SATYRIANAS

31 Outubro, 2009 por doidivana

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a mesa composta por Santiago Nazarian, que não estava no programa, Contardo Caligaris, eu, Carlos Hee e Marcelo Rubens Paiva

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Santiago e Rodolfo Garcia Vasquez

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João Baptista e um amigo

marcosamigojb copyMarcos, João Baptista e o amigo.

Depois da mesa, fui almoçar no Smoky Jô, rua Mourato Coelho, 25. Um restaurante especializado em defumados.

baby jo copyBaby Jô – supremo!!!

molho

molhos diversos

salada

salada de batata, repolho e cebola. Recomendo VIVAMENTE!

OS DESMANDAMENTOS

28 Outubro, 2009 por doidivana

O Leandro Leite Leocádio é um escritor, jornalista, publicitário, etc que tem um blog chamado Os Desmandamentos. De vez em quando ele pede para um escritor escrever seus dez desmandamentos. Desta vez, a escolhida fui eu. Vai lá ver que tá bem engraçado.

SATIRYANAS

27 Outubro, 2009 por doidivana

No próximo sábado, 31 de outubro, às 12h, participarei do CAFÉ LITERÁRIO no Satyros I, evento que faz parte da badaladíssima Satyrianas, três dias de espetáculos ininterruptos na Praça Roosevelt. Ao meio-dia tem sempre um papo no Café Literário. Veja a programação abaixo e compareça. Vou adorar tomar café da manhã com você, conversando sobre A poética da irreverência, juntamente com Contardo Caligaris e Carlos Hee, mediados por Marcelo Rubens Paiva. Demais, né?

MESA 1: A POÉTICA DA IRREVERÊNCIA – 31 de Outubro – Sábado – 12h00
MEDIADOR: Marcelo Rubens Paiva
DEBATEDORES: Carlos Hee – Contardo Calligaris – Ivana Arruda Leite

MESA 2: A POÉTICA DA TRANSGRESSÃO – 01 de Novembro – Domingo – 12H00
MEDIADOR: Samuel Leon
DEBATEDORES: Clara Averbuck – Andre Santanna – Claudia Wonder – Santiago Nazarian

MESA 3: A POÉTICA DA METRÓPOLE – 02 de Novembro – Segunda – 12H00
MEDIADOR: Roberto Moreno
DEBATEDORES: Caco Pontes – Luis Francisco Carvalho Filho – Fernando Bonassi

Sempre no Satyros I

ATUALIZAÇÃO: A programação completa você encontra aqui.

CENAS DA VIDA NA ALDEIA

25 Outubro, 2009 por doidivana

Novo livro de Amós Oz, contos. E não me venham com invencionices. É assim que se faz.

cenas

Amos+OzThe best

AS RESOLUÇÕES ANTECIPADAS DO MICHEL

25 Outubro, 2009 por doidivana

Meu amigo Michel Laub já tomou suas resoluções antecipadas de fim de ano. Eu assino embaixo de quase todas.

A CAIXA VAZIA

23 Outubro, 2009 por doidivana

A verdade é que, afogados nesse aquário de papelão, Ofélia e eu andamos de um lado pro outro há vinte anos à espera da morte. Bibelôs, panelas, artigos de limpeza, calcinha pendurada no box e modess sujo ao lado da privada. O que é o casamento senão uma caixa vazia com tudo dentro?
Na churrasqueira, um marido girando no espeto (por sorte mantiveram-me a certa distância da brasa) enquanto a mulher vai ao forno com um tomate na boca. Ofélia fica linda com esta peruca de fios de ovos.
No dia do casamento, mamãe pensou que eu estivesse brincando quando lhe disse na porta da igreja:
- Prefiro minha parte em dinheiro.
- Torça pra ela desistir.
Ofélia não é mulher de desistir. Os filhos gozam de boa saúde.
- Um dia estas crianças ainda nos darão netos, você vai ver.
Ofélia tomou isso como ofensa.
- Me empresta seus óculos – ela me diz – minha vista tem piorado muito nos últimos tempos. Quando subir me traga um copo d’água, mas não acenda a luz, por favor.
Vinte anos tentando achar o pijama no escuro.
- Trouxe minha água?
Quando eu me deitar, a Princesa ganirá. A cadela insiste em deitar no meu lugar. Vinte anos tentando não esmagar suas frágeis patinhas.
A mesa enorme de jantar foi presente do obstetra.
- Entre as duas cabeceiras haverá muitos filhos – ele profetizou.
Nove meses depois apareceu com o mais velho no colo.
- É um menino!
- E eu com isso? – perguntei.
A segunda passou oito anos martelando no piano a mesma lição, até que trocou o instrumento por bicicleta. Passou mais oito com a roda em cima do meu pé. De vez em quando me liga a cobrar dos Estados Unidos.
O terceiro nasceu doentinho. Nem eu nem Ofélia tivemos coragem de jogá-lo escada abaixo. Hoje tá ai, de barba na cara, querendo casar.
Os prepúcios que enterramos no jardim viraram árvores frondosas. Uma nuvem de mariposas circunda o pau dos meus meninos. Algum dinheiro sempre some da carteira por conta disso, mas nada que os desabone.
Na mesa da cozinha tem sempre um fazendo o dever de casa: ca co cu, ca co cu. Pra que tanto filho, meu Deus?
- Cadê meu aparelho de barba?
- No banheiro das meninas.
- E elas já se depilam?
O púbis das meninas cobre-se de uma penugem rala. Dentro dele já brotou a rosa cor de sangue. Como sangram essas meninas!
- Não mexa no botão da rosa, Camila!
Com os dedos engordurados, desmancho o frango pelas juntas. Deus também desfaria a criação se previsse o resultado.
- Quer que eu te chupe?
- Não, obrigado. Nunca fui dado a aventuras extra-conjugais.
- Quando subir não esqueça de me trazer um copo d’água. Quando descer apague a luz. Quando sair bata a porta. Quando entrar limpe os pés. Quando arrotar peça desculpas. Quando mijar levante a tampa da privada. Quando trepar goze. Quando gozar, gema, bem molinha pra comer com pão. Ovo mole com toucinho em cima, estou careca de saber.
Pé ante pé, abro a porta da garagem e tiro o carro em ponto morto. Se Ofélia acordar, vai querer saber onde estou indo a esta hora. Eu lhe direi que vou devolver o filme à locadora. Duvido que ela entenda a metáfora. Amanhã me encontrarão em alguma rua deserta com uma bala na cabeça. Sem meus óculos, ela não lerá uma palavra do bilhete que deixei sobre o criado-mudo.

(conto do meu livro Histórias da Mulher do Fim do Século)

É HOJE!

22 Outubro, 2009 por doidivana

Hoje, estreia da 6a. temporada do House no canal 43, às 22h.

Capítulo especial com duas horas de duração. House no hospício. Imperdível

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HOUSE TRATA DO NOSSO TEMOR DA DOR E DA MORTE

Foi minha filha quem me aplicou House, ainda na época da segunda temporada. Era uma tarde de domingo, eu sentei do lado dela no sofá, vi o rosto de Hugh Laurie – que eu conhecia desde os tempos de A bit of Fry and Laurie, humorístico que ele teve com Stephen Fry na TV inglesa – e em duas ou três falas cortantes eu já estava completamente viciado, sem cura à vista. Felizmente. Mas minha filha talvez tenha ido mais longe: está pensando seriamente em fazer vestibular para Medicina…

Não é muito difícil, acho, explicar por que House se tornou a série de TV mais vista no mundo. Séries médicas, há muitas, das bem dramáticas às cômicas, passando pelas fantásticas, que se misturam com histórias de terror. Porém, House é a que, ao meu ver, trata de modo mais inteligente daquilo que realmente interessa: do nosso temor da dor e da morte. O próprio doutor vive em dor física, por causa do acidente na perna. Os outros médicos da sua equipe e a Cuddy tentam tornar as suas vidinhas menos dolorosas e mais cheias de sentido. E os pacientes, claro, eles não querem sofrer mais ou morrer.

Há outra forte razão para a popularidade de House. É o personagem construído por Laurie. Ele usou a sua sólida formação de ator inglês, somou a seu jeito para comédia e criou um sujeito que, embora seja único, tem ao menos um pouco de cada um de nós, um pouco que nem sempre estamos dispostos a admitir que exista. Ah, ele é sarcástico? Quantos de nós não gostariam de mandar na lata de alguém aquelas respostas grosseiras e engraçadas? Ah, ele é um misantropo? Quantos de nós já não odiaram a Humanidade, sobretudo em filas de banco, caixas de supermercado, lojas de departamentos, ligações do telemarketing? De certa forma, então, House pensa, fala e age por nós. Por isso, ele é nosso (anti)herói.

E é por isso tudo que, a cada início de temporada, a gente fica torcendo para que as coisas mudem _ para elas poderem permanecer as mesmas (e nós também). Afinal, como House vive dizendo, people don’t change.

Arthur Dapieve é colunista do jornal O Globo, curador da Rádio GNT e professor de jornalismo na PUC-Rio.

O SEGUNDO MELHOR EMAIL DO MUNDO

21 Outubro, 2009 por doidivana

Quando você recebe um email desse do Reinaldo Morais, o grande Reinaldão, o nosso Rei, o que você faz? Conta pra todo mundo e vai pra rua beber. Que alegria! Obrigada, querido. Quero escrever muitos romances ainda só pra receber emails como esse. Um beijo enorme

Ivana Ivanóvna Ivanovich de Arruda Dostoiévski, mas que puta livro delicioso você escreveu, menina. Garrei a ler ontem, finalmente, em meio a milhares de leituras e tarefinhas que deixei dependuradas. Confesso que abri seu Hotel Novo Mundo com medo de não gostar. Sei lá, várias circunstânbcias me deixavam com um pé atrás. Por exemplo, você já tinha me contado a trama básica — puta que vira madame bem casada no Rio e, dez anos depois, traída e desiludida, foge de casa e volta pra São Paulo, pra morar numa pensão no coração do basfond paulistano –, e me deu preguyiça de conferir a fatura dessa idéia num romance. E teve a opinião da minha sogra cult, que achou o livro “muito humano”. Temi que isso significasse melodramático e chatonildo. Além disso, não fui muito com a cara da capa. Mas comecei a ler assim mesmo, e aí foi foda. Deixei tudo imediatamente de lado: uma pilha de livros que tenho de ler pra fazer orelhas e releases, meu romance mexicano empacado, um argumento de cinema prum produtor com prazo de entrega estourando, e até as peladas da internet que afagam minha libido nas horas besta da tarde. Li antes, durante e depois de ler. Li até no meio do trânsito pesado do Itaim, às 4 da tarde, com nego buzinando no meu rabo pra eu me tocar de que o carro da frente já estava longe.

Adorei tudo, Ivana. Entrei naquela pensão da Luz junto com a Renata e me lambuzei com seu/dela/seu humor fino, mas sem alarde, nada de gags nem piadelhas, tudo na medida dos personagens, da trama. Me senti como ela, alguém com a vida ao Deus-dará, saída do bem bom do lar rico pra sarjeta do risco, balangando atordoada na corda bamba da pobreza. E me deliciei com as clássicas refeições brasileiras do Novo Mundo, filé de frango com purê, rabadas sensacionais, bife de panela, torta de frango, tudo com o capricho e a habilidade que só uma Genésia poderia apresentar à mesa e uma Ivana às páginas de um livro.

Você tá escrevendo um bolão, cara, zero de barriga, um ritmo viviante, grandes sacadas narrativas (as possíveis ruminações do César passando pela cabeça da Renata), uma capacidade incrível de fisgar todo o attention span disponível do leitor, coisa de louco mesmo. As várias histórias individuais de todos os habitantes do seu microcosmo ficcional são ótimas e vão se fechando e se interpolando num circuito humano altamente crível, construído só com as peças essenciais, tudo muito palpável, deleitável, abraçável — e, sobretudo, lível. Coisa mais boa de ler, sô. Tudo muito econômico, rápido, engraçado, às vezes angustiante, mas sempre colorido, tudo cheio dos cheiros, sabores, tonalidades, texturas, como só mesmo a tal da vida-como-ela-é.

Porra, não sei mais o que dizer, Ivana. Um mirrado parabéns não daria conta do meu contentamento de ler algo tão bom. Curioso como a sua Renata me fez lembrar da Gabriela Leite, uma ex-puta que conta a vida (real) dela numa biografia chamada “Mãe, avó e puta”, também muito boa de ler até a metade mais ou menos. (Se quiser, te empresto.) O texto final não é da Gabriela, mas de algum redator que vai dando baixa nas memórias da mulher – que também foi expulsa de casa por um pai caxias e cruel. Enfim, nem sei por quê estou falando isso, o Novo Mundo pouco tem a ver com o livro da Gabriela (que é Leite como você, by the way), e é apenas uma biografia corajosa de ux-outa. Você fez literatura da mais alta qualidade com a sua ex-puta Renata, e o que talvez eu esteja atabalhoada e prosaicamente querendo dizer é que a sua personagem saiu do mundo real — ou nele acaba de entrar, sei lá –, tão bem está construída. (Outra coincidência: a Gabriela também é fã de rabada, como a Renata e eu também.)

Caralho, vou parar por aqui, mas queria te dizer ainda umas 3 mil coisas boas sobre o seu ótimo romance. Direi a beira-chope qualquer hora dessas

Uau! Ainda bem que a inveja não passa de um forma superior de admiração, como diz o Veríssimo filho. Senão eu já tava morto, seco, esturricado uma hora dessas.

beijão mui mui mui grande,

do seu fã mais aguerrido

Reinaldo

DE VOLTA AO MUNDO

21 Outubro, 2009 por doidivana

Cheguei! Depois de despachar dois livros pras suas respectivas editoras, o Alameda Santos, o novo romance, para a Iluminuras e o Diomira e o Coronel Carrerão, meu primeiro infantil, para a Brinque-Book, eu volto à vida e ao mundo. Dessa vez o mergulho foi radical. Me enfiei em casa e não saí um dia, não vi ninguém, não bebi. Só ia pro trabalho e voltava. Mesmo assim, faltei um monte de dias que vão me pesar e muito no fim do mês, com certeza. Teve um dia que eu escrevi pra Bebel “parei de fazer esteira e nem banho estou tomando”. Claro que foi brincadeirinha, mas foi quase isso. Há muito tempo eu não vivia essa vida de escritora “de verdade” que foi minha rotina durante longos e longos anos, antes que eu virasse uma escritora de verdade, não é o máximo da ironia? Depois que eu comecei a publicar e aparecer e ser reconhecida como escritora e ter leitores, o que eu menos faço é escrever. Pra escrever direito você precisa estar longe do mundo, não tem jeito. Ou pelo menos ficar uns tempos longe dele, caso contrário as solicitações (que são muito mais atraentes e interessantes do que ficar ali, horas na frente do computador lutando com as palavras) te absorvem e não te deixam concentrar como se deve.
Acho que o livro ficou bacana. Espero que gostem e que a Bebel se orgulhe de mim desta vez também. A história se passa… bem mas isso eu deixo pra falar mais tarde. Agora, só quero bobagens e abobrinhas. Êiaiaiaiaiaiaia!

O MELHOR EMAIL DO MUNDO

20 Outubro, 2009 por doidivana

Eu acabei de ler o hotel ontem…. Nossa mãe, adorei!!! Eu não lembrava do final, ou então mudou muito da última vez que eu li, que lindo. Achei a oração que ela faz na capela antes da operação da Ritinha emocionante, uma das partes mais bonitas do livro. Me deu vontade de chorar. O ultimo capitulo também arrasa, nossa qdo ela recolhe a mãe e leva embora… Adorei quando ela faz lista, sabe qdo falo lista? Ou mil coisas a fazer ou dúvidas, entende?, é gostoso de ler. E tem momento muito engraçados, de rir mesmo, de rir sozinha. Tipo o pai de santo fugindo dela…. hilário!
Demais mesmo, sucesso merecido, é um livro que não tem como desagradar a ninguém, ele é meio universal né?
Morri de orgulho!
Bjbj
Bebel