígidos, proíbe que os hóspedes levem acompanhantes para o quarto -enfim, é um resquício de vida familiar tradicional. Estamos diante de uma narrativa moral, cujo “correlato objetivo”, o elemento concreto que serve de metáfora para a narrativa, são os pratos servidos no hotel (”comida de gente boa, trabalhadeira”) e a oposição entre o esplendor da Babilônia carioca (”uma cidade para semideuses”) e a miséria paisagística da capital paulista (”Em São Paulo você pode ser infeliz à vontade”).
Uma narrativa moral -porém não moralista ou moralizadora. Logo sabemos que o figurinista soropositivo é namorado do pai de santo, que o marido da dona do hotel é um boêmio que só tardiamente reconheceu a filha lésbica e que a própria protagonista fora prostituta de uma boate antes de se tornar esposa fiel.
Ivana Arruda Leite fez um relato ao mesmo tempo duro e singelo sobre a redescoberta de como “a vida pode ser simples”, de como comportamentos “desviantes” se incorporam à banalidade sem ambição -e de como o próprio romance (que já foi o mais corrosivo gênero literário) pode extrair beleza da banalidade.
HOTEL NOVO MUNDO
Autor: Ivana Arruda Leite
Editora: 34
Quanto: R$ 29 (122 págs.)
Avaliação: bom
A MELHOR COMIDA DO MUNDO
26 Junho, 2009 by doidivanaJuro que hoje eu fiz a melhor comida do mundo. Aliás, tenho feito comidas inacreditáveis ultimamente. Só por distração e para meu deleite próprio, único e intransferível.
OSSOBUCO COM PURÊ DE ABÓBORA E MACARRÃO CABELO DE ANJO
(os ingredientes aqui citados são para duas refeições de uma mesma pessoa)
Coloque 3 ossobucos numa panela de pressão com bastante água, sal, grãos de pimenta do reino, 3 cravinhos, tomilho, cebola, alho e abóbora cabochã em pedaços. Depois que começar a apitar, abaixe o fogo e deixe 50 minutos. Cuidado ao abrir a panela. A carne deve estar derrentendo e ter se soltado completamente do osso. Você vai coar, separar totalmente o caldo numa vasilha e colocar essa vasilha com o caldo na geladeira. Em seguida, você vai separar a abóbora da carne, colocando um em cada vasilha diferente. Pegue os ossos com o tutano dentro e reserve para daqui a pouco. Desfie a carne em pequenos pedaços (não mínimos, pequenos) tirando toda e qualquer gordura ou pelanca que seja alheia ao ossobuco propriamente dito. Numa panela, refogue cebola, alho, pimentão verde, vermelho e meia pimentinha dedo-de-moça bem picadinhos. Quando tudo estiver dourado, junte a carne, tempere com sal, um pouquinho de pimenta do reino e deixe tomar gosto. Desligue. A carne está pronta. Nesta mesma panela (com a carninha grudada no fundo), refogue cebola, alho e coloque a abóbora que está bem molinha. Tempere com sal, cheiro verde, pimenta do reino e mexa até virar um purê bem consistente (ele terá um fundinho da carne porque foi feito na mesma panela). O purê também está pronto. Finalmente, coloque dois ninhos de macarrão cabelo de anjo pra cozinhar. Chegando no ponto, escorra. Pegue os ossos que estavam reservados, tire o tutano e coloque com cuidado numa frigideira pra derreter. Acrescente dois dentes de alho. Quando o alho estiver fritinho, deite nesta frigideira o macarrão. É daí pro prato. Ao lado, coloque o purê de abóbora e, em frente, o ossobuco. Vá para a sala, sente-se em frente à televisão e coma lembrando de todas as vezes que você queria muito ser feliz sozinha e não sabia. Aleluia!
Ah! sim, o caldo que você guardou na geladeira, amanhã você pega uma colher, tira toda a gordura que estará por cima, solidificada, e usa o precioso líquido para fazer o que você quiser, arroz, sopas, etc.

HOUSE LOUQUINHO, LOUQUINHO
26 Junho, 2009 by doidivana

No final da 5a. temporada o House pirou legal e foi parar num Hospital Psiquiátrico. A 6a. temporada começa em setembro nos EUA (aqui em novembro), mas as fotos das gravações já estão por aí. O ator André Braugher vai representar o psiquiatra encarregado de consertar a cabeça do meu amor.

DOIS LANÇAMENTOS E UM SITE
26 Junho, 2009 by doidivanaMeu querido amigo Reinaldo Morais autografa na próxima segunda-feira, dia 29, seu monumental PORNOPOPÉIA, um romance divertidíssimo que faz você engolir mais de 400 páginas num piscar de olhos. A festa será na Mercearia e ele espera por todos nós.
Meu outro querido amigo Roniwalter Jatobá estará autografando seu volume de contos da coleção Obras Antológicas (Nova Alexandria) na Livraria da Vila, dia 01 de julho, na Livraria da Vila da Fradique Coutinho. Além do Roni, também estão na coleção Jorge Miguel Marinho, Domingos Pellegrini e outros. Eu estarei na FLIP nesse dia, mas espero que vocês me representem.
E meu terceiro amigo querido, Rodrigo Lacerda, finalmente inaugura seu prometido site com tudo dentro: bio, fotos, artigos e blog. Ulalá! Corre lá!
DESCANSOU
26 Junho, 2009 by doidivanaTem gente que me deixa tensa só pelo fato de existir. Michael Jackson era um deles. Ontem, ao saber da sua morte, suspirei aliviada. Ufa, descansou. Às vezes, a morte é o que de melhor pode acontecer na vida de uma pessoa.
E eu aviso que voltei ao blog. O twitter estava roubando o melhor de mim, meus posts, os amigos que fiz aqui. Esse comentário que fiz acima, por exemplo, seria reduzido a 140 caracteres e lido pra ninguém ouvir. Aquilo é um bando de louco falando sozinho. Não! Eu voltei!